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Uma abordagem comum em franquias de sucesso é a tentativa de expandir o universo, criando spin-offs que se foquem noutras personagens outrora secundárias, ou até em contar histórias isoladas (muitas vezes sob a forma de prequelas) que ajudem a perceber alguns acontecimentos já mencionados, olhados sob outro ponto de vista.

Na saga “God of War”, quando se considera a sua fase da mitologia grega, além dos três jogos já revistos e que são relativos à série principal, existem também outros três jogos que, de certa forma se podem considerar como aventuras isoladas, mas que servem um propósito maior de ajudar a desenvolver a personagem de Kratos, ao mesmo tempo que permitem experimentar outras vertentes narrativas ou de jogabilidade. Descrevem-se de seguida esses três jogos que se podem considerar “secundários”, mas que também são imperdíveis para os fãs da franquia.

“God of War: Chains of Olympus” (2008), desenvolvido pela Ready at Dawn e lançado pela Sony

O primeiro de dois spin-offs da série “God of War” que foram lançados inicialmente para a mítica PlayStation Portable. O desenvolvimento destes dois jogos ficou a cargo da Ready at Dawn, ao contrário da habitual Santa Monica Studios. O primeiro destes dois jogos, “Chains of Olympus” foi lançado entre “God of War II” e “God of War III“, contudo, a sua narrativa precede os eventos do primeiro “God of War“. Durante uma das suas missões para o deus Ares, Kratos recebe uma mensagem de Athena, dizendo que Helios (deus do Sol) se encontra desaparecido. Kratos, após partir numa jornada para recuperar a luz do Olimpo, percebe que Helios fora capturado pelo Titã Atlas.

“Chains of Olympus” consegue a proeza de, embora poder ser jogado de forma isolada do resto dos jogos, fornecer alguma backstory de Kratos, que ajuda a compreender a sua raiva contra Ares e os restantes deuses do Olimpo. Em particular, as visões que Kratos tem da sua filha Calliope permitem capturar a vertente mais humana desta personagem muito marcada pela raiva e pela vingança.

Em termos de jogabilidade, uma boa descrição do jogo é a de uma versão light dos jogos da série principal. A vertente gráfica apresenta-se muito inferior comparativamente aos seus antecessores, justificada em parte pelo foco do jogo nos ecrãs mais pequenos da PSP. A duração da campanha também é menor (cerca de cinco horas em vez de oito a 10 de “God of War”) e mesmo os puzzles são demasiado simplificados para que um fã de “God of War” consiga, fazendo uma retrospetiva, colocar “Chains of Olympus” ao nível dos jogos da série principal. Apesar disso, este é um dos jogos que mais marcou a PSP e um dos mais vendidos desta consola portátil da Sony.

Disponível em: PSP (original), PS3 (remaster), PS Now (remaster)

Rating: 2.5 out of 4.

Trailer


“God of War: Ghost of Sparta” (2010), desenvolvido pela Ready at Dawn e lançado pela Sony

O segundo dos jogos da saga desenvolvidos pela Ready at Dawn e lançados para a PSP. Lançado poucos meses após “God of War III”, “Ghost of Sparta” funciona também como uma aventura independente da restante história, mas com méritos na forma como desenvolve a personagem de Kratos. Cronologicamente, o jogo situa-se entre os acontecimentos de “God of War” e “God of War II”, enquanto Kratos se sentava no Monte Olimpo a servir como deus grego da guerra.

Na história, Kratos, atormentado por visões do seu passado e das suas ações a mando de Ares, procura desvendar as suas origens. Após encontrar a sua mãe, descobre que o seu irmão Deimos (que Kratos julgava morto) se encontra vivo e aprisionado nos domínios do deus da morte. Kratos parte então numa missão para reencontrar Deimos, aprisionado pelo deus Thanatos.

Com uma jogabilidade muito semelhante a “Chains of Olympus”, “Ghost of Sparta” apenas redefine alguns movimentos e armas. A vertente gráfica é semelhante à do seu jogo irmão, embora o remaster que ambos os jogos levaram permita usufruir destes jogos num ecrã de maiores dimensões. A busca de Kratos pelo irmão, acompanhada por vários flashbacks da sua infância, conseguem estabelecer um passado de Kratos que, embora não ponha em causa os acontecimentos da série principal, ajudam em certa medida a perceber as causas inerentes à sua sede de vingança contra o Olimpo.

Disponível em: PSP (original), PS3 (remaster), PS Now (remaster)

Rating: 3 out of 4.

Trailer


“God of War: Ascension” (2013), desenvolvido pela Santa Monica Studios e lançado pela Sony

O único destes três jogos que não sofreu downgrade gráfico, dado o seu lançamento para a PS3 em vez de para a PSP (como aconteceu com os dois anteriores spin-offs). Dos jogos da saga “God of War” respeitantes à mitologia grega é talvez aquele que mais se diferencia, tanto por fazer grandes reformulações no sistema de combate (que nunca tinha levado mais do que simples ajustes em jogos anteriores), mas sobretudo por ter sido o primeiro a incluir a vertente de multijogador, focada em jogos competitivos ou cooperativos, ambos online.

Embora “Ascension” tenha sido o último jogo da era grega a ser lançado, apresenta-se cronologicamente como o primeiro jogo, servindo como uma das prequelas da série principal. O jogo passa-se durante o período em que Kratos serviu como servo do deus Ares, numa altura em que o nosso protagonista decidiu renunciar ao juramento que o prendia ao deus grego da guerra. Essa quebra de votos levou ao aprisionamento de Kratos por parte das Furies, entidades responsáveis por punir quem quebrasse as suas promessas. Com a ajuda de Orkos, Kratos tem a missão de se libertar da prisão e de derrotar as Furies, quebrando a sua ligação para com Ares, que lhe causou marcas irreversíveis.

Como já foi mencionado, o sistema de combate sofreu grandes alterações, que também tiveram como objetivo servir a vertente multiplayer do jogo. Apenas uma arma principal pode ser usada (as tradicionais Lâminas do Caos), com possibilidade de especialização em diferentes disciplinas que trazem vantagens distintas. Embora o combate seja mais restrito em termos de armas, o grande número de movimentos e ataques compensam em parte estas limitações.

Narrativamente, o ritmo da história é algo deficitário, bem como a caracterização dos antagonistas (as várias Furies), que deixam a desejar quando comparadas com os vilões dos restantes jogos. No geral, é um jogo que prima por alguma ousadia, mas que mostrou que a saga “God of War” estava já com falta de ideias e a precisar de uma renovação.

Disponível em: PS3 (original), PS Now (original)

Rating: 2.5 out of 4.

Trailer

Luís Ferreira

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One thought on “Jogo: “God of War” – Os spin-offs

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