OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

De trás de uma pequena rosa

Surgiu uma mariposa,

Timidamente observando ao seu redor

Com toda a cautela,

Ao mínimo odor,

O perigo naquela viela.

Contudo, certo dia,

Surgiu uma linda donzela,

Com um sorriso de ternura,

E uma flor na lapela.

Voa, mariposa, voa

Que a noite está para vir,

E de planta em planta

O sol há de sumir.

Quando nada fazia prever

A donzela soluçava,

E a mariposa sem se deter

Apenas observava.

Mas eis que numa noite fria

Com o som de uma cotovia

A donzela sussurrou,

Com um semblante aliviado,

“É hoje mariposa”

Que vou ver o meu amado

Ele vem a caminho no seu cavalo alado.

E a mariposa, voou,

Sem medo no olhar

Tentando procurar no meio das aldeias,

Entre as pessoas bonitas e feias,

Quem de entre tal rodopio

Podia em tal moça provocar

Semelhante desvario.

Mas eis que a meio da sua missão

Encontrou um candidato,

Aproximou-se com cautela

No entanto, quando se preparava para aterrar

Apareceu um gato que fez dela seu jantar.

A donzela esperou pelo seu amado,

O homem aproximou-se de sorriso desafiador,

Olhando para a donzela em todo o seu esplendor,

Onde antes existia felicidade

Depressa apareceu dor.

E eis que a donzela entendeu

O que havia sucedido,

E como mal compreendido,

O homem se retirou para um abrigo.

Sem tirar nem pôr,

Tudo parece adiantar

Que afinal, a donzela,

Não era assim tão bela.

Como se quis fazer notar

Era apenas uma bela libélula,

Com o fogo no olhar.

E o seu príncipe encantado,

Pelo gato malvado, sido feito jantar.

Pedro Maia

Pintura de Claude Monet, “Campo de Papoulas” (1875)

One thought on “Poema: “Mariposa”

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