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“Marvel’s Spider-Man: Miles Morales”, videojogo lançado em novembro de 2020 simultaneamente para a PlayStation 4 e PlayStation 5, dificilmente poderia ter escolhido um melhor timing para ser colocado à venda. Aproveitando muito do hype do predecessor “Marvel’s Spider-Man” (saído cerca de dois anos antes), a recente popularização da personagem de Miles Morales (com mérito sobretudo para o filme de animação “Spider-Man: Into the Spider-Verse”) e o início da venda da nova PlayStation 5, o lançamento deste videojogo revelou-se uma excelente aplicação da expressão “juntar o útil ao agradável” para os fãs do universo Spider-Man e da PlayStation.

Estruturado como um intermédio entre uma sequela direta e um spin-off (muito semelhante ao que a Naughty Dog fez com “Uncharted: The Lost Legacy“), “Miles Morales” estabelece-se temporalmente pouco tempo depois do final do primeiro jogo. Após cerca de um ano de treino sob a alçada de Peter Parker, Miles já aprendeu a controlar os seus poderes e a usar o seu estatuto de super-herói para ajudar Peter na luta contra o crime em Manhattan. Depois de uma excitante missão inicial, onde ambos os Spider-Man defrontam o vilão Rhino, o verdadeiro desafio para Miles chega quando Peter o informa que terá de se ausentar algumas semanas para a Europa, de forma a dar apoio como fotógrafo à jornalista Mary Jane.

“Miles Morales” inicia-se um ano após o final de “Spider-Man”

Aquilo que tinha tudo para ser um apenas um simples período de teste às capacidades de Miles complica-se quando este descobre a presença de um grupo criminoso na cidade, denominado The Underground, que tentam corromper o trabalho da Roxxon Energy Corporation, uma empresa sombria que pretende usar uma nova fonte de energia experimental (Nuform) em toda a cidade. Além do trabalho de combatente do crime, Miles tem que se esforçar por conjugar a sua vida pessoal, nomeadamente, a campanha da sua mãe Rio Morales para o conselho da cidade, a relação com a sua amiga de infância Phin e a tentativa de reconexão com o seu tio Aaron.

Dada a proximidade temporal entre “Miles Morales” e “Spider-Man”, não seriam de esperar grandes inovações de jogabilidade. A navegação com os lançadores de teias mantém-se próxima do jogo original, com excelentes pormenores como as diferentes animações que demonstram ainda alguma inexperiência de Miles.

O combate também não sofreu grandes alterações, embora tenha havido uma grande reformulação de poderes e dos gadgets que é possível usar. Enquanto que Pete já possuía de antemão um grande arsenal de úteis engenhocas que podiam ser usadas no combate, Miles apenas possui duas ou três destas ferramentas (algo que, embora dificulte o combate, está coerente com o seu estatuto de novato). Por outro lado, a principal revolução no combate está nos poderes relacionados com a bioeletricidade e a capacidade de ficar invisível, que Miles vai descobrindo com o passar do tempo. Embora estes ajustes divirjam um pouco a jogabilidade de combate de “Miles Morales”, esta mantém-se apelativa e satisfatória.

As principais inovações no combate estão relacionadas com os poderes de bioeletricidade de Miles

Quem jogou “Spider-Man” não vai ficar muito surpreendido com o mundo aberto de “Miles Morales”. Usando exatamente o mesmo mapa do predecessor, em “Miles Morales” o mapa apenas muda o cenário da cidade, adaptada à época natalícia. A estrutura de missões também se mantém semelhante, onde a qualquer momento o jogador pode jogar as missões principais do jogo, missões secundárias, procurar diferentes tipos de colecionáveis ou combater simples crimes que vão surgindo na cidade.

No capítulo gráfico, o jogo excede completamente quaisquer expectativas que possa haver. Falando sobretudo da versão para a PS5, “Miles Morales” aproveita esta melhoria de hardware para proporcionar novas características gráficas como ray tracing, high dynamic range (HDR) e tempos de carregamento quase inexistentes (que nem tempo dão para um rápido scroll nas redes sociais).

Em termos de resolução e frames por segundo (fps), o jogo deixa ao jogador uma das escolhas mais difíceis, no bom sentido. Na versão PS5, o jogador pode escolher entre um modo fidelidade (com 30 fps, com ray tracing e resolução 4K) e um modo performance (que corre a 60 fps, mas elimina o ray tracing e desce a resolução para 1080p). Numa das recentes atualizações, o jogo dá uma chance aos mais indecisos de usar um novo modo onde é possível usar os 60 fps e ray tracing, à custa de fatores como a qualidade de imagem ou a densidade de pedestres na rua.

No capítulo gráfico, “Miles Morales” é exímio e é do melhor que existe atualmente para consolas

Algo que é notório é alguma redução do tempo total que é necessário para completar o jogo. Enquanto que um jogador mais colecionador levará entre 30 a 40 horas para completar a totalidade de “Spider-Man”, em “Miles Morales” esse tempo será cerca de metade (potencialmente, até menos um pouco). Para quem se preocupa em fazer render o dinheiro gasto (e tendo em conta que os videojogos estão cada vez mais caros), poderá ser um argumento contra a compra do jogo. Para quem, por esta razão, estiver hesitante na compra do jogo, a edição Ultimate poderá ser uma escolha mais acertada, onde, por um preço ligeiramente superior, o jogo inclui também uma versão remasterizada de “Marvel’s Spider-Man”.

Ainda assim, sob o ponto de vista artístico, “Miles Morales” tem o mérito de conseguir eliminar tarefas repetitivas e limitar as atividades jogáveis para proporcionar uma história a um ritmo extremamente acelerado e direto ao assunto, sem deixar de se sentir como uma narrativa completa, com qualidade e plena de emoção.

Disponível em: PS4, PS5

Luís Ferreira

Rating: 3.5 out of 4.

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