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O romance best-seller da britânica Paula Hawkins, “A Rapariga no Comboio“, foi publicado pela primeira vez em 2015 e foi, para além de um sucesso mundial, um thriller psicológico capaz de confundir a mais resiliente das mentes.

A história pertence a Rachel, uma mulher que perdeu o controlo da sua vida após a separação de Tom, o ex-marido que nunca esqueceu. Rachel e Tom tinham a relação perfeita: dois jovens a começar uma vida numa casa que compraram juntos e com um mundo pela frente. No entanto, nem a mais bela das relações resiste a uma incapacidade de ter filhos misturada com um problema relacionado com álcool.

Os comportamentos agressivos que Rachel começou a ter perante o marido quando sob o efeito do álcool, levaram a uma série de acontecimentos embaraçosos e desagradáveis, aos quais a resposta do marido foi uma traição e o desmoronamento do casamento. A partir daí a sua vida tornou-se numa espiral de desgraças: divórcio, desemprego, solidão e uma amargura constante no seu mundo.

Paula Hawkins

Apesar do emprego perdido, Rachel manteve a ilusão e deslocava-se todos os dias a Londres, onde outrora trabalhou, e voltava para casa como se tivesse chegado de um longo dia de trabalho. A única coisa que realmente parecia fazer sentido na sua vida – e provavelmente a única coisa que lhe dava o mínimo conforto – eram as viagens de comboio que ela aproveitava para observar a sua antiga casa e as vidas que a rodeavam.

A casa ao lado do seu antigo lar pertencia a um jovem casal que acabou por suscitar a curiosidade da infeliz Rachel – talvez por parecerem tão feliz como ela sempre quis ser. Apesar de não saber quem eram ou o que faziam, inventou-lhes uma vida e nomes imaginários.

Um dia, o seu mundo frágil é abalado por completo quando Rachel testemunha a mulher do casal por quem acabou por se afeiçoar, na varanda onde costumava estar, com um homem…que não o marido. Sentindo-se traída e chocada, a protagonista desmorona e a sua vida adquire um caráter cada vez mais trágico. Para juntar à desgraça, uns dias depois desta imagem perturbadora, Megan desaparece. Mas quem é Megan? Rachel reconhece-a imediatamente numa notícia a anunciar o seu desaparecimento. Após presenciar o cenário mais improvável, Rachel percebe que a mulher que observava todos os dias, a partir do comboio, na sua vida de conto de fadas está desaparecida. O que lhe aconteceu?

A nossa personagem principal acaba por se encontrar numa investigação que mais parece uma teia de aranha, onde os suspeitos não são culpados e tudo menos o mais provável parece ser verdade.
É um livro com um ritmo alarmante contado pelas três personagens femininas: Rachel, a protagonista amargurada; Anna, a mulher com quem Tom traiu Rachel e com quem agora tem uma vida; e Megan, a desaparecida cuja história guarda muitos segredos. Somos bombardeados com novas informações a cada capítulo já que Rachel não se lembra do que fez e onde esteve na noite do desaparecimento e na sua mente algo terrível aconteceu.

Para quem gosta de ler um livro de uma ponta à outra, escavando cada vez mais fundo no mistério e no suspense, esta é a obra perfeita para ler sem parar. As aparências aqui enganam muito e só mesmo no final é que percebemos quem é quem quando todas as máscaras caem.

Lorena Moreira

Rating: 4 out of 4.

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