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Porque A Arte Somos Nós

Quando ouvimos falar em westerns salta logo à imagem Clint Eastwood ou John Wayne, contudo o seu género é muito mais que estas duas referências. Podemos mesmo afirmar que é uma vertente cinematográfica muito importante na história do cinema, onde se notabilizam realizadores como John Ford, Sergio Leone, ou Sam Peckinpah. Contudo, o western ainda se mantém bem vivo, e com qualidade. A lista que se segue foi elaborada pelo site Taste Of Cinema, uma plataforma especialista na criação de listas envolta do cinema. A relevância desta selecção vem reafirmar um estilo muito próprio e que nunca perdeu o seu espaço no mundo da sétima arte.

20.º “Hostis” (“Hostiles”), Scott Cooper (2017)

Um filme vítima dos seus tempos. Se a narrativa não for imediatamente problemática, ou não tenha uma mão cheia de acção logo no início, não é certamente a melhor história que poderia ser contada na presente época. Apesar de um elenco com Christian Bale ou Rosamund Pike, o filme foi um fracasso de bilheteira. A história da obra consiste num capitão do exército que concorda em proteger um chief Cheyenne, um líder de uma tribo indígena melhor dizendo, e a sua família numa viagem por território hostil. É um filme que merece ser visto fora do seu contexto político.

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19.º “The Ballad of Lefty Brown”, Jared Moshe (2017)

Apesar de não ser o grande destaque, merece a atenção de quem aprecia westerns. Para além da excelente prestação de Bill Pullman, o filme é uma espécie de ode ao passado do faroeste. Este é como que um bolo com todos os ingredientes dos westerns clássicos, deixando a marca de Jared Moshe um pouco de lado. Uma obra interessante para quem gosta de realizadores como Clint Eastwood.

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18.º “O Atalho” (“Meek’s Cutoff”), Kelly Reichardt (2010)

Este é um western mais contemplativo, que tem como objectivo ir ao encontro das raízes desta vertente cinematográfica, substituindo a sua emocionante e fervilhante acção pelo campo mais filosófico e pesado. “O Atalho” mostra um faroeste mais a nú, à imagem da série Deadwood (2004-2006), sendo o espectador confrontado com a fome, as doenças e a carência de proficiência médica após tiroteios e confrontos. Esta abordagem é um ponto a favor para os cinéfilos mais reticentes.

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17.º “Buffalo Boys”, Mike Wiluan (2018)

Um western corajoso e violento que nos faz recuar até a uma das suas grandes referências, Sam Peckinpah. “Buffalo Boys” é o filme indicado para aqueles que procuram a narrativa clássica de um filme de cowboys, sendo esta uma obra emotiva e directa. A longa-metragem é divertida e chega mesmo a combinar artes marciais e tiroteios, não sucumbindo a uma espécie de homenagem ao estilo, mas criando uma voz própria.

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16.º “Logan”, James Mangold (2017)

Um super-herói da Marvel no velho faroeste? Sim. Este é um filme maduro comparativamente à maioria dos seus compatriotas com super-poderes. Não sendo no clássico ambiente urbano, “Logan” pretende ser um filme mais fundamentado, com o seu personagem principal a ‘sujar as mãos’ e a trabalhar de sol a sol, criando assim uma ligação mais humana entre este e o seu público.

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15.º “Deadwood: The Movie”, Daniel Minahan (2019)

Depois do sucesso da série, “Deadwood: The Movie” veio confirmar o porquê deste ter sido uma aposta ganha no grande ecrã. Este fornece toda a coragem e tristeza pelas quais a série ficou conhecida. Para além disso, e como mencionado no texto de “O Atalho”, a representação dos problemas comuns do velho faroeste é como que uma carta de recomendação para uma realidade difícil de retratar de forma credível. A obra foi bem recebida pelos fãs da série apesar do risco que é acrescentar algo a um ciclo já fechado há mais de 10 anos.

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14.º “Sweet Country”, Warwick Thornton (2017)

Uma obra socialmente consciente e impactante, “Sweet Country” opta por uma estratégia centrada em comentários políticos, não dando tanta relevância aos clássicos tiroteios. O filme é intransigente e capta uma emoção muito crua, características da cinematografia australiana. A sua bela realização contrasta com a natureza pessimista vivida pelos personagens, levando o espectador a um turbilhão de emoções.

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13.º “Os Irmãos Sisters” (“Les frères Sisters”), Jacques Audiard (2018)

A visão de Jacques Audiard não só para um cinema americano mais ‘corrente’, mas também para o western, valeram ao realizador inúmeros elogios pelo trabalho em “Les frères Sisters”, principalmente pela prestação dos seu actores principais – John C. Reilly e Joaquin Phoenix. O filme passa por momentos de comédia, drama e contemplação, sem nunca perder o interesse por parte do público. Audiard usa linguagens de westerns do passado de forma a criar personagens capazes de transmitir uma mensagem moral aprimorada por esses estilos.

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12.º “A Balada de Buster Scruggs” (“The Ballad of Buster Scruggs”), Ethan Coen, Joel Coen (2018)

O primeiro projecto dos irmãos Coen com a Netflix, “The Ballad of Buster Scruggs” é o segundo western da década – “Indomável”, de 2010, foi a primeira aventura pelo faroeste e juntou Jeff Bridges e Matt Damon. A “Balada” é composta por vários contos paralelos. Este conceito de filme permite aos cineastas explorarem mais os seus dotes de escrita, havendo assim mais liberdade de criação. Essa libertação resultou em diferentes momentos de acção, drama, comédia e sátira. Em suma, é uma obra única que com certeza irá interessar aos seguidores do trabalho dos irmãos Coen.

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11.º “O Estranho Que Nós Amamos” (“The Beguiled”), Sofia Coppola (2017)

À primeira vista, qualificar esta obra como sendo um western pode parecer enganador, mas a verdade é que se desmistificarmos as estratégias cinematográficas aqui utilizadas, percebemos que “O Estranho Que Nós Amamos” possuí uma linguagem western. Os temas abordados, o desenvolvimento das personagens e a progressão narrativa, mostram a influência de John Ford e Sergio Leone na realizadora Sofia Coppola. O silêncio é uma das armas utilizadas na criação das emoções – uma técnica muito utilizada por Leone que a filha de Francis Ford Coppola ‘rouba’ com o intuito de estabelecer uma certa tensão ao espectador e aos personagens.

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10.º “Terra Violenta” (“In a Valley of Violence”), Ti West (2016)

O realizador norte-americano é conhecido pelos seus filmes de terror, contudo isso não foi um obstáculo à sua investida num western. O filme provou ser inteligente e tenso, combinado da melhor forma os elementos essenciais para uma longa-metragem deste género. Com humor e intensas sequências de acção, a obra destaca-se dentro dos westerns da era moderna. O talento de Ti West permite ao cineasta criar mistérios e narrativas que prendem o espectador ao grande ecrã do início ao fim.

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9.º “Rango”, Gore Verbinski (2011)

Um filme único e muito particular, “Rango” é uma animação da Pixar que combina a genialidade do digital e das paisagens áridas dos westerns. Com o personagem principal a ser interpretado por Johnny Depp, este é um filme que costuma ser esquecido no imenso reportório da Disney/Pixar de forma algo injusta. “Rango” é um excelente filme tanto para crianças como para adultos.

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8.º “Indomável” (“True Grit”), Ethan Coen, Joel Coen (2010)

Um filme já mencionado nesta lista, “Indomável” é um remake do clássico com John Wayne no papel principal – realizado por Henry Hathaway (1969). Os irmãos Coen fazem questão de deixar a sua marca, acrescentando novos personagens e que mantêm os seus espectadores mais interessados na história. O verdadeiro conflito dá-se entre o respeitoso Jeff Bridges (Rooster Cogburn) e a jovem Hailee Steinfeld (Mattie Ross), dois personagens que falam mais alto que qualquer tiroteio.

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7.º “Hell or High Water – Custe o Que Custar!” (“Hell or High Water”), David Mackenzie (2016)

De novo Jeff Bridges no elenco, o que nos leva a concluir que o actor norte-americano se sente bem em participar em filmes westerns. Realizado por David Mackenzie, “Hell or High Water” é um thriller invulgarmente inteligente. Aqui somos confrontados com as tradições do velho faroeste e com uma espécie de novas tradições, mais assentes nas batalhas morais. A obra homenageia os clássicos sem perder a sua originalidade ou qualidade.

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6.º “The Revenant: O Renascido” (“The Revenant”), Alejandro G. Iñárritu (2015)

Um western diferente do habitual, valeu a Leonardo DiCaprio o primeiro Óscar da carreira, em 2016. As paisagens áridas, sujas e secas são substituídas por exuberantes e belas paisagens de inverno. Mesmo com estas diferenças todas, “The Revenant” apresenta personagens ásperos, com uma vida difícil, e as suas atmosferas são sombrias, satisfazendo assim os fãs de westerns.

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5.º “A Caminho do Oeste” (“Slow West”), John Maclean (2015)

“Slow West” rejuvenesce o western clássico, actualizando de certa forma alguns aspectos do passado. Personagens misteriosos, um senso generalizado de perigo e total desrespeito pelas leis e regras, a narrativa nunca deixa de ser fascinante. A paisagem sombria representa a falta de esperança na aventura em questão, criando uma atmosfera mais envolvente com o filme. Este faz lembrar obras interpretadas por John Wayne ou Clint Eastwood.

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4.º “Django Libertado” (“Django Unchained”), Quentin Tarantino (2012)

O gosto e admiração de Quentin Tarantino por spaghetti westerns é algo bastante conhecido, sendo que para aqueles que conhecem bem o seu trabalho essas influências são bastante claras. “Django Unchained” não se passa no faroeste, contudo este tem uma identidade bastante peculiar e muito colada ao clássico spaghetti western. O facto do filme ser uma produção de Tarantino garante certas características, tais como muito calão, diálogos intensos, cenas memoráveis, e… muito sangue.

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3.º “Wind River”, Taylor Sheridan (2017)

Abandonando os tiroteios e partindo para uma violência mais credível e realista, a realidade de “Wind River” é apenas para aqueles que procuram uma experiência contundente e emocionalmente desgastante. Com isto, quem procurar especificamente este filme, com certeza terá uma excelente experiência. A longa-metragem é politicamente inteligente e importante para a contemporaneidade dos westerns. Vingança, justiça e tragédia são os principais temas de “Wind River”, que mesmo sendo algo perturbador, vale a pena ver.

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2.º “Os Oito Odiados” (“The Hateful Eight”), Quentin Tarantino (2015)

E mais uma vez, Quentin Tarantino. A base da narrativa consiste em saber quem fez o quê, mantendo o mistério até praticamente ao final. Um thriller que incorpora os diferentes estilos tradicionais de um western. A verdade é que as críticas não foram muito positivas, contudo as suas características diferenciadoras levam a que seja um dos melhores filmes da década. Este é divertido, tem um elenco de luxo, com nomes como Samuel L. Jackson ou Kurt Russell, e ainda um par de cenas das mais marcantes em toda a carreira de Tarantino.

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1.º “A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas” (“Bone Tomahawk”), S. Craig Zahler (2015)

A estreia na realização por parte de S. Craig Zahler não podia ter corrido melhor, pois o próprio público aplaudiu de pé esta sua primeira investida com “Bone Tomahawk”. Violência e imagens chocantes enchem uma planície seca, reflectindo assim o desespero e a falta de esperança. O filme cumpre todos os requesitos de um grande western. Desde o diálogo à caracterização, transportando o espectador para a realidade da tela. Apesar de nomes como Kurt Russell e Patrick Wilson, a obra passou bastante despercebida pelo público em geral, não impedindo à mesma de ser considerada uma, ou mesmo a melhor, da última década na categoria western.

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