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Porque A Arte Somos Nós

Assistimos nos dias de hoje ao regresso aos palcos de bandas “velhinhas”, que já dávamos como arrumadas para estas lides de entreter a malta com umas valentes guitarradas e recurso a pirotecnia mais ou menos vistosa! Este fenómeno é de interessante observação, pois encerra em si o reflexo dos dias que vivemos atualmente.

Na áurea década de 1960, ou não fosse a década em que nasci, o mundo viveu um dos mais interessantes períodos da música com o surgimento da “Beatlemania”, levando à loucura a juventude da época numa escala nunca antes vista. Foi possível, nessa altura, perceber que a música significava rebeldia, libertação, e viver sem regras impostas por políticos obtusos. Era a massificação do rock, nascido na década anterior da cultura Rock & Roll e Rockabilly americana. Não se pense, no entanto, que tudo se resumia aos quatro de Liverpool, que atingiram sem sombra de dúvida o lugar maior na história da música. Elvis Presley é outro ícone incontornável, ficando para sempre apelidado de “Rei do Rock”.

Bandas maiores como os Pink Floyd, Led Zepellin, Rolling Stones, The Doors, The Who, Genesis e tantas, tantas outras, surgiram também nesta gloriosa década, sendo que muitas delas sofreram influências diversas ou deram origem a novas abordagens do rock tal como o conhecemos nos dias de hoje.

Este período não poderia terminar sem esse marco histórico que foi o Woodstock, realizado em 1969 na cidade de Bethel, no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. Por esses dias viveu-se a loucura (que por vezes roçou a insanidade…) da libertação ao som de Santana, Joan Baez, Tim Hardin, Grateful Dead, Janis Joplin, Joe Cocker, Jefferson Airplane, Jimi Hendrix, “Crosby, Stills, Nash & Young” e muitos outros. Nem o perigo da electrocussão generalizada, devido à grande quantidade de precipitação que se abateu no recinto, quebrou o esoterismo do momento!

Já na década de 1970 surgiram novos movimentos associados à força do rock. Com maior destaque estiveram, já mais próximo dos anos 80, o Heavy Metal, o Hard Rock, e o Punk Rock. Todos eles tiveram seguidores mais ou menos abnegados, sendo que algumas bandas conseguiram marcar o seu lugar na história, Black Sabbath e Deep Purple (formados ainda na década anterior), Iron Maiden, Motorhead, Kiss, Judas Priest , Dire Straits, The Clash, Aerosmith e outros, são ainda hoje referências nos seus géneros.

Foi também nesta década que surgiram os Queen, banda eternamente associada ao mago Freddie Mercury, ou aos rapazes vindos da Oceânia com o seu som cru e peculiar, os AC/DC. Não podemos esquecer também uma das últimas grandes bandas que subsistem até aos dias de hoje, os U2. Com Bono Vox na liderança, o quarteto de Dublin iniciou um caminho consistente na sua existência como banda de referência, e, embora que por vezes de forma errática, mantêm ainda hoje um som facilmente associável à linha que os caracteriza desde a sua formação, principalmente por culpa de” The Edge”!

A partir da década de 1980 as referências começam a dissipar-se. Surgem ainda algumas bandas de referência como os Nirvana, alimentados pelo génio catastrófico e underground de Kurt Cobain, ou os Metallica liderados pelo possante James Hetfield, e que, ainda hoje, são uma das bandas com maior sucesso na estrada, enchendo estádios atrás de estádios. Contudo, por esta época, outros géneros musicais começaram a ganhar terreno, com o galáctico Michael Jackson na liderança dos Tops mundiais e com vendas recorde de LP’s. Sim, nesta altura ainda se vendiam discos de vinil, e o “Rei da Pop” bem pode agradecer por isso, pois após esta época tudo iria mudar… de forma radical!

Com a chegada dos anos 90 assistimos a uma incursão do CD com tudo o que de bom se poderia daí tirar: qualidade do som e portabilidade. No entanto, como nem tudo o que reluz é ouro, a tecnologia informática começou a desenvolver estratégias para generalizar o acesso ao “som” de forma ainda mais prática e barata. Surgem assim os conversores de formatos CD para formatos digital e… tudo o resto é história!

Como será fácil de ver, as vendas lucrativas para a maior parte das grandes bandas ainda no ativo, de discos ou CD’s, caiu a pique. O mainstream passou a ser outro e havia que procurar alternativas! Muitos grupos optaram por parar, pois entendiam que já não havia lenha para alimentar a máquina. Outros foram-se mantendo na penumbra do tempo até caírem no esquecimento e pararem, enquanto que ainda há os que não se adaptaram às exigências de um público cada vez mais era manietado pelo fácil acesso a conteúdos de qualidade duvidosa!

Só que, o tempo é um bom conselheiro, e muitos dos apreciadores de música a sério perceberam que quantidade não é qualidade! Ao ouvirem som do bom, o tal dos idos 80 e 90, perceberam que estava ali a resposta e passaram a consumir cada vez mais material do passado, o que, na verdade, tem servido de apelo a muitas bandas a regressarem, mesmo que muitos dos seus músicos já se encontrem na casa dos setenta anos de idade… e com poucos zeros nas contas bancárias!

Não posso deixar de fazer uma menção de excepção aos míticos Rolling Stones, que nunca deixaram de estar no ativo. Nem é bom pensar que algum deles pode morrer…

Se é o que o público quer, então que se dê o que o público quer.

Bons sons, com qualidade.

Jorge Gameiro

(Deixo em baixo mais músicas dos artistas em cima referidos, pois o objectivo de todo este projecto é que vejam, ouçam, e sintam)

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