OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Um cavalo a galope

Sem medo da sua sorte,

Correndo pelos prados

Sem nunca perder o norte.

Encontrou o seu parceiro

A sua grande companhia,

Indo, indo, a galope

Para fugir da romaria.

Na quinta da Dona Maria,

Existia um lindo potro,

Receoso desde sempre,

Não gostava de muita gente.

E, entretanto, naquele dia,

Começou a trovejar,

E o pequeno ansioso,

Logo se deixou amedrontar.

Mas eis que o cavalo,

Ao chegar a tal local

Ao pressentir, a sua presença,

Começou logo a procurar

Pelo assustado animal,

No meio daquele curral.

Quando finalmente o descobriu,

O seu instinto protector

Logo entrou em vigor, envolveu-o

até que a sua aflição,

A pouco e pouco, se desvaneceu.

A trovoada passou,

E o potro sorriu

E, a partir daquele dia,

O pequeno já não se assustava.

Já ninguém lhe fazia frente.

E cada vez que trovejava,

Este só se lembrava,

Do formoso animal

Que sem qualquer receio,

Lhe havia mostrado que

O seu medo,

era irracional,

e não passava de um devaneio.

Pedro Maia

Pintura de Eugène Delacroix, “Cavalo Assustado por uma Tempestade” (1824-1829)

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