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Porque A Arte Somos Nós

A pandemia do Covid-19 não tem deixado nada nem ninguém indiferente. Da economia ao entretenimento, passando pelos hábitos de cada um, todos estamos a adaptar-nos a uma realidade que exige bom-senso, responsabilidade e, acima de tudo, que passemos mais tempo em casa. É neste contexto invulgar que vos entrego cinco recomendações de filmes que, ainda que aclamados pela crítica, podem ter-vos passado despercebidos. Drama, terror, crime, mistério e romance são os géneros dos filmes que se seguem, por esta ordem.

1.º “Leave No Trace”, Debra Granik (2018) – Drama

Da mesma realizadora que colocou Jennifer Lawrence nos holofotes em “Despojos de Inverno” (2010), este é um drama poderoso que privilegia a imagem em relação à exposição e ao diálogo. É um filme em que o silêncio daquilo que não se diz tem mais ressonância do que aquilo que foi dito. Não é qualquer um que se dá a este luxo, nem todos têm a sorte de ter uma dupla como o ator Ben Foster e a jovem Thomasin McKenzie a trabalhar em altíssimo nível. Mas a realizadora Debra Granik sabe aquilo que pretende comunicar e o resultado não podia ser mais recomendável.

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2.º “O Segredo do Lago Mungo” (“Lake Mungo”), Joel Anderson (2008) – Drama, Horror, Mistério

Este título pertence a um subgénero interessante chamado pseudo-documentário. Ou seja, um documentário de terror que não é verídico, mas é filmado e interpretado como tal. A imersão é total e o caso apresentado pela história vai ficando cada vez mais arrepiante à medida que os depoimentos vão sendo dados e novos factos vão surgindo. É uma narrativa que carrega mistério, lamento e reservo na minha memória como um dos filmes de terror mais desoladores que já tive oportunidade de ver. Escrito e realizado por Joel Anderson, esta é uma visualização curta e obrigatória.

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3.º “Memories Of Murder” (“Salinui chueok”), Bong Joon Ho (2003) – Acção, Crime, Drama

Coescrito e realizado pelo recém-vencedor de três Óscares da Academia, o mestre Bong Joon Ho, “Memories of Murder” é aquilo que considero o seu primeiro grande feito na sétima arte. Baseado numa história verídica sobre uma série de assassinatos que decorreram entre 1986 e 1991 na Coreia do Sul, a história relata a investigação a propósito dos crimes. Bem-humorado, filmado com perícia e sempre cativante, esta é uma recomendação que coloco taco a taco com o filme “Zodiac” (2007), do metódico realizador David Fincher. É assombroso e o seu impacto retém-se muito além das duas horas e 11 minutos de filme.

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4.º “Em Chamas” (“Burning”), Chang-dong Lee (2018) – Drama, Mistério

Mantendo o fio condutor do cinema sul-coreano, a proposta de mistério que apresento é de uma pérola do realizador e coargumentista Chang-dong Lee. Um quebra-cabeças que ativa imenso os sensores cerebrais para montar uma narrativa que se vai desconstruindo ao longo do filme. A suspeita instala-se e a partir de certo ponto tudo, até o narrador, se torna duvidoso. A experiência ideal para quem procura uma história desafiante que não descuida uma fotografia de excelência e um trio de personagens bem desenhado.

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5.º “Se Esta Rua Falasse” (“If Beale Street Could Talk”), Barry Jenkins (2018) – Drama, Romance

Em 2017 o realizador e argumentista Barry Jenkins ganhou o Óscar de Melhor Filme com “Moonlight“, naquela que foi uma cerimónia inesquecível devido à troca de envelopes no final da mesma. O seu projeto seguinte foi o drama romântico sobre o qual vos escrevo, que para mim supera o impacto emocional de “Moonlight“. É terno, sensível e tem uma textura palpável, além de uma banda sonora característica. É uma narrativa sobre racismo e injustiças que se colocam entre uma relação amorosa comovente. Além do mais, conta com a vitória nos Óscares da atriz Regina King num papel secundário, mostrando novamente que Barry Jenkins é alguém a acompanhar no seu percurso cinematográfico.

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Bernardo Freire

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