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O filme “The Revenant” (“The Revenant: O Renascido“), de 2015, aborda uma jornada épica acerca da capacidade humana de atingir o “praticamente” impossível. Esta película, realizada por Alejandro G. Iñárritu é inspirada na história, aparentemente verídica, do caçador de peles e explorador Hugh Glass, adaptada da obra “The Revenant: A Novel of Revenge“, de Michael Punke (2002).

Esta história revela-nos o seu percurso enquanto guia de uma expedição de caça, ao longo de territórios americanos habitados por tribos indígenas. Além da sua admirável travessia de superação e de retribuição, após ter sido abandonado à sua sorte pelos seus companheiros, quando se encontrava gravemente ferido, depois de ter sido atacado por um urso.

Nesta obra somos presenteados com uma mescla de diferentes géneros cinematográficos, uns mais óbvios, como a acção, a aventura, e também a componente bibliográfica aqui presente. E por outro lado algumas características, mais associadas ao estilo western, entre elas a violência, e os cenários sombrios presentes, apesar de ser notoriamente distinto de uma obra clássica desse tipo. Para ser mais claro, temos a comparação com os clássicos spaghetti western, onde a maioria das narrativas se passam numa paisagem seca, ampla, e com muita claridade (ex: “O Bom, o Mau e o Vilão“, Sergio Leone (1966)).

“The Revenant: O Renascido” destacou-se pela irrepreensível prestação de Leonardo DiCaprio enquanto Hugh Glass, que lhe garantiu um, já claramente merecido, Óscar de Melhor Actor em 2016. Contudo, também deve ser dado o devido crédito a Tom Hardy, que teve uma excelente prestação enquanto John Fitzgerald, um caçador de peles, e principal antagonista desta história.

O papel que valeu a DiCaprio o seu primeiro e único Óscar

E, finalmente, a Alejandro G. Iñárritu, que ganhou pelo segundo ano consecutivo a estatueta de Melhor Realizador, que lhe tinha sido anteriormente atribuída pelo extremamente peculiar, mas brilhante “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)“. Outro aspecto em destaque é o arranjo musical composto por Ryuichi Sakamoto e Alva Noto, que com a sua mistura entre uma componente acústica e electrónica, acaba por ser o complemento ideal para esta obra.

Uma das cenas em destaque neste filme é a incrível luta de Glass com um urso pardo, que é uma pequena demonstração, por um lado do elevado nível de empenho que DiCaprio colocou na sua performance, e, por outro da notável capacidade do explorador, que sozinho conseguiu derrotar o seu formidável adversário.

A sua jornada colossal começou, quando um dos homens destacado para o auxiliar, enquanto este recuperava dos seus graves ferimentos, John Fitzgerald, matou o seu filho e deixou-o para trás, perto da morte. Mas Glass foi aos poucos recuperando, e é aí que começa a sua epopeia por caminhos longos e frios, com diversos perigos, culminando com o confronto final entre este e Fitzgerald, onde Glass se lembra de algo que lhe havia sido dito no passado: “a vingança está nas mãos de Deus“, deixando o seu adversário entregue à sua própria sorte.

O filme foi rodado em doze locações em três países diferentes: Canadá, Estados Unidos e Argentina. Curiosamente, uma grande parte da equipa de produção acabou por se demitir a meio das filmagens, pela a alegada complexidade das filmagens. Episódios que fazem lembrar o processo de criação “conturbado” de obras como “Apocalypse Now” (1979) ou “Fitzcarraldo” (1982).

Apesar de não ter muitas componentes claramente negativas, não deixa de haver a sensação de que a obra poderia ter ido mais longe, com talvez mais diálogos e uma narrativa mais elaborada. Este é um tipo de filme que não é para todos os gostos, mas que pode ser uma experiência bastante enriquecedora, principalmente para os amantes de westerns.

(Este filme está presente na lista “Top 20: Melhores westerns da última década“)

Pedro Maia

Rating: 3 out of 4.

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