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Porque A Arte Somos Nós

Os anos 80 são conhecidos por serem uma década especial, principalmente no que se refere à música, mais especificamente ao rock e ao metal. Uma quantidade inenarrável de bandas conquistaram o seu espaço nos corações de todos nós, marcando um legado, que tem perdurado ao longo das últimas décadas. Podemos muitas vezes pensar, que foram as músicas mais impactantes e irreverentes que cativaram verdadeiramente as multidões. Contudo, não é bem o caso.

Foram as chamadas “baladas” de rock que tiveram um peso preponderante nesse sentido. De tal forma, que se tornaram idolatradas pelo público, e as suas letras imortalizadas nas mentes de todos nós. Desta feita, o site Ultimate Classic Rock desenvolveu esta lista das 10 melhores baladas de Rock dos anos 80. Concordam?

10.º Patience, Guns N’ Roses (1988)

Os Guns N’ Roses foram fundados em 1985, na cidade de Los Angeles, no estado da Califórnia e são uma das bandas de hard rock mais conhecidas mundialmente. Entre os seus principais sucessos incluem-se: Welcome to the jungle, November Rain, Sweet Child O’ Mine e Paradise City, entre outras.

Patience pertence ao álbum “G N’ R Lies”, de 1988, e apresenta um estilo distinto da maioria das músicas da banda, já que é mais calma, e onde se pode destacar pela positiva a prestação vocal de Axl Rose. A sua letra é mais “doce”, contrastando com os temas normalmente mais pesados que são abordados. Por fim, a combinação das guitarras acústicas, com o assobio ritmado de Axl, acrescentam o ingrediente perfeito para a arrebatadora balada de rock acústico. Esta parece ter sido inspirada no décimo álbum dos Rolling Stones, “Exile on Main St.” (1972), que apesar de inicialmente incompreendido, tornou-se posteriormente o álbum de referência do grupo britânico. Patience, até pelas suas características peculiares, é uma melodia intemporal e ideal para aqueles dias em que precisamos literalmente, de “um pouco de paciência”. Ou então, pode ser encarada quase como que um pronúncio da benevolência que o público iria precisar, perante todas as mudanças na banda, e ao atraso de mais de uma década até ao lançamento de “Chinese Democracy”, em 2008.

Guns N’ Roses – Patience


9.º Love Song, Tesla (1989)

Com os Tesla temos um novo exemplo de uma banda que, estando ainda nos seus primórdios, conseguiu inovar e fugir ao seu estilo mais característico de hard rock/metal. O nome da banda advém de Nikola Tesla, um inventor de referência e pioneiro, cujas contribuições se estendem não só à electricidade, mas também, à rádio. O estilo e os temas das canções dos Tesla contrastavam com o que era característico do heavy metal, nomeadamente nos anos 80, na fase inicial da banda. Love Song integra o álbum “The Great Radio Controversy”, de 1989, e mostra até pelo nome incaracterístico, a simplicidade da banda da cidade de Sacramento, na Califórnia. Nesta balada somos confrontados com um dueto interessante, onde a guitarra clássica é a força motriz que incrementa de forma clara o seu poder. Esta música levou o grupo ao estrelato, mostrando o poder da simplicidade em contraste com a exuberância que imperava à época.

Tesla – Love Song


8.º Love Bites, Def Leppard (1987)

É em Sheffield, no ano de 1977, que têm origem os Def Leppard. A banda inglesa fez parte da nova vaga de heavy metal no seu país, tendo expandido a sua audiência, acabando por se focar um pouco mais na melodia e num teor instrumental mais leve. Estas mudanças são visíveis no álbum “Pyromania”, de 1983, que demonstra uma passagem para um estilo mais orientado para a rádio, e mais distante das suas raízes. Se por um lado com “Pyromania” veio o sucesso comercial, por outro seguiram-se algumas complicações, como o acidente que ocorreu em 1984, e que levou o seu baterista, Rick Allen, a perder o braço esquerdo. Apesar desta fase delicada, em 1987 a banda atingiria o seu apogeu com o seu quarto álbum “Hysteria”, que se tornou um álbum de referência no dentro do rock. Nesse, está presente a faixa Love Bites, cuja letra nos fala sobre um desgosto amoroso. Através da sua sonoridade melodiosa e qualidade de composição, acaba por ter todos os ingredientes para uma balada de rock bem-sucedida.

Def Leppard – Love Bites


7.º Never Say Goodbye, Bon Jovi (1986)

Voltando às bandas americanas, damos de caras com os Bon Jovi, cujo início se deu em 1983, em Nova Jérsia. Após algum sucesso nos anos que se seguiram, eis que chegamos a 1986, e ao lançamento de “Slippery When Wet”, um dos álbuns mais vendidos da história do rock, e também uma obra de referência no género. Neste podemos destacar músicas que se tornaram muito importantes para o legado do grupo como You Give Love a Bad Name ou Livin’ on a Prayer, entre outras. Uma dessas composições, Never Say Goodbye, distingue-se por um estilo algo inspirado em Bruce Springsteen (artista de referência para a banda), e mostra-nos uma melodia alternativa com uma dinâmica mais interativa e intimista, onde até o solo de guitarra se enquadra perfeitamente. Podemos considerar quase como que uma referência dentro das baladas de rock.

Bon Jovi – Never Say Goodbye


6.º Heaven, Warrant (1989)

Um grupo, que à semelhança de vários nesta lista, se caracteriza pelo género mais exuberante presente nos anos 80, o chamado glam metal. Os Warrant podem até ser mais conhecidos pelo bem-sucedido, mas controverso, “Cherry Pie”, de 1990. Contudo, no ano transato, o seu álbum de estreia “Dirty Rotten Filthy Stinking Rich” contém o tema Heaven, uma música calma mas com um refrão poderoso e melodioso, e com uma capacidade notável para nos cativar e envolver. Uma das possíveis interpretações para a letra é a de um pai que trabalha numa fábrica, e que tem problemas em ser um modelo comportamental para a sua filha. Esta é uma das melodias de maior destaque da banda, inclusive pelo sucesso comercial que atingiu.

Warrant – Heaven


5.º Don’t Know What You Got (Till It’s Gone), Cinderella (1988)

A combinação de uma balada de rock com os Cinderella parece à partida um daqueles casos difíceis de imaginar, já que, apesar do seu nome, o seu vocalista é Tom Keifer, cuja voz está longe de nos remeter para algo similar a uma balada. Apesar de ser uma combinação aparentemente difícil, a verdade é que funcionou com esta banda oriunda do estado da Pensilvânia, a impressionar, numa canção que aborda a dor após uma relação amorosa fracassada. Don’t Know What You Got (Till It’s Gone) pertence ao álbum “Long Cold Winter”, o segundo do grupo. Nesta melodia, a voz tensa e rouca de Kiefer converge perfeitamente com a sonoridade presente, com destaque para o piano e para o solo de guitarra, que em conjunto com a letra característica deste tipo de balada, nos oferece uma música de qualidade inquestionável. De tal forma, que a banda chegou a participar no Moscow Music Peace Festival, a 12 e 13 de agosto de 1989, juntamente com artistas como Ozzy Osbourne, Bon Jovi, Scorpions, Skid Row, entre outros.

Cinderella – Don’t Know What You Got (Till It’s Gone)


4.º I Remember You, Skid Row (1989)

Os Skid Row, tal como os Bon Jovi são originários de Nova Jérsia, mas o seu início deu-se 3 anos depois, em 1986. Logo no seu álbum inicial “Skid Row”, de 1989, foi possível observar duas músicas de qualidade superior, 18 and Life e I Remember You. Das duas, a canção a reter, neste contexto, é I Remember You. Esta melodia é algo contrastante a outras desta lista, já que apresenta uma sonoridade mais contundente e mais característica do rock e do metal, com um maior ruído e uma menor ênfase em sonoridades mais leves. Por outro lado, podemos referir que os versos da música falam acerca de saudade e amor, uma temática bastante corrente neste tipo de baladas, faltando apenas destacar a qualidade vocal impressionante de Sebastian Bach, que era, à época, o vocalista da banda (posição que agora pertence a ZP Theart, antigo membro dos DragonForce).

Skid Row – I Remember You


3.º Faithfully, Journey (1983)

O rótulo de banda mais antiga aqui enumerada pertence aos Journey, cuja origem remonta a 1973, na cidade de São Francisco, na Califórnia. A banda foi sofrendo diversas alterações na sua formação durante primeiros anos, sendo que o único membro original é o guitarrista Neal Schon. Após o sucesso obtido com os álbuns “Infinity” e “Evolution”, no final dos anos 70, é de destacar, em 1981, “Escape”, que contém três músicas que atingiram grande sucesso comercial, Who’s Crying Now, Don’t Stop Believin’ e Open Arms. Mas é no seu álbum seguinte, “Frontiers”, que podemos encontrar Faithfully, uma melodia que começa de forma suave e vai aos poucos ganhando algum poder, destacando-se pela sua simplicidade, já que, ao longo da canção, não é utilizado nenhum coro. A letra fala sobre as dificuldades que uma vida na estrada pode trazer a uma relação. Esta música tornou-se uma das mais importantes do grupo, até pela componente mais pop que apresenta e que lhe permite distinguir-se de outras baladas – servindo até de inspiração para composições como Heaven, de Bryan Adams.

Journey – Faithfully


2.º Every Rose Has Its Thorn, Poison (1988)

E eis que chegamos à balada de rock mais duradoura dos anos 80. Estamos a referir-nos a Every Rose Has Its Thorn. Esta melodia pertence aos Poison, uma banda que foi formada nos inícios da década de 80, e cujo nome anterior tinha sido Paris. É interessante verificar que o seu guitarrista C.C. DeVille foi escolhido em detrimento do icónico Slash, que posteriormente se juntaria aos Guns N’ Roses. O seu álbum de estreia “Look What the Cat Dragged In”, de 1986, foi bem-sucedido, e serve como um excelente exemplo de glam metal existente à época e característico deste grupo. Contudo, o seu êxito a nível comercial chegou dois anos depois, com o álbum “Open Up and Say … Ahh”, que nos deu a já referida Every Rose Has Its Thorn. O uso da guitarra acústica aliada a uma reflexão sobre problemas numa relação, juntamente com uma melodia que compele e, finalmente, a excelente prestação do vocal do compositor e cantor, Bret Michaels, completam a lista de ingredientes necessários para uma balada de rock.

Poison – Every Rose Its Thorn


1.º Home Sweet Home, Motley Crue (1985)

O primeiro lugar tinha de pertencer à melodia original, que inspirou tantas outras baladas de rock. Estamos a falar de Home Sweet Home, dos Motley Crue. A banda fundada em 1981, na Califórnia, tornou-se num dos grupos de maior relevo dos anos 80. Atingiram o êxito comercial através do seu segundo álbum “Shout at the Devil”, de 1983, o que os levou a serem a banda de abertura para Ozzy Osbourne, na sua “Bark at the Moon Tour”, em 1984. As suas atitudes mais rebeldes e provocatórias, levaram a que alguns dos seus membros tivessem problemas com a lei. Contudo, isso não impediu que o seu terceiro álbum “Theatre of Pain”, de 1985, fosse um grande êxito, tornando-se numa referência para o heavy metal do resto da década. Este álbum trouxe Home Sweet Home – uma introdução que recorre ao uso do piano, que em conjunto com a sua Sonic Palette, juntamente com a prestação vocal do cantor Vince Neil, nos dá uma melodia verdadeiramente tocante com uma referência sentida aos seus entes queridos. A derradeira balada de rock, cuja influência é visível em várias músicas que se seguiram. Esta serviu também de referência para uma série de vídeos de variadíssimas bandas, posteriormente realizados com montagens de concertos ao vivo, em câmara lenta.

Motley Crue – Home Sweet Home


Pedro Maia

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