OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,

E antes magnólias amo

Que a glória e a virtude.

Logo que a vida me não canse, deixo

Que a vida por mim passe

Logo que eu fique o mesmo.

Que importa àquele a quem já nada importa

Que um perca e outro vença,

Se a aurora raia sempre,

Se cada ano com a Primavera

As folhas aparecem

E com o Outono cessam?

E o resto, as outras coisas que os humanos

Acrescentam à vida,

Que me aumentam na alma?

Nada, salvo o desejo de indiferença

E a confiança mole

Na hora fugitiva.

Fernando Pessoa

Pintura de Henri Matisse, “Robe violette et Anémones” (1937)

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