OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Quando, em 1953, o escritor de novelas policiais Ian Fleming (1908-1964) criou a figura de James Bond, agente secreto do MI6 ao serviço de Sua Majestade e com ordem para matar, não imaginava a popularidade e êxito que tal personagem viria a ter até aos dias de hoje.

Ian Fleming, influenciado pela sua actividade de oficial da marinha britânica e como jornalista, imaginou um agente secreto britânico alto, bem parecido, moreno, porte atlético e sedutor, também ele oficial da marinha britânica e que passa a ser agente secreto do MI6 (conhecidos serviços secretos britânicos), ao qual decide dar o nome de James Bond, inspirado no nome de um conhecido ornitólogo americano autor de obras na área e de quem a sua esposa era leitora assídua. Escreveu cerca de doze livros e dois contos à volta deste personagem, embora mais tarde outros autores tenham prosseguido a saga.

No início da década de 1960, os produtores Harry Saltzman e Albert Broccoli compram os direitos de transposição para cinema dos livros de Fleming (criando a produtora EON Productions), com exceção de “Casino Royale“, que viria a dar origem a uma série de televisão e mais tarde a um filme (1967). Estava dado o passo para o sucesso de James Bond, que ainda hoje prevalece.

Até hoje foram creditados 24 filmes oficiais de 007, tendo o primeiro sido lançado em 1962 e o último em 2015. Está já disponível o trailer do 25º filme, “007: Sem Tempo Para Morrer” que verá a luz do dia no mês de Abril do próximo ano. Ao longo da saga em cinema, participaram seis atores no papel de James Bond, a saber e por ordem cronológica: Sir Sean Connery (6 filmes, 1962-71), George Lazenby (1 filme, 1969), Sir Roger Moore (7 filmes, 1973-85), Timothy  Dalton (2 filmes, 1987-89), Pierce Brosnan (4 filmes, 1995-2002) e Daniel Craig (5 filmes, 2006-20). Como é característica dos filmes de James Bond, ou não fosse Bond um galã irascível, participaram nestes filmes outras tantas Bond Girls, tais como, Ursula Andress, Daniela Bianchi, Carole Bouquet, Grace Jones, Maryam d’Abo, Carey Lowell, Sophie Marceau, Halle Berry, Eva Green, Monica Bellucci ou Léa Seydoux, entre muitas outras. Era comum nos filmes mais antigos de 007, James Bond ter mais que um caso com mulheres em cada filme… pelo que a lista é bastante extensa.

Nestas coisas de fazer filmes com figuras icónicas, como se tornou 007, é importante ter elementos que identifiquem o personagem, e ao mesmo tempo sejam rentáveis para a produção, pelo que são inúmeros os “acessórios” associados à personagem de James Bond. Um dos elementos mais importantes são os automóveis utilizados nos sucessivos filmes, desde logo os icónicos Aston Martin que acompanharam o herói ao longo de grande parte da saga. Também a Bentley se fez representar e a Lotus com o pequeno Esprit que até debaixo de água andava! Todas elas marcas de origem britânica. Para além destes, aparece uma lista imensa de carros que “participam” nos filmes, tendo James Bond conduzido ocasionalmente alguns deles. Também o relógio é um acessório importante, pois salva por várias vezes o herói. A lista é impressionante, sendo que os mais utilizados foram os Rolex, mas também Breitling, Pulsar, Seiko, Heuer ou Omega. Também os óculos de sol são hoje em dia patrocinados pela Tom Ford. Para já não falar do guarda-roupa, aviões, motos, bebidas, etc. Uma lista quase infindável de referências associadas ao personagem e que são um suporte financeiro para levar a bom porto as superproduções em que hoje em dia se tornaram os filmes de 007.

Para além do herói, nenhum filme de 007 fica completo sem a presença de “M”, código que designa o(a) mais alto(a) representante do departamento 00 do MI6 junto de governantes e outras figuras influentes. Já várias figuras passaram por este papel, homens e mulher, tendo tido sempre grande influência no desenrolar da trama. Também a figura de código “Q”, elemento do departamento responsável por desenvolver novos equipamentos, se apresenta como imprescindível, pois é das suas mãos que saem uma parafernália de acessórios que são de uma grande utilidade a James Bond: o carro equipado com os mais variados recursos bélicos, o relógio, as armas, as pastas equipadas com sistemas engenhosos para utilizar naquele momento difícil, barcos e por aí fora… Muita imaginação que nos deixa pregados ao filme, mesmo sabendo que muitas daquelas coisas são apenas pura ficção! Outra figura imprescindível que acompanha a história desde o início é Mrs. Moneypenny, secretária de “M”, interpretada por várias actrizes, sendo a mais icónica Lois Maxwell (participou em 14 filmes da saga), e que serão eternamente apaixonadas por James Bond.

E o que dizer do próprio herói com os seus imensos recursos, tanto físicos como imaginativos. É, na verdade, um verdadeiro agente secreto com uma capacidade de se infiltrar sem igual. De uma forma ou de outra, acaba invariavelmente por conseguir atingir os seus objectivos. Não é meu objectivo dissecar qual foi o melhor actor no papel de James Bond. Todos eles procuraram o seu melhor desempenho e, todos eles, nos entusiasmaram de alguma forma. Bem sei que quando vemos os primeiros filmes da saga nos dá vontade de rir com os efeitos que eram utilizados na época, mas é essa a magia da coisa. Ver a evolução das histórias ao longo do tempo e a forma como foram sendo produzidas. Evoluímos de temas como a Guerra Fria para temas mais atuais, mas a SPECTRE continua lá. Bebidas há muitas, mas o Vodka Martini continua a ser o mesmo: batido, não mexido! Em todos os filmes o vilão continua a estar presente, mostrando um maior requinte com o evoluir dos anos. Os maravilhosos cenários em que são filmados os filmes, continuam a ser uma constante nos dias de hoje. Pode dizer-se que James Bond já deu volta ao mundo, incluindo… Portugal (“007 – Ao Serviço de sua Majestade“, c/ George Lazenby, 1969), parcialmente filmado na zona do Estoril. As cenas extravagantes de acção continuam a existir por todo o lado, algumas delas absolutamente memoráveis! Em conjunto com as maravilhosas mulheres que participaram ao longo dos 24 filmes. Um verdadeiro hino à beleza feminina. E as incríveis bandas sonoras dos filmes em que grande parte dos artistas musicais quer participar… Enfim, a essência é a mesma, só a forma mudou.

Curiosidade final: Aquando da rodagem do primeiro filme de 007, “Agente Secreto 007” (“Dr. No“), em 1962, na cena em que Sean Connery tinha de responder a uma bela mulher, a quem tinha ganho no poker, qual o seu nome, este, ao iniciar o gesto de acender de um cigarro diz: “Bond…“, e após uma pausa a acender o cigarro completa: “James Bond“. O texto não estava em guião para ser dito desta forma, no entanto, tendo soado tão bem ao produtores, eternizou-se como a frase mais conhecida dos filmes de 007: “My name is Bond…James Bond“.

Bons filmes.

Jorge Gameiro

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

%d bloggers like this: