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Porque A Arte Somos Nós

A autoria da “Odisseia“, poema épico fundador da literatura ocidental, é atribuída ao poeta Homero, da Grécia Antiga (928 a. C.- 898 a. C). Existem várias polémicas sobre a sua real existência histórica, mas ele é a personificação coletiva de toda a memória dos gregos, a culminância de séculos de histórias contadas oralmente.

A “Odisseia” narra a perigosa jornada de dez anos do herói Odisseu, também conhecido como Ulisses, para retornar à sua casa na ilha de Ítaca, após a
guerra de Troia, enquanto a sua esposa, Penélope, resiste aos pretendentes estrangeiros que não desejavam somente o seu amor, mas o poder do seu reino. Penélope não é ingénua. Esta tem um pensamento político. Não quer entregar o governo a estranhos, que, certamente, matariam o seu filho, Telémaco. E assim, bordando um sudário, aguarda a chegada improvável do seu amado Odisseu.

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“Tudo pode acontecer, até o pior. Pois o pior também ronda na matilha das possibilidades. A hiena da desgraça passeia ao acaso em meio à banalidade.”


“A Travessia de Eva”

O livro “A Travessia de Eva” (editora Bertrand Brasil, 2005, 160 páginas, traduzido por Marcelo Dias Almada), do escritor francês Pierre Péju, nascido em 1946, é excelente! Também filósofo e ensaísta, sobressaem-se na história estas interseções, acrescidas de um vasto grupo de autores clássicos que são citados, sem pedantismo.

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Ler “Cem Anos de Solidão“, do colombiano Gabriel Garcia Márquez (1927-2014), radicado na Cidade do México, Prémio Nobel da Literatura em 1982, é sempre uma viagem profunda numa narrativa poderosa e complexa, cheia de fugas e interrupções. Exemplo maior do realismo mágico impregnado na literatura hispano-americana. O autor desentranha o maravilhoso das coisas que o rodeiam, misturando o real e o fantástico. Traz à tona elementos simbólicos, primitivos, que são as forças autênticas da terra. Conta a incrível história de uma família por sete gerações, os Buendía, uma estirpe que guarda anseios e dores de um povo oprimido, colonizado.

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Muitas vezes, a consciência moral não se mede apenas pelo ato cometido, mas pela capacidade de suportarmos ou neutralizarmos o peso do que fizemos; por isso, universalmente falando, a falha ética mais profunda talvez não seja a transgressão em si que fazemos, mas a facilidade com que racionalizamos, com que dissociamos e com que normalizamos o dano causado. Efetivamente, isto expõe uma fragilidade humana recorrente: é comum não escolhermos entre o bem e o mal de forma limpa, mas sim porque estamos à procura de preservar a nossa própria imagem – e é precisamente aí que a nossa moralidade deixa de ser um princípio abstrato para se tornar um teste concreto de integridade.

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