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Porque A Arte Somos Nós

Alexander von Schlippenbach é um pianista de jazz alemão conhecido pela sua abordagem experimental e qualidades virtuosas. Ao longo da sua carreira, lançou uma quantidade enorme de música (quase 60 discos), trabalhando como artista solo e participando em outros projectos com outros músicos. Em 1988, fundou a Berlin Contemporary Jazz Orchestra, uma grande banda que assenta no jazz orquestral, que tem como objectivo tocar novas obras de compositores contemporâneos.

Além disso, Schlippenbach trabalhou em parceira com Sven-Åke Johansson, com a sua esposa Aki Takase, com Tony Oxley, com Sam Rivers, Sunny Murray e Manfred Schoof. No cenário do jazz europeu, Schlippenbach destaca-se como um dos melhores e mais desafiadores músicos e compositores. Exemplo disso são os álbuns, excluindo da equação este “Pakistani Pomade”, “The Living Music”, “Payan” ou “Schlippenbach Plays Monk”.

Lançado em 1973, o Pakistani Pomade é um álbum de free jazz europeu mais na linha do álbum “MU”, de Don Cherry, do que “Machine Gun”, de Peter Brötzmann. As execuções insanas de piano de Schlippenbach, fundidas com as explosões de Evan Parker no saxofone soprano e a viciosa bateria de Paul Lovens, resultam em novos sons para o jazz, com os seus instrumentos muitas vezes a não se familiarizam com o típico contexto.

Neste álbum nada é previsível. Este é totalmente caótico, sendo que o trio oferece performances muito intensas e distintas, mas também repletas de musicalidade e ritmos selvagens. Os músicos chocam-se de maneiras muito produtivas neste disco, pois cada músico está cuidadosamente atento ao espaço um do outro, resultando numa abordagem arquitectónica do som. Quanto à música, é repleta de sons estranhos e violentas explosões de dissonâncias, como um imparável soco. O disco contém uma variedade de faixas, de pequenas peças experimentais a tempestades épicas, com Sun-Luck Night-Rain e Moonbeef como destaques.

Em suma, “Pakistani Pomade” é um marco no free jazz europeu, apresentando um estilo de improvisação extraordinariamente louco, cheio de momentos perturbadores e intensos, definitivamente diferentes dos extrovertidos músicos americanos de jazz. Além disso, este disco é a estreia do mais antigo conjunto de música de improvisação na Europa, o Schlippenbach Trio.

Com todo o respeito por todos os grandes nomes do free jazz americano, estes três tipos europeus simplesmente elevaram a fasquia em todos os níveis; Evan Parker está incrível nesta gravação, e o piano de Alexander também está louco. Sendo uma audição muito difícil, este álbum certamente não é para todos, apenas para aqueles com “gosto adquirido”.

João Filipe

Rating: 3.5 out of 4.

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