OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Desperta-me de noite

o teu desejo

na vaga dos teus dedos

com que vergas

o sono em que me deito

pois suspeitas

que com ele me visto e me

defendo

É raiva

então ciume

a tua boca

é dor e não

queixume

a tua espada

é rede a tua língua

em sua teia

é vício as palavras

com que falas

E tomas-me de foça

não o sendo

e deixo que o meu ventre

se trespasse

E queres-me de amor

e dás-me o tempo

a trégua

a entrega

e o disfarce

E lembras os meus ombros

docemente

na dobra do lenços que desfazes

na pressa de teres o que só sentes

e possuíres de mim o que não sabes

Despertas-me de noite

com o teu corpo

tiras-me do sono

onde resvalo

e eu pouco a pouco

vou repelindo a noite

e tu dentro de mim

vais descobrindo vales.

Maria Teresa Horta

Pintura de Max Ernst, “Os homens não saberão de nada” (1923)

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