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Inacabado no momento da sua morte, a 5 de dezembro de 1791, a obra “Requiem de Ré menor”, de Wolfgang Amadeus Mozart, é agora uma das obras clássicas mais conhecidas e elogiadas de todos os tempos. Há um grande número de mitos em torno de “Requiem”, como Mozart recebeu a comissão de um mensageiro misterioso, ou o facto de Antonio Salieri ser esse mensageiro e o ajudar a concluir o trabalho, ou até mesmo, que Mozart acreditava estar a compor o “Requiem” para o seu próprio funeral.

A verdade é que o “Requiem” foi parcialmente escrito por Joseph von Eybler e principalmente por Franz Xaver Süssmayr, como Constanze Mozart lhes pediu para completar as pautas. Sabe-se que Mozart só compôs Kyrie, a sequência Dies irae até aos oito primeiros compassos de Lacrymosa e Offertorium.

Mais tarde, Eybler completou Dies irae e Domine Jesu Christe, como para Süssmayr, ele compôs Sanctus, Benedictus e Agnus Dei; completou Lacrymosa e adicionou Lux aeterna, com base em rascunhos de Mozart. No entanto, algumas das secções adicionadas podem ter seguido os fragmentos do manuscrito de Mozart.

Composto para orquestra, coro e quatro solistas, o “Requiem” é dividido em oito secções com catorze andamentos. A música parece recriar todos os sentimentos e sensações do Homem perante o seu fim iminente. A obra abre com Introitus, aqui o tom melancólico é notável, o andamento termina em meia cadência que transita directamente para o próximo, Kyrie, que é uma fuga dupla e apresenta um incrível trabalho para coro.

A sequência de Dies irae começa com um coro forte acompanhado de cornetas e cordas, no momento em que Homem é julgado por Deus; o próximo movimento, Tuba mirum, abre com um solo de trombone acompanhando o baixo e cresce numa melodia delicada. Confutatis é bem conhecido pelo seu acompanhamento de cordas; abre com figuras agitadas que acentuam o som irado dos baixos e tenores, mas transforma-se em arpejos suaves na segunda frase, acompanhando os sons suaves dos sopranos e altos.

Seguido por Lacrymosa, o movimento mais famoso deste trabalho, com uma sublime melodia de coro e cordas, esta magnífica peça é capaz de trazer lágrimas aos olhos. A segunda metade do “Requiem” começa com Offertorium, uma peça fantástica com alguns dos melhores momentos de coro. Sanctus e Agnus Dei, embora adicionados posteriormente à composição, também são muito bem escritos para orquestra e coro. Finalmente, esta obra termina com Lux aeterna, cuja segunda metade é uma reprise do segundo movimento Kyrie.

Em suma, o “Requiem” de Mozart é uma obra clássica no mundo clássico. Além disso, Mozart compôs mais da metade da composição, e dois compositores contratados ainda conseguem dar forma ao esqueleto inacabado. No entanto, o génio de Mozart ainda está presente; talvez tenha sido isso que guiou Eybler e Süssmayr. Dito isto, “Requiem em Ré menor” é a obra-prima do compositor austríaco, juntamente com todos os mitos e mistérios, sempre será um insolúvel quebra-cabeça.

João Filipe

⭐⭐⭐⭐

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