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Porque A Arte Somos Nós

Comemora-se em Outubro deste ano os 40 anos do lançamento do terceiro trabalho dos Dire Staits, “Making Movies”, e pode-se dizer que constituiu um marco na história da banda de Mark Knopfler, por várias razões!

Por esta altura, os Dire Straits já tinham editado em 1978 o seu primeiro álbum de titulo homónimo, “Dire Straits”, e no ano seguinte “Communiqué”, tendo a formação base sido liderada por Mark Knopfler na guitarra e na voz, John Illsley no baixo, Pick Withers na bateria e o irmão de Mark, David Knopfler, na guitarra ritmo, em ambos os álbuns. Já neste trabalho algumas coisas iriam mudar…

A principal mudança foi na sonoridade da banda. Até aqui, os Dire Straits primaram por composições “cruas” de que são um bom exemplo Sultans of Swing, Setting Me Up ou Lady Writer, onde sobressaia o génio de Mark com a sua guitarra e uma composição melódica simples, mas empolgante, não deixando o ouvinte indiferente (recordo que praticamente todas as letras e melodias são de autoria de Mark. K.).

Já neste álbum, o “cérebro” da banda evoluiu para um tipo de composição mais trabalhada, onde decide incluir teclados mas não deixando os seus solos em mão alheia. Graças a uma boa relação de Mark com Jimmy Iovine, que por esta altura já tinha produzido trabalhos de Bruce Spingsteen, e que viria a dividir a produção deste álbum com Mark, a banda desloca-se para Nova Iorque para gravar na Power Station. Não é também alheio a esta ligação com Iovine o facto de Roy Bittan, teclista da E Street Band, participar na gravação de “Making Movies”, visto esta última ser a banda de apoio de Springsteen.

Poderá parecer para muitos que se trata apenas de um pormenor, no entanto, para quem respira Dire Straits, esta é uma mudança bastante grande. A primeira consequência reflete-se no tamanho dos temas. Tunnel of Love dura um pouco mais de oito minutos, adicionando Romeo and Juliet e Skateaway com mais de seis minutos cada. A construção melódica é agora mais suavizada e estendida, dando até um pouco a noção de construção sinfónica, principalmente no primeiro destes temas.

Já o lado B traz-nos temas mais aproximados ao ADN da banda com Expresso Love e Solid Rock, não deixando Mark de incluir uma bonita melodia intitulada Hand in Hand, complementada com um tema simpático, Les Boys. Digamos que nos dois primeiros álbuns estamos de calças de ganga e sapatilhas e neste passamos a estar com calça de sarja e sapato de vela!

A banda ao vivo em 1980, já com Hal Lindes na guitarra rítmica (direita)

Para além disto, David Knopfler decide abandonar a banda durante as gravações em solo americano e, embora já todo o trabalho deste estivesse gravado em tape, Mark decide regravar todo o trabalho do irmão. David ainda aparece em alguns vídeos deste álbum, no entanto essas gravações já existiam à data em que abandonou o projeto, não tendo sido sequer creditado no álbum.

Nunca se percebeu muito bem as motivações de David, mas algumas versões sugerem que este já estava um pouco farto das obrigações de gravação e consequentes tournées de promoção. Mais tarde viria a ser substituído por Hal Lindes.

Não quero com isto dizer que a banda evoluiu para pior, de forma alguma, apenas optou por direccionar a sua sonoridade para formatos que, na cabeça de Mark Knopfler, eram melhores para a banda. E isto vem a comprovar-se no trabalho que surgiria a seguir, “Love Over Gold”, onde passam a surgir sintetizadores… sinal dos tempos. A enorme capacidade criativa de Mark Knopfler é inquestionável e tudo tem um processo de crescimento, e este trabalho é isso mesmo, um crescimento dos Dire Straits enquanto banda de referência.

Os temas que nele estão contidos funcionam como um todo, não havendo, na minha opinião, um destaque evidente apesar de os clássicos Tunnel of Love e Romeo and Juliet serem os mais conhecidos do público em geral. Escusado será dizer que a guitarra de Mark Knopfler está, mais uma vez, imaculada, dando vontade de ouvir, ouvir, ouvir… sem parar! Trinta e sete minutos e trinta e nove segundos de boa música.

Bons sons.

Jorge Gameiro

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