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Porque A Arte Somos Nós

O entretenimento e o estímulo intelectual sempre foram duas facetas do cinema que pouco se cruzaram. São públicos-alvo diferentes que frequentemente requerem equipas criativas distintas, ou seja, filmes opostos. A título de exemplo, podemos considerar películas como “The Lighthouse” (2019) e “Doctor Sleep” (2019): ambos do mesmo género, mas com objetivos distintos.

Neste paradigma entra Christopher Nolan, um dos cineastas e argumentistas mais reconhecidos e vistosos do novo século. Ainda por ganhar o seu primeiro Óscar, Nolan apresenta um currículo atípico no que diz respeito a longas-metragens. Isto é, todos os seus filmes procuram, em certa medida, intercalar o entretenimento escapatório com uma componente aliciante de estímulo intelectual.

Acredito que seja esta combinação que faz do cineasta um dos poucos nomes que ainda têm peso nas campanhas publicitárias, e consegue mover uma quota-parte da audiência. É alguém que, a meu ver, ainda não meteu o pé na poça e o top 10 que se segue é a prova disso.

Nota: O top combina o mérito individual que reconheço nos seus filmes a par com o meu indissociável gosto pessoal. Não existe uma maçã podre na sua filmografia, onde o seu irmão, Jonathan Nolan, é um colaborador recorrente no papel de argumentista.

10.º “O Cavaleiro das Trevas Renasce” (“The Dark Knight Rises”) (2012)

Um final de trilogia apropriado e bastante satisfatório. Se o pudesse descrever numa palavra seria “eficiente”. Mas como se sabe, eficiente não significa extraordinário. A narrativa tem as peças em movimento e uma premissa base intrigante, mas falta-lhe a faísca que os capítulos anteriores conseguiram suscitar. Ou seja, aprofundar personagens e integrá-las ligeiramente melhor no esquema geral da história.

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9.º “Following” (1998)

A primeira longa-metragem com assinatura do cineasta é também uma das suas gemas menos visitadas. Filmado a preto e branco e com um orçamento microscópico, é aqui que Nolan começa a utilizar algumas técnicas e temas que iria aperfeiçoar ao longo da carreira. Aspetos como a desorientação das personagens, ou a ordem não-cronológica dos eventos, podem ser encontrados ao longo da sua filmografia e é fascinante perceber onde tudo teve origem.

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8.º “Dunkirk” (“Dunquerque”) (2017)

Ambicioso e fora do contexto do cinema bélico tradicional, aqui está um projeto terrivelmente belo que aposta forte nas questões técnicas para oferecer uma experiência sensorial como há poucas. A Segunda Grande Guerra pelo prisma da sobrevivência, camaradagem e desespero. Neste campo de batalha, a personagem principal é coletiva e todos valem tudo e não valem nada.

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7.º “Interstellar” (2014)

Na sua peça de ficção-científica, o cineasta prova novamente a sua mestria no método, desta feita com o acréscimo da variável sentimentalismo: talvez um pouquinho exagerado. Nada que, no final, não resulte. É tão inspirador quão entertaining, num permanente misto de emoções e esplendor visual.

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6.º “Batman Begins” (“Batman – O Início) (2005)

Uma das melhores histórias de origem jamais contadas no grande ecrã. Nos tempos em que os super-heróis ainda não estavam em voga, Nolan oferece um tratamento de excelência a Batman e como consequência ajuda a mudar o paradigma do entretenimento na industria cinematográfica. É acção, aventura e drama de qualidade num filme que não tem receio de se levar a sério.

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5.º “O Terceiro Passo” (“The Prestige”) (2006)

Encoberto pelos filmes mais populares do cineasta, este é outro suspeito que certamente merecia mais amor. Na sua essência, é uma narrativa sobre magia que, em si mesma, é um truque de ilusionismo. É dado aos atores imenso espaço para brilhar e, revelação atrás de revelação, a história torce e contorce com uma elegância peculiar. O tema central da obsessão retorna vezes sem conta.

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4.º “O Cavaleiro das Trevas” (“The Dark Knight”) (2008)

Com o tom mais sombrio e sinistro que o seu antecessor, este é o filme que estabelece o limite a ultrapassar no que diz respeito ao cinema de super-heróis. Não só executa uma estética ambiciosa e sem precedentes, como também oferece uma das melhores interpretações por parte de um antagonista, Heath Ledger, na sua iteração do Joker. Dos aspetos visuais às suas características morais, é quase irrepreensível.

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3.º “Memento” (2000)

É o filme que colocou o cineasta no mapa. Dizer que é inesquecível carrega uma ironia peculiar visto tratar-se de uma história sobre a mente de um homem sem memória. Tal como ele, o filme está construído de modo a colocar-nos na cabeça do protagonista, o que faz com que cada momento mereça a maior das atenções e só ganha com repetidas visualizações.

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2.º”Insónia” (“Insomnia”) (2002)

No seguimento de “Following” e “Memento”, e ao enquadrar a obra na filmografia do cineasta, “Insomnia” é possivelmente a narrativa no seu catálogo que passa mais despercebida. No entanto, este policial com traços de thriller psicológico obscuro confirma Nolan como um dos nomes a seguir no mundo do cinema. A jornada da personagem de Al Pascino (Will Dormer) é fascinante e o impacto pós-créditos é mais do que duradouro.

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1.º “A Origem” (“Inception”) (2010)

O primeiro lugar deste top é o exemplo máximo do cruzamento entre o cinema de entretenimento e o cinema mais intelectualizado. Ver “Inception” é sonhar acordado enquanto se maravilham os feitos técnicos e artísticos que Nolan consegue harmonizar no grande ecrã. Originalidade e complexidade são alguns dos pilares dos seus filmes, mas aqui a sofisticação, inteligência e classe superam os restantes de forma comovente.

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Bernardo Freire

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