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Porque A Arte Somos Nós

Nascido em Chicago, Estados Unidos da América, há 77 anos, filho de mãe russa e pai irlandês, Harrison Ford conta já no seu longo Curriculum com mais de 80 participações em filmes, curtas-metragens, séries televisivas e documentários.

Após terminar os estudos em filosofia na universidade de Maine, Illinois, viaja para Los Angeles onde se vem a estrear em 1966 no cinema com papéis de pouca monta em filmes de baixo orçamento, participando também com alguma regularidade em séries televisivas. Desiludido com o retorno que a 7ª arte lhe estava a proporcionar, quatro anos mais tarde decide dedicar-se a uma nova actividade, carpinteiro, pois havia uma família para sustentar, mulher e dois filhos, e os ganhos eram no mínimo exíguos (embora que fosse mantendo alguns pequenos papéis em séries da época).

É então que um cliente seu, director de elenco e jovem produtor de nome Fred Roos, o apresenta a George Lucas que por essa altura (1973) preparava o seu novo filme intitulado “American Graffiti: Nova Geração“, e consegue que Ford faça parte do elenco no papel de Bob Falfa. O sucesso da película foi grande e o ator vê finalmente os esforços começarem a ser compensados. Francis Ford Coppola, em grande após o sucesso de “O Padrinho” (1972), convida Harrison Ford para expandir o seu escritório, dando-lhe em troca pequenos papéis nos seus próximos dois filmes, “O Vigilante” (1974) e “Apocalypse Now” (1979).

Harrison Ford em “Apocalypse Now” (1979)

No entanto, o contacto com George Lucas em “American Graffiti” não caiu no esquecimento, e este convida Ford a fazer audições para o elenco no seu novo projecto, “Star Wars“, atribuindo-lhe o papel de Han Solo. Inicia-se aqui, em definitivo, o caminho do estrelato deste talentoso actor. Estávamos em 1977.

Seria fastidioso e até difícil descrever toda a filmografia de Harrison Ford, no entanto é impossível não relevar os principais eixos que sustentam a sua carreira. Desde logo a saga “Star Wars”, onde contracena com Mark Hamill e Carrie Fisher, entre muitos outros. Ao longo do desenvolvimento da saga, Han Solo vai assumindo um papel cada vez mais relevante no contexto da história, culminando com a sua morte às mãos do próprio filho (e da princesa Leia), Kylo Ren, tomado pelas forças do Mal, em “Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força” (2015).

Na saga “Star Wars”, Ford é Han Solo

É, sem dúvida, a verdadeira rampa de lançamento na carreira de Ford, uma vez que após os dois primeiros episódios de Star Wars, o amigo de George Lucas, Steven Spielberg, recruta o ator para mais uma das suas melhores, senão a melhor, personagem que desenvolveu na sua carreira: Dr. Henry “Indiana” Jones Jr..

Não é possível assistir aos filmes de “Indiana Jones” (1981-…) sem nos deixarmos envolver nas aventuras que o personagem vivência. Aliado à imaginação de Spielberg, o jeito peculiar de Ford faz do herói uma pessoa quase de carne e osso. Professor de Arqueologia e caçador de tesouros nos tempos livres, a sua indumentária, onde não pode faltar o chapéu e o chicote, e o seu espírito de “desenrasque” são únicos, e dando que fazer aos seus adversários que acabam invariavelmente por ser derrotados sem apelo nem agravo!

Agressivo e lutador mas também inteligente, polido, e galante com as mulheres quando necessário. Este é o verdadeiro herói de época (a saga desenvolve-se por volta dos anos 1930 a 1950) com que, na verdade, quase todos nos identificamos.

Para além destas sagas, Ford participou em filmes inesquecíveis. “Blade Runner: Perigo Iminente” (1982) é um filme incrível, em que o ator personifica um polícia (Rick Deckard) que tem como missão eliminar replicans fora da lei, acabando por se apaixonar precisamente por uma mulher supostamente replican (Rachel, interpretada por Sean Young). Ridley Scott transporta-nos para um futuro muito além da época em que o filme é rodado e Ford imprime grande intensidade ao personagem central da história. Sublime!

Já em “A Testemunha” (1985), Ford assume o papel de um polícia que tem por missão proteger uma criança Amish que assistiu a um assassinato, acabando por se envolver na comunidade, com todos os choques culturais que daí advêm. Mais uma vez está no seu melhor. Mais tarde filma “Frenético” (1988) de Roman Polanski  e “O Fugitivo” (1993), em que a acção é garantida e, mais uma vez o norte-americano faz valer a sua capacidade de tornar a história intensa, agarrando o espectador à acção do primeiro ao último minuto.

Harrison Ford em “Frenético” (1988)
Ford no filme “A Testemunha” (1985)

Entretanto, assume a personagem de Jack Ryan, analista da CIA em dois filmes: “Jogos Patrióticos” (1992) e “Perigo Imediato” (1994), onde volta a estar no seu melhor. Assume também o papel de presidente dos Estados Unidos em “Força Aérea 1” (1997). Faz ainda filmes como “Firewall” (2006), “Cowboys e Aliens” (2011), “42” (2013), “A Idade de Adaline” (2015) ou “Blade Runner 2049” (2017), entre muitos outros.

Para além dos seus três casamentos e do seu gosto pela aviação, onde já se viu envolvido em vários acidentes, Ford detêm dois recordes incríveis no mundo do cinema, pois é o actor que maior lucro de bilheteira gerou até hoje, para além de ser a actor com o maior número de filmes que ultrapassam os 100 milhões de dólares em receita de bilheteira nos Estados Unidos da América.

Harrison Ford ficará para sempre na história do cinema como um dos mais bem sucedidos atores da indústria. O seu estilo inconfundível perdurará nas nossas memórias através do seu trabalho. Ainda bem que não ficou a fazer móveis…

Bons filmes.

Jorge Gameiro

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