OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Nota de autor: É sempre um prazer colaborar com uma revista literária e cultural. Do Brasil, encontrei OBarrete e lendo a publicação, senti que meus escritos cabiam nesta publicação. Escrevendo para este site, mitigo um pouco a saudade de Portugal. Convido-os a mergulharem nesta história e, passo a passo, refletirem sobre as coisas da vida, através de personagens heróicos e outros nem tanto. O espectro da vida é assim, um caleidoscópio de possibilidades e visões. Sem mais delongas, vamos ao texto. Semanalmente, publicaremos desdobramentos.

Uma chuva torrencial cai sobre Belo Horizonte. Estacionado em frente ao Palácio das Artes, um táxi espera impaciente a descida do passageiro, que, mesmo portando um guarda-chuva, tem no bagageiro duas caixas pesadas de livros para carregar. O taxista não parece disposto a auxiliar. Pelo menos, desliga o taxímetro. No banco de trás, Gregório, constrangido, tenta entabular conversa, mas nada que passe do trivial sobre o tempo.

— Não quero tomar o seu tempo. Uma estiadinha e prometo descer. Veja só, parece que está diminuindo…

O taxista sorri e compreende a situação. Gregório torna:

— Até porque dentro de quinze minutos começa o evento. Preciso chegar uns dez minutos antes para dispor os livros. De qualquer forma, daqui a cinco minutos saio.

O taxista se prontifica a ajudar:

— Se é assim, damos uma corrida juntos e cada um pega uma caixa.

Quatro minutos depois, as portas do automóvel se abrem e, apressadamente, os dois pegam suas respectivas caixas. Gregório ainda leva um banner e uma pasta executiva, mas longe de ser de couro legítimo. “Chuva de molhar bobo”, a verdade é que as costas do escritor estão bem molhadas e os pés entraram em cheio numa poça d’água. Um guarda do Palácio auxilia pegando uma das caixas e deposita-a num banco em frente a uma vidraça. Gregório paga o taxista, dando a ele uma gorjeta de dez reais pela espera, o taxista agradece e deseja sorte no evento que o cliente irá fazer. O guarda é solícito, auxilia na descida das duas caixas (bem pesadas, por sinal) e, no andar térreo, uma mesinha disposta e cadeiras ao redor estão preparadas para o lançamento do livro de Gregório Mendes, 40 anos, filósofo, palestrante, agitador cultural, dono de uma coluna comportamental em um jornalzinho de bairro (“O Vigilante!“) e professor de Literatura e Redação num renomado colégio da cidade. Estreava o seu primeiro livro, numa seleção de textos que haviam sido publicados pelo jornal. Como o jornal abrangia cerca de 500 leitores no máximo, e dentro de uma associação de bairro, Gregório vislumbrava um alcance maior com a publicação desse compêndio. Por isso vendera um Gol e juntara suas parcas economias para publicar a obra, negociando diretamente com uma editora de auto-publicação, que não tinha muitos critérios nas avaliações dos originais, atendo-se apenas à questão comercial dos pagamentos sempre antecipados. Mas se tivessem adentrado a obra, observariam nela concepções e formas de pensamento bem originais e ideias filosóficas que passavam longe de especulações metafísicas.

Uma sonolenta atendente de lanchonete se espreguiçava no caixa. Um garçom ofereceu ajuda. Gregório estranhou o fato de a livraria do térreo ter sido fechada. Um imóvel vazio e frio. Dirigiu-se a uma mesa e ao lado pendurou o banner, que chamava para o lançamento de “Provocações Filosóficas de um Pensador Atualizado Com As Coisas do Mundo“. Verificou o relógio e sorriu ao ver adentrar o espaço uma de suas leitoras, uma adolescente de 15 anos, leitora de Nietzsche, e que declamava trechos inteiros de “Assim Falava Zaratustra“. Carla sacudiu a sombrinha, sorriu e estendeu a mão ao escritor. Falaram sobre amenidades, sobre o clima e sobre o livro. Atabalhoadamente, Gregório usou a tampa de caneta para rasgar a fita que atava a caixa e saiu de lá um exemplar robusto que entregou à adolescente. Um frémito correu o seu corpo, talvez o frio dos pés molhados, talvez a visualização de jovens seios que despontavam por baixo de uma blusa branca quando roçou com o braço, de leve, aquele braço de menina. Um blazer estava por cima. Conversaram pouco sobre a obra, Carla estava interessada lendo a orelha, a contracapa, dando uma folheada.

Tempo para chegarem mais três convidados: Hamilton era um homem que aparentava uns 40 anos e que era simplesmente vidrado em um jogo da Caixa Económica Federal, a Loteca. Nunca havia ganhado um prémio bom, pois, no dia em que acertou os 14 pontos, não se inteirou do fato de que, sem nenhuma zebra aparente, o rateio era ínfimo. Quando o Corinthians ganha do XV de Piracicaba, o Flamengo do Volta Redonda, o Grêmio do Inter de Santa Maria, o Goiás do Anapolina e o Atlético Mineiro do Guarani de Divinópolis, bem, o prémio não é lá essas coisas. Mal deu para cobrir o valor da aposta. Mas Hamilton persistia, elencando algumas zebras e na espera do seu primeiro milhão. Homem simples, dizia que se aposentaria com um rendimento básico na caderneta de poupança. Sua presença no evento, uma vez que não lia nada que não fosse futebol, justificava-se pelo fato de vender anúncios para o jornal de bairro onde Gregório escrevia. Ele o conhecia por acaso, uma vez que negociaram um espaço publicitário chamando para o lançamento da obra. Buscou um cheque na casa de Gregório e anunciou. Estava ali pela política do pós-venda.

Juliana chegou um pouco ensopada. Conhecera Gregório por meio de uma coluna em que o autor tratou de cuidados com os animais. Vegana, natureba e ferrenha defensora dos bichos, Juliana se emocionava toda vez que encontrava um cão de rua e, em sua mochila, carregava sempre de dois a três quilos de ração. Com essa preocupação, cumprimentou os presentes, desceu a mochila, abriu-a e verificou se a ração estava intata. Estava. Dirigiu-se até Gregório e perguntou se tinha mais algum texto sobre animais em seu livro. O autor respondeu que sim e entregou a ela um exemplar. Juliana sentou-se e começou a folhear.

Luísa chegou sequinha, com um celular na mão e super-concentrada na troca de mensagens e envio de posts. Era difícil para ela se desconectar do mundo virtual, ainda mais que sabia inglês e, num intercâmbio virtual, travava conhecimentos com australianos, canadenses, norte-americanos, ingleses e afins. Dormia com o celular ligado, recebia mensagens noite afora e ia compartilhando, postando, comentando e vivendo. Nutria-se pelo celular. Gregório a conheceu quando leccionou aulas num cursinho. Quando o escritor lhe entregou um exemplar, ela logo perguntou:

— Seu livro tem em plataforma digital?

Ao que Gregório respondeu não; ela insistiu:

— Poderia me passar a versão em pdf?

Gregório prometeu enviar o arquivo, e ia ajeitando algumas cadeiras em torno de uma mesa. Distribuiu alguns livros e observou Hamilton, que quase comia com os olhos Luísa. Juliana travava conversa com Carla, e ambas comentaram o fato de Nietzsche ter se abraçado a um cavalo que estava sendo açoitado. Juliana, que nunca havia ouvido falar do filósofo alemão, encantou-se logo por ele. Carla foi interrompida pelo grito extravagante da mãe que chegou causando. Perua grã-fina, estava com um tailleur e acessórios extravagantes. Quarentona, mas nitidamente desejando ser bem mais nova, não entendia bem o que significava filosofia, cultura e arte. Entendia apenas a ciência das aparências e, quando foi fotografada por uma revista executiva numa festa de chiques e famosos no Automóvel Clube de BH, sentiu-se realizada, evento somente superado quando foi a Miami fazer compras e comentar com as amigas. Abraçou inesperadamente o escritor, beijou-o nas faces e deu para se perceber o constrangimento de sua filha. Jurema era o nome da grã-fina, que, depois de investir no cartório e burocracias tantas, trocara para Brigitte. Segundo ela, Jurema causava-lhe constrangimento.

A atenção de todos foi chamada para a entrada de duas mulheres que choravam abraçadas. Gregório tivera o (des)prazer de conhecer a ambas: uma se lamentava dia e noite pela perda da mãe, exercia a culpa de forma atroz e dizia que não tivera tempo para esclarecer algumas coisas com a genitora. Ficara registrado na conversa que tivera com Gregório frases como estas: “E eu não tive a oportunidade de dizer o quanto eu a amava!”; “E ela morreu sozinha num quarto de hospital, mal respirando!”; “Ah, se eu pudesse voltar no tempo!”. E o show de lamurias ia aumentando. Lera um artigo de Gregório que foi propositalmente de auto-ajuda para testar o seu público-alvo. Foi o que bastou para Andreia enviar vários e-mails ao autor pedindo conselhos sobre o que fazer e o que não fazer. Deborah, a outra chorosa, com um lenço na cabeça, símbolo de sua luta contra o câncer, devidamente registado num diário no Facebook, onde fazia questão de frases de auto-ajuda e superação. Gregório, meio constrangido, foi a ambas. Afagou as costas das duas e ganhou uma assoada de nariz de Andreia bem no peito. Tentou disfarçar, passou rapidamente a palma da mão pela gravata e limpou na calça, de forma discreta. Consolou-as rapidamente. Luísa tirava fotos do banner, do livro exposto e das pessoas ali presentes e, em vários selfies, publicava na Internet. Juliana aproximou-se de Deborah e convidou-a a se sentar. A rodinha já estava quase montada e quando Gregório pediu um copo de água para iniciar a apresentação, foi surpreendido com a entrada de mais três convidados.

Arthur era um jovem de vinte e dois anos, leitor assíduo de clássicos da literatura, tais como Victor Hugo, Balzac, Stendhal, Proust e Thomas Mann. Dizia que seu avô tinha dado o nome a ele em homenagem ao grande Rimbaud e, se nome e destino travavam um elo, Arthur era a prova viva disso. Trazia nas mãos um livro de Mario Vargas Llosa, “Conversa Na Catedral“. Conhecera Gregório também na aula de Redação e o professor logo admirara o talento em forma de espécie em extinção. Logo a seguir entrou Chris, gay assumido e pertencente ao movimento de consciência negra, ideólogo e limítrofe exatamente por causa desse ativismo. Via discriminação e perseguição em tudo e travava com o escritor embates acalorados sobre artigos que deveriam ser escritos em favor dos gays e negros. Gregório escrevera alguns, mas não possuía a militância como tema de seus textos, declarando-se mais um filósofo que um ideólogo. Chris, corruptela de Cristiano, tinha uns 30 anos e recebeu olhares discriminatórios de Hamilton. Nessa leva de convidados chegou Márcia, ativista feminista e homossexual assumida, logo esbanjando olhares para Carla, Juliana e Luísa.

Antes que a coisa toda perdesse o foco, Gregório começou sua fala, agradecendo a presença de todos naquele dilúvio na capital e ansioso para falar um pouco do seu novo trabalho. Começou:

— O título deste livro é bem sugestivo. Eu o pensei numa proposta de diálogo amplo, por isso “Provocações Filosóficas De Um Pensador Atualizado Com As Coisas do Mundo“. – Os poucos presentes se alternavam entre folhearem o livro e encararem o palestrante. Menos Hamilton que, de posse de uma caneta, marcava um jogo da Loteca com a testa franzida. Luísa, que não havia sido contratada como assessora de imprensa, já tirara cento e cinquenta fotos do evento e publicava.

– É preciso provocar um mundo que está em escombros. Pensar o mundo. Pensar as coisas não apenas como o fato de nos lembrarmos de que teremos que trabalhar amanhã, comermos amanhã, nos deitarmos amanhã. Pensar sobre as coisas mesmas, refletir sobre a nossa existência, procurar um sentido para a vida. E, sendo interativo, proponho a vocês uma conversa. Quero ouvir de vocês, qual o sentido da vida para vocês? Começando da direita para a esquerda. Juliana?

— Defender os indefesos animais – respondeu de bate pronto.

Gregório apontava, e os interlocutores começaram:

— Fazer compras, viajar ao exterior e plásticas, muitas plásticas! – Jurema-Brigitte exclamou, para riso geral dos presentes. Menos Carla, constrangida, que, a seguir, respondeu:

— Sentido na vida é uma coisa muito ampla. Não dá para delimitar em uma simples resposta. Como afirmava Nietzsche em “Assim Falava Zaratustra“: “A única coisa pesada, porém, para o homem levar é o próprio homem! É que arrasta aos ombros demasiadas coisas estranhas. Como o camelo, ajoelha-se e deixa-se carregar bem. Mormente o homem forte, resistente, cheio de veneração: esse carrega aos ombros demasiadas palavras e valores estranhos e pesados; agora a vida parece-lhe um deserto” – empolgou-se a tal ponto que, na parte final, já estava de pé e declamando. Luísa tirou umas dez fotos. Os presentes aplaudiram, enquanto Jurema-Brigitte aplaudia fazendo cara estranha.

A bola foi passada para Hamilton, que passou a vez. Estava refletindo sobre o jogo 7, entre CRB de Alagoas e ASA de Arapiraca. Disfarçou, dizendo que era tímido. Arthur se dirigiu primeiramente a Carla e depois aos demais:

— Fantástica a citação. Que conteúdo! É o que digo: o mundo não está perdido. Tomei essa chuvarada toda e afirmo que ganhei o meu dia. Desculpe-me professor – dirigindo-se a Gregório – mas o fato de ter ouvido isso agora e de uma adolescente me fez ganhar a noite.

Carla interveio, afirmando que idade não significava grande coisa e que desculpava Arthur pelo fato do epíteto adolescente, mas que não gostaria de ser taxada como tal. Ambos se entenderam. A seguir Deborah falou:

— Oportuna a sua pergunta, escritor. Achei um sentido na vida a partir do momento em que tive que me submeter a uma quimioterapia. Meus cabelos caíram. O tratamento é brutal. Hoje mesmo postei no Facebook o diário dessa minha luta e emocionei a muitas pessoas. Consegui 67 likes, 12 comentários de solidariedade e sete compartilhamentos, que geraram outros likes e comentários e outros compartilhamentos. Sou uma lutadora. Uma vencedora. Amo a vida, os bichos e as plantas. Amo Deus, que colocou isso na minha vida com um claro propósito. Esse é o sentido da minha vida. E estou numa luta de informação para que as pessoas saibam o que causa câncer. Refrigerantes causam câncer. Bebidas alcoólicas também. Adoçante causa câncer. Legumes cheios de agrotóxicos causam câncer. Cigarro causa câncer. Depressão e ressentimento causam câncer. Frituras causam câncer. E poderia informar aqui mais um monte de coisas que causam câncer. – Luísa gravou essa parte, postou e, enquanto o vídeo baixava, ouviu Chris:

— Sentido da vida para mim é descobrir a própria sexualidade. Descobrir os nossos anseios e ter clareza de visão. Assumir posições, mesmo sendo vítima de discriminações de toda sorte. Assumo que sou gay e negro. – O fato de ser negro era bem notório, ser gay também.

Gregório passou a vez para Andreia, que lamuriou:

— Você que é um fisólogo (sic)… figóso (sic)… – atrapalhou-se a chorosa.

Gregório interveio:

— Filósofo.

Os presentes seguraram o riso. A chorosa, melhor dizendo, Andreia, tornou:

— Ela morreu sem eu ter tido a chance de dizer a ela o quanto eu a amava. Sofro até hoje. Sonho com minha mãe. Coitadinha, falência múltipla dos órgãos e deitada naquela cama de hospital. Hospital público. Como pagar uma diária em hospital particular de dois mil reais? Morreu sem ar, a pobre da minha mãezinha. Abandonada numa cama de hospital. O que é uma lástima! – dirigindo-se exclusivamente a Gregório – você que é uma pessoa dessas aí que você falou, desculpa, mas eu não sei falar, mas que é uma pessoa inteligente, responda-me, por favor, algo que me faça sair desse sofrimento. Por favor…

Gregório saiu pela tangente, disse que havia no livro uma crónica que tratava exatamente do luto por ocasião da perda de sua mãe com o simples título de “Hospital“. Meneou a cabeça para Márcia, com um cabelo curto e piercing na sobrancelha. A ativista começou:

— Sentido é tudo isso que nos falta hoje em dia. Concordo com o rapaz gay que falou muito bem. Somos discriminados. Somos vítimas de um sistema machista que nos oprime o tempo todo. Só para fornecer um dado, a população brasileira é formada por cinquenta e dois por cento de mulheres, mas na política, por exemplo, a mulher não ocupa dez por cento dos cargos. Isso sem falar na diferença salarial existente entre cargos de mesma competência. E isso sem falar no outro turno de trabalho que a mulher faz em casa, lavando a roupa do marido, dos filhos, etc.

Foi a deixa para Jurema-Brigitte indicar:

— Você não tem máquina de lavar em casa? Olha, quando saio deixo minha empregada a cargo dessas tarefas e…

— Mãe – interrompeu a filha – ela está falando em termos gerais. Não opine, por enquanto, por favor.

Antes que a coisa toda descambasse para um bate-boca improdutivo, Gregório interveio e foi surpreendido com a chegada de mais dois gatos pingados. Literalmente. Um rapaz de terno, cachecol e sobretudo, fechando um guarda-chuva, cumprimentou a todos e se desculpou pelo atraso, afirmando ter pontualidade britânica, mas que a chuva e a falta de um bom transporte público em BH (bem diferente do que acontece em Paris, Madrid, Londres) fizera com que se atrasasse. Sentou-se. Chamava-se Nicodemos, apelido Nico. O outro era um rapaz introvertido, óculos de grau forte, filósofo de formação e que vivia sustentado pela mesada da mãe. Não queria se vender ao sistema e sopesava cada palavra antes de submeter o seu tratado de filosofia a editoras afins. Era meio lunático, mas íntegro. Chamava-se Joel e conhecera Gregório num simpósio de filosofia na UFMG.

Ambos já chegaram sendo instados a falar sobre o sentido da vida. Nico foi o primeiro:

— Desculpem-me mais uma vez o atraso. A chuva… Essa falta de transporte decente no Brasil. Na França vocês precisam ver: se o ônibus está marcado para sair às 10h24, adivinhem só! 10h24 e o transporte chega, e nem é ponto de partida. Estamos muito atrasados em relação à Europa…

— O sentido da vida… – interrompeu Gregório.

— O sentido da vida. O sentido da vida é exatamente a falta de sentido na vida.

Carla bufou. Juliana deu de ombros. Hamilton franziu a testa e reflexivo acerca da marcação do jogo entre Botafogo da Paraíba X Central de Caruaru. Luísa tirou fotos de Nico e postou o vídeo clamoroso (e nada glamoroso) de Deborah. Foi a vez de Joel dizer:

— Também começo pedindo desculpas pelo atraso. Achei que era oito e meia o lançamento. Bem, sentido possui em si vários significados e, à luz da filosofia, pode significar uma série de coisas, variando de filósofo para filósofo. Poderia especificar, professor?

— O que sentido significa para você… Qual o sentido da vida?

E a conversa rolou solta noite adentro. Indagações. Questões. Dúvidas. Choros. Resignações. Gregório começou a sentir uma dormência nos pés, bebeu uma taça de vinho e foi lembrado pelo guarda do Palácio que já estava na hora de fecharem. A caixa da lanchonete quase dormia. Gregório deu por encerrada a noite, convidou todos a adquirirem o seu livro e conseguiu uma venda espetacular: dois exemplares autografados: um para Carla, Jurema–Brigitte, e outro para Arthur. Joel se desculpou pela não aquisição.

Despediram-se. Gregório enrolou o banner, juntou novamente os livros na caixa, chamou o táxi e foi embora.

Marcelo Pereira Rodrigues

Marcelo Pereira Rodrigues na cidade de Lisboa

Marcelo Pereira Rodrigues (MPR), 45 anos, é escritor (cronista e romancista), filósofo e palestrante. É editor-chefe da “Revista Conhece-te“, periódico mensal que persiste de forma ininterrupta por 19 anos.

Escreveu livros como: “Muito Humano Demais” (Crónicas, 2002); “Nós” (Crónicas, 2003); “Um Café com Sartre” (Romance, 2006); “Pimenta, Sal & Alho” (Crónicas, 2007); “O Filósofo Idiota: O Livro Proibido Na UFSJ” (Romance, 2011); “Corda Sobre o Abismo ou O Elogio da Desesperança” (Romance, 2015, lançado também em Portugal, Angola e Cabo Verde), ou mais recentemente “A Queda” (Romance, 2017) e “Fernando, O Lusitano Brasileiro” (Biografia, 2018), sendo que “A Queda” (“La Caída“) foi traduzido para o espanhol e publicado na Amazon.

Participa de concursos literários pelo mundo fora e foi indicado a Prémio pela Feira do Livro de Londres de 2020.

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