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Porque A Arte Somos Nós

Numa altura como esta em que estamos obrigados a ficar em casa, é fundamental aproveitar formas alternativas de ocupar o tempo disponível, uma vez que esse, neste momento, é extraordinariamente amplo. Para “combater” o vírus do Covid-19, é fundamental e peremptório fazer uso da boa sétima arte que temos ao nosso dispor. Por um lado, ainda bem que este surto vem numa altura como esta, em que temos praticamente tudo à distância de um clique.

Para isso, deixo ao leitor a sugestão de cinco filmes que considero serem, não só nesta altura fulcrais para exponenciar o nosso conhecimento (aliado ao entretenimento), mas também porque os associo a uma intemporalidade e a um timing artístico verdadeiramente sublime.

1.º “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (“Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance)”), Alejandro G. Iñárritu (2014) – Comédia / Drama

Bem, vamos primeiro a “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” (2014), escrito e realizado por Alejandro G. Iñárritu, que conta a história de um actor em decadência (Michael Keaton), que passou de um imenso sucesso a fazer filmes do super-herói “Birdman” para umas décadas de esquecimento, de solidão, de desamparo.

Este tenta reerguer-se através de aparições num teatro, e surge a oportunidade de fazer uma sequela do seu grande sucesso. O filme explora, no fundo, as vicissitudes de um artista excepcional, nas suas relações mal resolvidas, e mostra como a fama, o sucesso, a inveja e a competitividade emergem numa sociedade que carece de princípios.

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2.º “La La Land: Melodia de Amor” (“La La Land”), Damien Chazelle (2016) – Comédia / Drama / Musical

Depois, para nos dar um ar mais romântico que propriamente dramático, temos “La La Land: Melodia de Amor” (2016), uma lufada de ar fresco escrita e realizada sob a batuta do jovem Damien Chazelle, que conta a história de um amor entre uma actriz sem aprovação (Emma Stone) e um pianista jazz sem estabilidade (Ryan Gosling), que procuram encontrar nos vaivéns do dia-a-dia a magia para seguir os seus verdadeiros sonhos. É um filme essencialmente sobre a arte de sonhar, e sobre como por vezes temos de abdicar disso em prol de um futuro ao lado de alguém, ou vice-versa, mostrando que, talvez, o verdadeiro amor nem sempre está destinado a acabar ao nosso lado.

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3.º “Uma História de Amor” (“Her”), Spike Jonze (2013) – Drama / Romance / Ficção Científica

Por outro lado, “Her: Uma História de Amor” (2013) conta-nos a história de um homem solitário (Joaquin Phoniex), que, numa altura de alta tecnologia e evolução, se depara com um novo software, uma voz feminina que ouve os seus devaneios, as suas preocupações, atende às suas necessidades; uma espécie de inteligência artificial, mas que para ele é muito mais que isso, de tal forma que vai desenvolvendo por ela algo mais especial e profundo.

Esta história fantástica, escrita e realizada por Spike Jonze, mostra-nos que o amor vai muito para além da materialidade, e que só é verdadeiramente possível se formos humildes perante ele: aceitarmos aquilo que somos e vermos para além de algo que por vezes não está (fisicamente presente), mas se sente eternamente.

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4.º “Assim Nasce Uma Estrela” (“A Star Is Born”), Bradley Cooper (2018) – Drama / Musical / Romance

Agora, um filme mais recente: “Assim Nasce Uma Estrela” (2018) conta-nos a história de um músico (Bradley Cooper) que encontra uma jovem cantora (Lady Gaga) num bar e se apaixona quase instintivamente por ela. A partir daí, o artista, famoso e no auge da popularidade, mas num contexto cheio de vícios (álcool), tenta retirar a cantora da sua situação mais precária – vem de posses humildes – e investir no talento sublime que ela tem. Facilmente se percebe que ali está uma estrela em ascensão.

No interlúdio, vai-se desenvolvendo um amor puro, superior a tudo e a todos, contra todos os julgamentos, entre estes dois artistas, que se vão apoiando mutuamente. Mostra também que é muito difícil retirar alguém do fundo do poço, mas que com amor tudo é possível. Um remake, escrito e realizado por um dos grandes protagonistas, Bradley Cooper.

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5.º “Dor e Glória” (“Dolor y gloria”), Pedro Almodóvar (2019) – Drama

Por fim, uma menção honrosa vai para “Dor e Glória” (2019), um filme verdadeiramente sublime, que partilha a história (com alto teor biográfico) de um realizador em decadência (António Banderas), que se depara com as escolhas do seu passado a atormentar o seu presente, mas que mostra que é sempre possível haver essa tão desejada reconciliação com o que já passou. Vivendo “atormentado” por um grande sucesso de há décadas, o realizador vai sofrendo com o seu envelhecimento físico e mental, e vai-se apoiando nas pequenas coisas para sair dessa esfera de tormento e afogamento.

Este filme, escrito e realizado por Pedro Almodóvar, vai, de certa forma, contando a sua própria história, tanto abordando a questão da sua homossexualidade, como fazendo o paralelismo entre a dificuldade em sobreviver a um mundo cheio de inveja e medos, mas, como tudo na vida, é sempre possível singrar, com dor e glória e alguma pitada de sorte.

(Filme também mencionado na lista dos “Melhores Filmes de 2019“)

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Nesta altura em que é preciso mantermos o nosso cérebro a funcionar, deixo estas minhas sugestões para conseguirmos “sobreviver”, juntos, a esta pandemia que, se tivermos sentido colectivo, terá os dias contados.

Bons filmes.

Tiago Ferreira

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