Um Rio de Janeiro suburbano. Embora algumas tomadas mostrem algumas atrações da cidade em si, como a praia de Copacabana e as vistas arrebatadoras dos cartões postais, o filme “Matou a Família e Foi ao Cinema” (do realizador Neville d’Almeida, do autor Júlio Bressane, lançado em 1991, 1h30) mostra o underground da cidade e as vidas comezinhas. Remake da primeira versão de 1969, este drama traz no seu elenco Alexandre Frota, Louise Cardoso, Maria Gladys, Guará Rodrigues, Cláudia Raia (estonteante em todas as suas curvas), Pedro Aguinaga, Karla Ignez, entre outros.
Bebeto (interpretado por Frota) não aguenta mais tamanha aporrinhação por parte dos pais, notadamente do pai, que o desanca continuamente, chamando-o de “vagabundo”. Com uma faca de açougueiro, corta a garganta do pai e seguem-se episódios fortes. Neville d’Almeida é reconhecido por estas cenas sanguinolentas e não poupa sensibilidades. A seguir o filho esfaqueia a mãe e ato contínuo, entra num cinema onde assiste a alguns dramas. Destaque para o tema musical, que é da autoria de Lobão com Ivo Meireles. Faz parte do repertório do disco “O Inferno É Fogo“, de 1991.
Como se o drama de Bebeto não bastasse, este assistirá compenetrado a um casal da periferia com brigas recorrentes. Ele chega bêbado e com apenas alguns trocos que conseguiu como vale do seu patrão. A esposa embirra com ele e diz que ele sairá para ganhar a vida na rua, que tem quem a sustente. Ela e a sua bebé, que chora no berço. A estridência do choro e das lamúrias da mulher faz o infeliz perder a cabeça: atira nas duas e mais para a frente, uma outra história surgirá para a contemplação do nosso assassino.

Taras e manias, entremeando as cenas de um ladrão de calcinhas aparece aterrorizando as suas vítimas e sempre consegue o seu troféu, inalando o néctar dos Deuses.
Saindo da zona periférica, a estonteante e entediada Márcia (interpretada por Cláudia Raia) aproveita a viagem que o marido fará à Europa e refugia-se numa herdade em Itaipava, próxima ao Rio de Janeiro. Dispensa os criados e tem a casa só para si, recebendo a inopina visita de Renata (interpretada por Louise). As duas amigas do colégio conservador se liberarão, praticando toda a sua sorte em orgias e os cenários tornam-se dionisíacos. Atentem-se para as cenas do mulherão Cláudia Raia com o cavalo. As curvas e musculaturas de ambos sobressaem-se, tendo o luar como pano de fundo.
Mais um recorte para a periferia e as duas raparigas apaixonam-se para desespero da mãe de uma delas, que sabe que a sua filha está a ser mal falada no bairro. As cenas de envolvimento das duas beldades são nítidas e provocantes. Tudo leva ao flagrante e consequente ato extremo.
Compenetrado ainda está Bebeto, e compenetrado ficamos todos nós. Entremeando manchetes de jornais sensacionalistas, a obra acaba por ser um apanhado de situações que se passam ao largo da Cidade Maravilhosa, vendida aos turistas nos folders de agências de viagem.
Foi bom revisitar este filme, sabedor que é um clássico do cinema nacional, mesmo que apele a cenas de nudismo – que eram a certeza em garantir as bilheterias à época. Se o espectador for muito sensível, sugiro a não assistir. Se puritano for, tampouco.
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