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Porque A Arte Somos Nós

Wolfgang Mozart começou a compor seriamente aos 12 anos e faleceu aos 35. Escrevia uma música, acima de tudo, que tocava o coração. Era um músico e compositor que teve um contacto sensitivo imediato com a música, ia ao piano e procurava os sons de que havia gostado, com apenas três anos. O seu pai, Leopold Mozart, desde cedo percebeu que o seu filho iria transformar o património da família. Com apenas cinco anos fez a sua primeira composição e com sete anos conseguia tocar melodias elaboradas com apenas um dedo ou com o teclado coberto por panos. Era um autêntico prodígio austríaco.

Itália na altura era o verdadeiro centro de música europeia. “Um milagre da música e uma das maravilhosas excepções da Natureza“: assim era caracterizado Mozart pelos críticos na altura, tinha este apenas 13 anos. Nesse sentido, o músico tinha facetas surpreendentes e inexplicáveis. Foi capaz de escrever cinco concertos para violino em nove meses, aos 19 anos. Por outro lado, Mozart e a sua prima Maria apaixonaram-se e iniciaram uma das mais joviais e obscenas trocas de correspondência da história da música. Algo que chocava os historiadores. Decerto, é impossível caracterizar Wolfgang com simplicidade, uma medida da sua genialidade, isto porque há tantos Mozarts diferentes. Há o homem racional, por vezes infantil, mas com uma sabedoria inata. Algo que é factual é que conseguimos sentir através da sua música que ele apreciava a vida. Tinha um instinto musical selvagem, inesperado, criativo.

Contudo, o seu pai era bastante controlador e dominador; ele queria ser a pessoa mais importante na vida de Mozart. Por isso, o músico teve conflitos com o seu pai por esse motivo. Era pragmático demais para entender o génio do seu filho. Infelizmente, ou não, houve uma ruptura irreparável na família e um distanciamento entre Mozart e o seu pai. Além disso, algo que o diferenciava completamente era que Mozart compunha para si mesmo. Foi, inclusive, um dos primeiros músicos a fazer isso.

Posteriormente, casou-se em 1782, numa altura em que as suas composições estavam cada vez mais profundas, pessoais e perturbadoras. Isto é, Mozart encontrou em Viena, no seu regresso após imensas digressões pela Europa, não uma simples liberdade, mas uma liberdade criativa, a liberdade para ser original. Ele compôs sentimentos: desde músicas que expressavam felicidade, até músicas trágicas, emocionantes. Os seus trabalhos eram para o Homem comum. Universalmente, os génios assumem os riscos, ouvem os espíritos e escrevem o que ouvem. Daí que Mozart nunca tivesse sido um conformista, de todo. Ele foi, sim, um dramaturgo musical. Revelou uma inédita subtileza psicológica: modelou personagens, deu-lhes traços humanos em vez de caricaturas ou estereótipos. Nesse sentido, é muitas vezes apelidado como o Shakespeare do drama cantado.

Algo paradigmático é o facto de ser capaz de fazer os seus instrumentos “chorarem”, através de tons bastante melancólicos. Uma exuberância na sua arte, uma sedução que, por outro lado, se identificava intensamente com uma espécie de intoxicação de si mesmo. Escrevia quase tudo instantaneamente, pois estava tudo muito claro na sua mente. São mais de 600 obras numa vida demasiado curta…

Era um homem apaixonado.

A sinfonia não tem introdução. Cada movimento é uma revolução. Somos todos violinos que explodem em paixão e melodia.” – defendia Mozart

Tiago Ferreira

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