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Porque A Arte Somos Nós

Neste clima onde todas as gravações pararam por causa desta situação pandemónica, em que situação fica a sétima arte? Apesar de tudo, este regime incentivou – não havia alternativa – a população a “consumir” conteúdo cinematográfico “antigo”. Tudo isto, portanto, surgiu como uma oportunidade de reflexão, de caminho espiritual, de encontro (do Eu com a Arte – consigo mesmo).

Na adversidade devemos encontrar a oportunidade de “renascermos” com identidade. A maioria de nós tem a noção que a nossa individualidade precisa de ser estimulada no exterior, no contacto com os outros, no “palco” posterior à nossa zona de conforto – o prolongamento dos nossos “horizontes”.

Por um lado, “isto” está a criar a oportunidade das pessoas poderem estar a par do reportório artístico mais antigo, mas também – e por isso – permite que estejamos mais a par da actualidade – porque (e isto é uma ideia interessante) toda a boa arte se complementa. Por isso é que quanto mais culto artisticamente se é, mais se conhece o mundo e (algo que seriamente dá muito jeito) podemos estar mais perto de antecipar o que acontece.

Se a Arte é um espelho de Nós mesmos e/ou Nós somos um espelho da Arte, abrir-lhe as portas em tempos de isolamento e alheamento físico é o que nos permite estar, mesmo que ao longe, no mundo.

Em articulação com a ideia de que toda esta situação foi, e é, das melhores metáforas e consciencializações (in)imagináveis, julgo que vale a pena levantar uma questão (ou várias): será que a forma de fazer arte vai mudar, direccionando a sua fonte artística para o público, e quando tudo terminar toda a inspiração deixada “no papel” – em isolamento – vai, mesmo que não em índole, transformar (reinventar) e/ou revolucionar o Cinema?

Agora, uma das grandes questões prende-se, igualmente, com a ideia de: será que depois de isto estar terminado, o público quererá um cinema adaptado a este marco da humanidade, ou será que a forma de fazer cinema (enquanto cultura) é, e deve ser, intemporal e “inflexível”? O que quero dizer com isto é: esta pandemia vai, efectivamente, transformar a maneira de fazer “o negócio” cinematográfico, deixando de lado interesses, temas clichê, e focando as suas linhas na mensagem, na moral e, assim, elevando-o a um cinema mais digno – mais virado para as pessoas, para a humanidade, para o público?

As grandes instâncias podem querer “lutar” contra a mudança (interior) que o Coronavírus está a trazer, só porque vão tirar maior partido (financeiramente) disso – mas a verdade é que este vírus “silencioso” trouxe ao mundo, em todos os sentidos, uma “mudança silenciosa”.

Enquanto a magia da sétima arte não se dissipar em nós, estaremos sempre disponíveis para nos adaptar às diferenças, evoluções de mentalidade, e até mesmo “vazios”, sem nunca renunciarmos à nossa própria mentalidade e sermos, sempre, capazes de incluir “o mundo” o máximo possível, no nosso desígnio – nunca em vão – de o tentar descobrir.

Vale a pena pensar nisto.

Tiago Ferreira

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