OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Publicado em 1649, portanto, um ano antes do seu falecimento, o tratado “As Paixões Da Alma” (Editora Nova Cultural, 1987, 76 páginas), de René Descartes, nascido em 1596, é uma obra investigativa sobre as nossas afeções e sentimentos, daí o embrião desta investigação mais intimista – o qual o campo da Psicologia abordaria muito mais tarde.

Espírito do seu tempo, tendo já publicado o seu notável “Discurso Do Método” doze anos antes, neste “As Paixões Da Alma” a ciência continua a ditar a norma, a despeito de todo o ensinamento eclesiástico pretérito. Partindo da compreensão de que o homem é corpo e alma, sendo esta compreendida como o anima grego, no seu entendimento mecanicista do corpo (lembram-se de Leonardo da Vinci?), Descartes discorrerá sobre os organismos, as suas funções, atividades, cavidades, correspondência entre as peças desta máquina perfeita e de como a alma perpassa tudo isso.

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A Grande História da Evolução: na trilha dos nossos ancestrais” é mais um dos famosos livros do geneticista e biólogo britânico Richard Dawkins. Publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras, em 2009, o maçudo de 792 páginas pode ser entendido como o grande romance da vida. Primeiro, vale uma explicação e sugestão, a título de analogia. Formado em Filosofia, incentivo sempre aos não iniciados a aventurarem-se pela disciplina, mesmo que superficialmente, num primeiro momento.

Penso que a curiosidade, aliada a um crescente desejo de aprender, pode orientar a estrada de quem se põe a estudar. Facto análogo aconteceu e acontece comigo. “Como darei conta desta leitura imbrincada, se não sou estudante de Biologia?” foi a pergunta que fiz a mim mesmo ao pegar neste livro. Agradeço a Danielle Vignolli Guzella Leite, promotora pública, que me emprestou a obra. Viram que interessante? Uma profissional de Direito a ler Biologia. Por que não um filósofo tentar ler também?

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Vivian Maier (1926-2009) trabalhou como ama durante mais de quatro décadas. desde o início da década de 1950. Toda a sua vida passou inevitavelmente despercebida, até que a sua obra fotográfica foi descoberta em 2007; um trabalho colossal, composto por mais de 120 000 negativos, filmes em Super 8 mm e 16 mm, várias gravações fotografias diversas e inúmeros filmes por revelar.

No seu tempo livre, Vivian Maier fotografava a rua, pessoas, objetos, paisagens; em suma, fotografava aquilo que via imediatamente, sabendo como captar o seu tempo numa fração de segundo. Narrou a beleza das coisas comuns, procurando as brechas impercetíveis e as inflexões elusivas do real na banalidade do dia a dia.

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A autoria da “Odisseia“, poema épico fundador da literatura ocidental, é atribuída ao poeta Homero, da Grécia Antiga (928 a. C.- 898 a. C). Existem várias polémicas sobre a sua real existência histórica, mas ele é a personificação coletiva de toda a memória dos gregos, a culminância de séculos de histórias contadas oralmente.

A “Odisseia” narra a perigosa jornada de dez anos do herói Odisseu, também conhecido como Ulisses, para retornar à sua casa na ilha de Ítaca, após a guerra de Troia, enquanto a sua esposa, Penélope, resiste aos pretendentes estrangeiros que não desejavam somente o seu amor, mas o poder do seu reino. Penélope não é ingénua. Esta tem um pensamento político. Não quer entregar o governo a estranhos, que, certamente, matariam o seu filho, Telémaco. E assim, bordando um sudário, aguarda a chegada improvável do seu amado Odisseu.

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“Tudo pode acontecer, até o pior. Pois o pior também ronda na matilha das possibilidades. A hiena da desgraça passeia ao acaso em meio à banalidade.”


“A Travessia de Eva”

O livro “A Travessia de Eva” (editora Bertrand Brasil, 2005, 160 páginas, traduzido por Marcelo Dias Almada), do escritor francês Pierre Péju, nascido em 1946, é excelente! Também filósofo e ensaísta, sobressaem-se na história estas interseções, acrescidas de um vasto grupo de autores clássicos que são citados, sem pedantismo.

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