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Em 2008, “Homem de Ferro” introduziu o Universo Cinematográfico da Marvel com a promessa de renovar a experiência do que era um blockbuster de super-heróis. Kevin Feige, o presidente dos estúdios da Marvel, tinha um plano bem definido: construir uma década de antecipação que ia ser gerada filme a filme. “Vingadores: Endgame” é o ponto final de uma jornada cósmica de 22 filmes que constitui a primeira era dos Vingadores. É o culminar de um legado que, com os seus altos e baixos, transmite a sensação de dever cumprido.

O filme inicialmente foi anunciado como “Avengers: Guerra do Infinito – Part 2”. Este foi o filme mais rápido da história a chegar a um bilião de dólares de lucro, alcançando esta marca em apenas cinco dias, para além de ser também o “mais rápido” a atingir os dois biliões dólares em apenas 11 dias. Após treze semanas em exibição, “Endgame” tornou-se no filme com a maior bilheteira de todos os tempos, recorde anteriormente estabelecido pelo filme de James Cameron, “Avatar“, de 2009.

Estava na cara que “Vingadores: Guerra do Infinito” (2018) não teve um fim em si mesmo, o que em última instância diminuiu o impacto do infame estalar de dedos do super-vilão Thanos (Josh Brolin), que dizimou metade dos seres vivos do universo. “Endgame” tem lugar 22 dias depois do evento mortífero, onde encontramos os Vingadores sobreviventes completamente desolados e vazios por dentro.

“Iron Man”

A esperança chega na forma de Scott Lang, o Homem-Formiga (Paul Rudd), que durante o estalar de dedos estava no reino quântico, na sua versão mais minúscula. “O tempo no reino quântico funciona de forma diferente“, diz Scott aos Vingadores, enquanto discutem a ideia de, quiçá, viajar no tempo. “Uma máquina do tempo“, troçam os heróis… Bem, como refere Natasha (Scarlett Johansson): “Eu recebo e-mails de um guaxinim, nada é impossível nos dias que correm.

Créditos para os realizadores Anthony e Joe Russo, que não só conseguem manter o filme organizado, como coerente. São três horas que inicialmente recordam o tom sério de “Logan” (2017), mas que lentamente desenvolvem para uma exploração de diferentes linhas temporais ao estilo de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” (2004), com doses de nostalgia à mistura. Eventualmente, traços de “O Senhor dos Anéis – O Regresso do Rei” (2003) garantem todos os calafrios que um desfecho desta dimensão ambicionava.

A este ponto, os atores já desempenham as suas personagens com uma suavidade tal, que habitam o ecrã como se de uma segunda vida se tratasse. Isto garante que, por exemplo, quando Tony Stark (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth) e o Capitão América (Chris Evans) partilham cenas com personagens relevantes para eles, existe um sentimento de compreensão. Algo que deriva do conhecimento da audiência de quem eles são, o que querem e a evolução dos seus arcos ao longo dos filmes.

As heroínas de “Avengers: Endgame”

No entanto, o filme falha em balançar os aspetos cómicos com os aspetos dramáticos. Desde “Guardiões da Galáxia” (2014) que o humor tem sido uma constante na saga, e não se enganem, há momentos verdadeiramente hilariantes em “Endgame”, onde Thor está em grande destaque, mas há uma outra fatia que soa forçada. Além do mais, perde também mérito ao não envolver na sua extensa teia emotiva, diluindo algum entusiasmo do seu carácter épico e pessoal.

Num filme com tanto filme, algumas cenas acabam por estar a mais, na tentativa de agradar a todos os espectros. Mas quem pode desafiar os argumentistas Christopher MarkusStephen McFeely? Que com o auxílio de uma equipa numerosa de técnicos, artistas e performers de várias frentes, oferecem um projeto de efeitos visuais massivo, que além de entreter estabelece “Endgame” como um marco no subgénero dos super-heróis.

Bernardo Freire

Rating: 3 out of 4.

IMDB

Rotten Tomatoes

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