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Porque A Arte Somos Nós

O homenageado deste ano que irá receber o Prémio Carreira trata-se de alguém muito especial. Há mais de 20 anos, onde antestreou o seu “Darklands” (1996), que viria a ser premiado, Julian Richards será o homem do “Fantasporto – 40 Anos”. Porquê? Porque é um amigo, porque é um realizador muito interessante e a redescobrir, um produtor e um homem que criou a primeira agência de vendas de filmes exclusivamente de características fantásticas. Foi o trabalho de Richards ao longo destes anos, outros o copiaram mais tarde. Abriu o mercado do cinema fantástico na Europa e no Mundo, com a sua Jinga. Com a abertura desse mercado, deu imagem a novos realizadores e fez crescer o interesse na vertente fantástica, dando-lhe a dignidade que merece. O realizador é alguém marcante e que não poderia ser esquecido por um festival como o Fantasporto – desta forma agradece ao artista todo o trabalho que tem vindo a realizar. A ele, e à Jinga, duas retrospectivas ocupam a sala pequena do Rivoli pelas noites.

De todos os que têm sido visitantes regulares do Fantasporto, o realizador, produtor e distribuidor britânico Julian Richards é assim um caso singular. Não só porque ele é um dos realizadores europeus que tem consistentemente – mas não exclusivamente – abordado nos seus filmes o reino da imaginação, mas também como promotor e distribuidor de filmes fantásticos, tal como já foi referido. Este compra em todo o mundo, seja em países europeus, nos Estados Unidos ou até em países pouco prováveis no género, como a Venezuela, Brasil ou Israel, enquanto ao mesmo tempo ainda arranja energia para escrever argumentos e realizar os seus próprios filmes.

Nascido a 31 de julho de 1965 em Newport, no País de Gales, no Reino Unido, a sua carreira internacional começa cedo, depois de terminar os seus estudos na National Film School, com cerca de 20 anos, com a realização de três curtas, “Pirates” (1987), com a qual vence o Prémio de Novos Valores no Celtic Film Festival; “Queen Sacrifice” (1988), que foi considerado Melhor Filme no British Short Film Festival; e “Bad Company” (1992), que participou no AFI Film Festival. O seu sucesso precoce leva-o a ser contratado pela BBC, onde realiza o docu-dramaA Mutter of Voices” (1994), acerca do genocídio no Ruanda, e pelo Channel 4 onde realizou doze episódios da novela de televisão “Brookside” (1982).

Em 1994, Julian Richards foi contratado pela Amblin Entertainment, de Steven Spielberg, para fazer o argumento de um romance chamado “Calling All Monsters“. Dois anos mais tarde, regressa ao Reino Unido para escrever e realizar a sua primeira longa-metragem, “Darklands” (1996), um filme de horror e conspirações acerca do paganismo rural e sacrifícios humanos, nomeado pela Mélies d’Argent para o Melhor Filme Europeu em 1997, após ter ganho na edição desse ano do Fantasporto o Prémio da Crítica e o de Melhor Argumento. A partir dessa data, Julian é imprescindível no festival de cinema da cidade do Porto. A segunda longa-metragem de Julian, um thriller chamado “Silent Cry” (2002), recebeu o Gold Remi Award no Houston Worldfest, e a sua terceira longa-metragem, “The Last Horror Movie” (2005), volta a receber o Méliès d’Argent com o Fantasporto a dar-lhe novamente o Prémio da Crítica e a considerar ainda o actor principal, Kevin Howarth (com a sua presença), o Melhor Actor. O filme acabaria por ganhar outros prémios, nomeadamente na Argentina, nos Estados Unidos e no Uruguai.

Summer Scars” (2007) traz-nos uma história de adolescentes que ganhou dois BAFTAS no País de Gales, seguido de um documentário narrado por Sir Derek Jacobi, chamado “Charles Dickens’ England“, em 2009. De seguida, Richards regressa aos Estados Unidos para realizar “Shiver” (2012), um thriller psicológico para a Image Entertainment, e em 2016 assina contrato com a New Line Cinema para ser produtor executivo do remake do filme venezuelano “A Casa do Fim dos Tempos” (2013). Quatro anos mais tarde, realiza o terrífico “Daddy’s Girl” (2018) para a Seahorse FilmHouse e, meses mais tarde, “Reborn” (2018), um thriller sobrenatural, ambos apresentados no Fantasporto em 2019 e que valeu ao realizador, no seu conjunto, o Prémio de Realização. Um feito notável num festival que tem apresentado a maioria dos seus filmes. A história da sua vida também passa pelo seu papel como distribuidor do melhor cinema fantástico do mundo com a sua companhia baseada em Londres, a Jinga Films. A sua rede em todo o mundo rivaliza com o seu entusiasmo na promoção e distribuição de obras do fantástico. Arranca dia 28 de Fevereiro no Pequeno Auditório do Rivoli a retrospectiva que lhe é dedicada.

Podem consultar a programação completa do festival AQUI.

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