OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Somos de barro. Iguais aos mais.

Ó alegria de sabe-lo!

(Correi, felizes lágrimas,

por sobre o seu cabelo!)

Depois de mais aquela confissão,

impuros nos achamos;

nos descobrimos

frutos do mesmo chão.

Pecado, Amor? Pecado fôra apenas

não fazer do pecado

a força que nos ligue e nos obrigue

a lutar lado a lado.

O meu orgulho assim é que nos quer.

Há de ser sempre nosso o pão, ser nossa a água.

Mas vencidas os ganham, vencedores,

nossa vergonha e nossa mágoa.

O nosso Amor, que história sem beleza,

se não fôra ascensão e queda e teimosia,

conquista… (E novamente queda e novamente

luta, ascensão…) Ó meu amor, tão fria,

se nascêramos puros, nossa história!

Chora sobre o meu ombro. Confessamos.

E mais certos de nós, mais um do outro,

mais impuros, mais puros, nós ficamos.

Sebastião da Gama

Pintura de Henri Matisse, “Luxo, Calma e Volúpia” (1904)

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