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Porque A Arte Somos Nós

Sir Thomas Sean Connery nasceu na Escócia há pouco mais de 90 anos, mais precisamente no dia 25 de Agosto de 1930 e é amplamente conhecido do grande ecrã por ter interpretado o papel que lhe está associado até aos dias de hoje como agente secreto ao serviço de Sua Majestade: “Bond, James Bond“. O popular 007.

Dono de uma excelente compleição física desde novo, graças à prática de muito desporto, e a uma imagem de galã invejável, este escocês de fibra não teve vida fácil até atingir o estrelato na sétima arte. Após frequentar durante três anos o serviço militar na marinha de guerra, onde ingressou aos 16 anos, teve que recorrer a vários trabalhos para ganhar a vida tendo sido, entre outros, motorista, modelo artístico e até polidor de caixões!

No entanto, em finais de 1951 foi trabalhar como ajudante de bastidores no King’s Theatre em Edinburgh e a oportunidade surgiu quando soube que estavam abertas audições para o musical “South Pacific” em Londres, tendo conseguido um pequeno papel, evoluindo para uma maior visibilidade à medida que as representações se sucediam. Após conhecer Michael Caine, de quem se viria tornar amigo íntimo, Sir Connery dava um passo relevante na sua carreira ao desenvolver um grande interesse pela representação teatral, meio em que esteve inserido durante alguns anos não deixando no entanto de fazer alguns pequenos papéis em cinema.

Um jovem Sean Connery

É então em 1958 que Sir Connery tem o seu primeiro papel com alguma importância no filme realizado por Lewis Allen, “O Amor Que Roubei“, onde contracena com Lana Turner. Após este trabalho, seguem-se vários papéis em séries televisivas e mais um ou outro filme, até que a sorte grande viria a bater-lhe à porta. Em 1962, Dana Broccoli convence o marido, o produtor Albert Broccoli (este duvidava…) de que Connery é o homem certo para o papel e é proposto ao ator uma série de cinco filmes na pele de James Bond: “Dr.No” (1962), “007 – Ordem para Matar” (1963), “007 – Contra Goldfinger” (1964), “007 – Operação Relâmpago” (1965) e “007 – Só Se Vive Duas Vezes” (1967).

Mais tarde viriam a ser acrescentados dois filmes extra, são eles “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971) e “Nunca Mais Digas Nunca” (1983). De referir, a titulo de curiosidade, que o próprio criador de James Bond, Ian Fleming, não acreditava em Sir Connery para o papel, pois não correspondia à imagem que fazia de Bond, no entanto, mudou radicalmente de opinião após a ante estreia de “Dr. No”, tendo inclusive adaptado algumas histórias à imagem do ator.

Quanto à popularidade que atingiu como James Bond, penso não ser necessário acrescentar muito mais. O próprio Sir Connery lidou mal com a questão, pois a cada local publico onde se dirigia, identificavam-no como o “James Bond”… ao ponto de ele próprio desejar a morte do personagem! Mas, como o titulo do artigo diz, Sir Connery vai muito para além do popular 007.

Connery no papel do agente secreto James Bond

Fazendo uma breve abordagem a outros trabalhos em que deu o seu contributo (tem creditados mais de 90 trabalhos como ator) podemos começar por referenciar “Marnie” (1964), filmado em plena fase 007, em que foi dirigido pelo Mestre Alfred Hitchcock e contracenou com Tippi Hedren. No ano seguinte é dirigido por outra referência na realização, Sidney Lumet, em “A Colina Maldita“, repetindo a colaboração em 1973 com “The Offence“. Como não há duas sem três, no ano seguinte volta a trabalhar com Lumet em “Um Crime no Expresso do Oriente“, e contracena com a nata da nata do cinema, Albert Finney, Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Jacqueline Bisset, Jean-Pierre Cassel, entre outros. Ao alcance de poucos!

Em 1975 contracena com o seu grande amigo Michael Caine em “O Homem Que Queria Ser Rei“, dirigido por John Huston e em 1977 volta a repetir a camaradagem em “Uma Ponte Longe Demais“, dirigidos por outro grande nome do cinema, Richard Attenborough. Mais tarde, em 1986, e após alguns filmes, inicia um período profícuo da sua carreira com o primeiro filme de “Highlander“, em que contracena com Christopher Lambert, rodando de seguida um dos filmes mais icónicos da sua carreira, “Der Name der Rose” (O nome da Rosa).

Nesta obra, Connery revela na plenitude as suas enormes capacidades contracenando com o “pequenote” Christian Slater (tinha 16 anos na altura). Adaptação fantástica da obra de Umberto Eco dirigida por Jean-Jacques Annaud. Em 1987, roda a película que lhe viria a dar o Óscar de Melhor Ator Secundário, “Os Intocáveis“. Obra dirigida por Brian De Palma que contou para além de Sir Connery, com Kevin Costner e o grande Robert De Niro. É ainda hoje uma película de referência dos “mafiofilmes”, já para não falar no desempenho do fantástico lote de atores que o integrou.

Em 1989 assume o papel de pai de Indiana Jones em “Indiana Jones e a Última Cruzada” e em 1990 filma “Caça ao Outubro Vermelho” contracenando com Alec Baldwin. Em 1991 integra novamente o elenco de “Highlander II” e em 1995 filma “Causa Justa“. Já em fase decrescente da sua carreira, contracena com Catherine Zeta-Jones em “A Armadilha” e tem creditado como último filme em que fez parte do elenco, “Liga de Cavalheiros Extraordinários“, em 2003.

Connery e Slater no filme “O Nome da Rosa” (1986)

Talhado para um tipo de papel muito próprio, Sir Connery sempre teve desempenhos acima da média, dando um toque muito pessoal à pronuncia inglesa e à imagem de homem maduro que sabe muito bem o que quer. Um perfeito gentleman quando necessário, duro e ríspido quando a situação o exige. Sentia-se perfeitamente à vontade em papéis de liderança e em que era necessário fazer valer o físico. A experiência do teatro valeu-lhe uma capacidade nata para a representação, sendo claramente uma referência dos atores britânicos, e não só.

Para além de fazer parte do nosso imaginário cinematográfico, Sir Sean Connery ficará imortalizado muito para além do seu papel como James Bond, pois atores como este são provenientes de colheitas muito raras. Mais do que tratá-lo (muito) bem enquanto estiver entre nós, temos o dever, e obrigação, de preservar o seu legado por uma razão muito simples: é único.

Bons filmes.

Jorge Gameiro

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