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Desde a última década que os jogos de plataformas em duas dimensões (também chamados de side-scrollers) têm sido um dos géneros de eleição para os estúdios independentes. Pelo facto de apenas considerarem duas dimensões são mais fáceis de desenvolver e de prototipar. Por ser um género que já está presente desde os anos 80, o seu funcionamento já é instintivo para a maioria dos jogadores e permite aos desenvolvedores criar os seus próprios twists nas fórmulas já conhecidas.

Com “The Swapper”, o pequeno estúdio finlandês Facepalm Games fez uso da familiaridade do género dos side-scrollers, cruzando-o com a resolução de puzzles e umas pitadas de exploração ao estilo Metroidvania. O estúdio foi fundado por dois estudantes da universidade de Helsínquia, que começaram a desenvolver “The Swapper” nos seus tempos livres, aproveitando depois o Indie Fund, um programa de apoio a jogos independentes, que já financiou jogos como “Dear Esther” ou “Her Story“. O jogo foi lançado pela primeira vez em 2013, estando hoje presente nas principais plataformas.

“The Swapper” é um jogo de plataformas e de resolução de puzzles em duas dimensões, lançado em 2013

No cenário em que a narrativa se passa, a humanidade já esgotou os recursos naturais do planeta Terra e, por essa razão, estabeleceu postos de exploração em planetas distantes, com o objetivo de extrair recursos e de os mandar de volta para a Terra. Quando o protagonista controlável, um dos vários exploradores espaciais que navegam o espaço profundo, chega acidentalmente a uma das zonas de exploração mineral, percebe que toda a equipa de astronautas desapareceu sem deixar rasto.

O protagonista acaba por descobrir que um dos recursos naturais, uma espécie de “rocha inteligente”, fez desaparecer rapidamente toda a tripulação, fazendo uso de poderes psíquicos e de radiações. Para piorar a situação, a única maneira de escapar encontra-se na outra ponta da estação, separadas por um caminho que inclui zonas de alta radiação e com a presença dessas rochas mágicas, a que a desaparecida equipa de exploradores deu o nome de Watchers.

O explorador descobre também uma arma deixada pela equipa, que lhe permite criar instantaneamente clones de si próprio e assumir controlo destas cópias. Esta arma, introduzida cedo na narrativa, será usada durante todo o jogo para resolver puzzles e ultrapassar obstáculos, que conseguirão levar o protagonista à zona de saída.

A principal mecânica do jogo recai no uso da arma de clonagem para criar cópias controláveis do jogador

Os puzzles do jogo requerem sobretudo pensamento lógico e de resolução de problemas, embora também necessitem de alguma aptidão para gerir timings de movimentos. A arma de clonagem permite usar duas funções: a função de criar clones do protagonista (até um máximo de quatro clones em simultâneo) e a capacidade para trocar de consciência com qualquer um deles, desde que o mesmo esteja na linha de visão. Apesar disso, todos os clones existentes num determinado momento vão-se mover na a direção para onde o jogador se movimentar (a não ser que bloqueados, por exemplo, por uma parede).

Este uso simultâneo dos clones permite resolver desafios que envolvam botões, alavancas, portas que têm que ser ativadas, ou plataformas móveis. Tal como o jogador, os clones podem morrer ao ser expostos a perigos ambientais (como radiação) ou por caírem de grandes alturas. Contudo, o ecrã de game over aparece apenas quando o clone que morre é aquele que o jogador está a controlar. Isto permite, por exemplo, que o jogador escale áreas verticais, criando sequencialmente clones acima da cópia atual e fazendo a troca de corpo imediata.

É sobretudo nestes níveis, em que o jogador tem forçosamente que sacrificar clones para ultrapassar os desafios, que as questões morais da narrativa começam a surgir. Embora sejam temáticas pesadas e fortes, é com satisfação que se observa que estes dilemas éticos são expostos usando a jogabilidade, em vez de métodos mais tradicionais (como diálogos ou através de texto). É sobretudo esta capacidade para contar uma história através da jogabilidade que faz com que “The Swapper”, embora um jogo simples e curto, atinja o que muitos não conseguem: o objetivo de não deixar o jogador indiferente.

Disponível em: PS3, PS4, PS Vita, Linux, MacOS, Wii U, Windows, Xbox One

Luís Ferreira

Rating: 3 out of 4.

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