Muitas vezes, a consciência moral não se mede apenas pelo ato cometido, mas pela capacidade de suportarmos ou neutralizarmos o peso do que fizemos; por isso, universalmente falando, a falha ética mais profunda talvez não seja a transgressão em si que fazemos, mas a facilidade com que racionalizamos, com que dissociamos e com que normalizamos o dano causado. Efetivamente, isto expõe uma fragilidade humana recorrente: é comum não escolhermos entre o bem e o mal de forma limpa, mas sim porque estamos à procura de preservar a nossa própria imagem – e é precisamente aí que a nossa moralidade deixa de ser um princípio abstrato para se tornar um teste concreto de integridade.
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