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Porque A Arte Somos Nós

O nosso colaborador e crítico Bernardo Freire estreia-se desta forma no ramo da Literatura, e para entender a essência da sua obra vale a pena apreciar um excerto do seu prefácio:

De todos os sentimentos e mais alguns, este livro nasce de um profundo respeito pelo cinema. Da admiração por quem se dedica à composição de diversos planos e arquiteta movimentos com a câmara. Ao longo do tempo, decifrar os seus significados tem tido um impacto direto na construção da minha identidade. Um filme de excelência tem a capacidade de moldar perspetivas e expõe-nos a situações singulares, muitas das quais nunca vamos atravessar. Por isso mesmo, como descrevia o crítico de cinema norte-americano, Roger Ebert (1942 – 2013), esta arte multifacetada é “uma máquina de gerar empatia”.

Existe valor na análise formal, nos comentários à estética e em observar uma obra de um prisma histórico – procuro, inclusive, nas minhas reflexões, efetivar um pouco de cada. No entanto, criamos relações com filmes que nos movem, seja por respostas internas ou estímulos visíveis. Na aldeia global em que vivemos, subitamente, a empatia com o que observamos tornou-se num ativo fundamental. O cinema, enquanto arte de massas, tem a capacidade de veicular mensagens e de nos aproximar do nosso semelhante.

O poder destas ideias é de tal ordem que estimular o discurso fílmico, por inerência, comporta importância. Seja através da escrita, da leitura ou da visualização, estamos a promover um debate com e entre a espécie, como a imagem de um espelho que modifica consoante a matéria da narrativa que absorvemos.

(…)

O aproveitamento das obras, que foram escritas entre 2019 e 2022, tem por base critérios técnicos, temáticos e emotivos. Já as notas, que vêm numa escala de 0 a 4 estrelas, sendo importantes, têm um caráter indicativo. Isto é, tentam resumir e encapsular a argumentação exposta anteriormente. Nenhuma avaliação dispensa o nexo da sua crítica, porém, quem nunca viu um filme apenas impulsionado pela nota arrebatadora de um crítico da sua confiança, ou cedeu a um bom passa-a-palavra?

No reino da opinião, acredito que um pouco de contexto pessoal soa sempre apropriado. Este sumário permitiu que me conhecessem melhor, bem como a forma como encaro o cinema e algumas das referências que marcaram o meu trajeto. Muitas outras encontram-se difundidas nas reflexões e ensaios que se seguem. Textos que servem de ponto de partida para uma discussão contínua.

O autor Bernardo Freire e a sua primeira obra literária, “Visão de um Crítico – Reflexões e Ensaios de Cinema” (Artelogy, 2022)

Como Bernardo introduz aqui de forma emotiva e explicativa, o cinema representa uma parte muito marcante e forte na sua vida e, através da experiência e curiosidade que foi cultivando, conseguiu aprimorar o seu gosto e sentido crítico pela sétima arte, imortalizando essa sua paixão neste livro que visa, fundamentalmente, incitar ao debate e à reflexão.

De facto, neste que é o seu primeiro livro, lançado em Junho, da editora Artelogy, com um título auto-explicativo, “Visão de um Crítico” é um conjunto de reflexões e ensaios que ao longo dos últimos anos Bernardo Freire foi criando, alguns dos quais disponíveis no nosso site, outros que estiveram disponíveis noutros sites e alguns até exclusivos. É, no fundo, um conjunto de pontos de partida para uma discussão edificante e interessante sobre cinema. São 63 reflexões, 9 ensaios e, em última instância, muita paixão pelas imagens em movimento.

Por outro lado, algo que torna “Visão de um Crítico – Reflexões e Ensaios de Cinema” especial tem que ver com o facto de ser uma coletânea de textos de análise crítica que explora diversas obras cinematográficas de cariz internacional. De “Tenet“, do reputado Christopher Nolan, até “Raw“, da promissora Julia Ducournau, Bernardo Freire combina opiniões sobre obras de diversos cineastas de renome com outras de artistas estreantes, originando autênticas descobertas. Sem deixar de parte as eventuais desilusões…

Desta forma, ao mesmo tempo que argumenta sobre as convulsões que nos fascinam na arte da narração – nomeadamente, as histórias e as suas mensagens simbólicas – desenvolve a sua experiência de ver e sentir cinema de uma forma relacionável, perspicaz, profunda, estruturada e coerente.

“Raw”, de Julia Ducournau, é uma das obras cinematográficas de eleição do crítico natural de Aveiro

Sem dúvida alguma, um convite de leitura mais do que imperdível para todos os amantes de cinema e a todos os que estejam dispostos a crescer na forma de ver, sentir e abraçar a beleza da sétima arte, sob as lentes do promissor crítico Bernardo Freire, imortalizada na seguinte epígrafe:

Se um milhão de pessoas virem o meu filme, eu espero que vejam um milhão de filmes diferentes.

Quentin Tarantino, sobre “Pulp Fiction” (1994)

Um obrigado ao Bernardo Freire por elevar a beleza da crítica de cinema na nossa família d’OBarrete e votos sinceros de imenso sucesso.

A todos os leitores que porventura desejem adquirir o livro, poderão fazer as suas encomendas aqui! Em alternativa, podem comprar em formato ebook aqui!

Tiago Ferreira

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