OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Este é o terceiro trabalho da banda de Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor, e John Deacon. Após estarem juntos nesta formação há três anos, a banda decidiu dar continuidade à sua sonoridade particular, com muitas pistas de backing vocals, mas com a particularidade da componente instrumental ser mais crua. A obra chega após uma digressão com os Mott The Hoople, que só durou metade do tempo devido ao adoecimento do guitarrista dos Queen, Brian May.

O álbum abre com Brighton Rock, uma ode ao skill de guitarra de Brian May. A música obriga-nos a carregar no acelarador com o falsete de Mercury acompanhado de uma parede musical. Esta evolui para um solo de guitarra que ocupa metade da faixa – este é uma composição inspirada na música Blag dos Smile, a antiga banda de Taylor e May, para além da improvisação feita ao vivo no tema Son And Daughter, do primeiro álbum (“Queen”, 1973).

A seguir chega-nos o famoso Killer Queen, um dos singles do álbum. Este foi o primeiro grande êxito do grupo (tiramos Seven Seas Of Rhye da corrida). Escrita por Freddie numa só noite, a letra fala-nos de uma prostituta glamorosa e espelha o que seria a relação de Mercury com a música, com muito estilo e com tudo do melhor. Esta composição permitiu atuar no Top Of The Pops, em 1974, tornando-se uma das aparições mais mediáticas em televisão da banda.

Continuando a audição, segue-se Tenement Funster, uma canção composta e cantada por Roger Taylor sobre rebeldia, que demonstra um grupo decidido a mostrar o seu lado mais heavy. Segue-se, numa espécie de medleyFlick Of The Wrist. O destaque vai para a parte vocal de Mercury, que canta de forma vigorosa uma história de sedução e violência entre uma homem e uma mulher, com muitas backing vocals à mistura. O final deste medley parcial dá-se com Lily Of The Valley, escrita por Mercury, e é uma peça simples com o cantor acompanhado pelo piano a entrar no mundo de Neptuno.

Freddie Mercury ao vivo em 1974

A primeira parte do álbum termina com Now I’m Here, uma composição de May que iria acompanhar a setlist dos Queen até ao último concerto, em 1986. É o segundo single da banda e com o passar dos anos foi sempre crescendo em tamanho e improvisação nos espetáculos ao vivo. Um dos pontos altos do álbum.

A segunda parte da obra inicia-se de forma estridente com os agudos (registo normal!) de Roger Taylor e com vários overdubs por parte deste último e de Freddie. In The Lap Of The Gods, tal como o título indica, consegue levar-nos para o meio dos deuses em todos os seus arranjos, mas temos de ter noção que independentemente disso, a música seguinte merece um maior destaque. Stone Cold Crazy revela a faceta mais punk dos Queen em praticamente toda a sua carreira. Uma das primeiras músicas escritas pelos quatro membros da banda, sofreu várias modificações até à sua gravação em 1974. A canção ganhou ainda mais importância graças à cover feita pelos Metallica, quer em estúdio, quer em concertos.

“Live At Rainbow ’74” – John Deacon no baixo e Roger Taylor na bateria

Seguem-se Dear Friends e Misfire, duas faixas com menos de dois minutos, sendo que a segunda é a primeira composição original do baixista John Deacon a constar num trabalho da banda. Agradáveis, oferecem um tom mais inocente do grupo pela sua simplicidade. Bring Back That Leroy Brown: os dois minutos mais divertidos do álbum. Um trabalho peculiar, com uma dupla linha de baixo, um piano que nos faz lembrar bailes em saloons às tantas da noite, e a cereja no topo do bolo: um ukelele. Este último era utilizado nas actuações ao vivo da música.

Segue-se She Makes Me (Stormtrooper In Stilettos), que não sendo um ponto alto da obra, contém arranjos interessantes para as guitarras acústicas tocadas por Brian May e John Deacon.

Para finalizar o álbum, In The Lap Of The Gods… Revisited, que em nada está relacionada com a faixa sete do mesmo nome. Esta foi composta pelo vocalista nascido em Zanzibar, e é das músicas mais honestas de todo “Sheer Heart Attack”, com uma entrega vocal doce e com um refrão que levou milhares de gargantas a berrar nos concertos. Esta foi tocada nas digressões dos Queen até 1977, tendo só voltado à setlist na última digressão da banda, a Magic Tour, em 1986 – exemplo disso é o famoso “Live At Wembley”.

But I’m no fool,

It’s in the lap of the Gods


Freddie Mercury

A riqueza de melodias e estilos musicais presentes nesta fase inicial da carreira dos Queen, faz deste um trabalho importantíssimo para o que seria o futuro da banda. Obrigatório para quem queira perceber as bases e os conhecimentos técnicos em estúdio destes quatro músicos.

Rating: 3.5 out of 4.

One thought on ““Sheer Heart Attack”, Queen: A passagem para a outra margem

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from OBarrete

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading