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Porque A Arte Somos Nós

Existem alguns actores que por alguma razão tendemos a esquecer ou a falar pouco deles, não porque questionemos as suas qualidades ou capacidades de desempenho, mas porque, eventualmente, são tão bons que não é necessário acrescentar muito mais à sua presença no grande ecrã. Este senhor é um deles. Falo-vos desse grande actor que dá pelo nome de nascimento Denzel Hayes Washington Jr. (Denzel Washington).

Denzel nasceu há 65 anos em Mount Vernon, Nova Iorque, e frequentou o curso de jornalismo na Universidade de Fordham, tendo optado no entanto por se mudar para o curso de Teatro na mesma Universidade, que viria a concluir com êxito. Muda-se para Los Angeles onde se matrícula no American Conservatory Theater, tendo frequentado apenas o primeiro ano pois o apelo da representação era maior. Após esta primeira experiência em teatro, Denzel decide fazer jus das suas capacidades e inicia a procura pelo seu primeiro papel a sério em televisão ou cinema, o que, diga-se, não foi difícil.

Um jovem Denzel Hayes Washington Jr.

Depois de trabalhar durante algum tempo em séries televisivas de sucesso moderado, obtém o seu primeiro papel em cinema no filme de Michael Schultz, “Ninguém Diga Que Está Bem“, corria o ano de 1981. Seis anos mais tarde, e após contracenar com Richard Gere e Gene Hackman em “As Chaves do Poder” (de Sidney Lumet), Richard Attenborough oferece a Denzel o seu primeiro grande papel em “Grita Liberdade” onde desempenha o papel de Steve Biko, conhecido activista anti-apartheid sul-africano que viria a ser tornado mártir após morrer às mãos da polícia. Foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário, não tendo ganho.

Já em 1989 tudo muda quando, após abandonar a série televisiva “St. Elsewhere” (1982-1988) de que fez parte durante seis anos, Denzel participa no filme de Edward Zwick, “Tempo de Glória” onde vem a ganhar o Óscar de Melhor Ator Secundário pelo seu desempenho como soldado de um pelotão negro na guerra civil americana. Era apenas o início do reconhecimento do seu trabalho.

Em 1992, após rodar uma mão cheia de filmes com menor impacto na sua carreira, assume o papel de Malcolm X no filme biográfico com o mesmo nome e realização de Spike Lee. A crítica é unânime relativamente ao desempenho de Denzel e é pela primeira vez nomeado para o Óscar de Melhor Ator Principal, não o tendo ganho a favor de Al Pacino.

Em 1993, filma “Dossier Pelicano” com Julia Roberts e no mesmo ano faz parte desse filme marcante que deu pelo título de “Filadélfia“. Ao lado de Tom Hanks, que vence o Óscar de Melhor Ator Principal, Denzel assume o papel de advogado de um homem portador de HIV/SIDA que é despedido do seu emprego por esse mesmo motivo. Um desempenho à altura, sem direito a nomeação.

Denzel Washington no papel de Malcolm X

Em 1995 roda “Maré Vermelha” ao lado de Gene Hackman e também “Um Demónio Vestido de Azul“, e no ano seguinte “Coragem Debaixo de Fogo” com Meg Ryan ao seu lado, e também “Espírito do Desejo” com a saudosa Whitney Houston. Em 1999 é novamente nomeado para o Óscar de Melhor Ator com o filme “O Furacão“, biografia do boxer Rubin “Hurricane” Carter, não tendo ganho. Filma também nesse ano “O Coleccionador de Ossos” com Angelina Jolie.

O ano de 2002 viria a ser de consagração para Denzel, ao ganhar o Óscar de Melhor Ator em “Dia de Treino” (2001), onde assume o papel de um polícia que trabalha infiltrado, mas que aos olhos do seu novo colega não é propriamente o que parece ser. No entanto, e apesar da crítica valorizar o filme, o Óscar é algo inesperado, pois consideravam que Denzel já teria tido melhores desempenhos, para além do facto de o filme nem ser nomeado para a categoria de Melhor Filme, e o desempenho de Russell Crowe em “Uma Mente Brilhante” ser magnífico – ainda que este já tivesse ganho no ano anterior.

Em 2002 filma “John Q“, tendo no mesmo ano realizado e participado em “Antwone Fisher“, que viria a ser muito bem aceite pela crítica. Continua a sua carreira com “Homem em Fúria” com a participação de Dakota Fanning ainda criança, em 2004, e em 2006 “Infiltrado“, com Clive Owen e Jodie Foster a seu lado e Spike Lee uma vez mais na realização.

Em 2007, filma um dos seus melhores filmes, “Gangster Americano“, de Ridley Scott, onde assume o papel de um gangster líder de uma organização de extorsão e comércio de drogas. Um filme imprescindível. Ainda nesse ano, realiza e participa em “Debate Pela Liberdade“, também um filme biográfico que viria a ser muito bem aceite pela crítica.

“Dia de Treino” (2001)
“Vedações” (2016)

Em 2010, filma “O Livro de Eli” e em 2012 “Decisão de Risco“, onde viria a ser nomeado para o Óscar de Melhor Ator, rodando em 2014 o primeiro de dois filmes denominados “The Equalizer“, onde assume o papel de um operacional dado como morto e que faz justiça por mão própria quando assiste a injustiças que o rodeiam. O segundo filme seria filmado em 2018, e é o último creditado a Denzel até ao momento. Pelo meio viria novamente a realizar e participar em “Vedações“, em 2016, que viria também a ser muito bem aceite pela crítica e que o leva a nova nomeação para o Óscar de Melhor Ator e nomeação para Óscar de Melhor Filme do Ano.

Em suma, estamos perante um ator com grande versatilidade e presença no ecrã. Ao longo da sua carreira assumiu papéis variados e de grande exigência de representação, não tendo em momento algum desiludido os apreciadores de bom cinema. Foi nomeado por seis vezes ao Óscar de Melhor Ator Principal, tendo ganho por uma vez, e foi nomeado por duas vezes ao Óscar de Melhor Ator Secundário, tendo ganho por uma vez, e viu também um filme realizado por si ser nomeado ao Óscar de Melhor Filme do Ano.

Para já não falar dos três Globos de Ouro ganhos, e muitas outras nomeações e prémios ganhos no âmbito da sua já longa carreira. Está, certamente, no lote dos melhores atores que a sétima arte já teve ao seu serviço. Discreto mas marcante, como deve de ser. Impossível de esquecer.

Bons filmes. Protejam-se.

Jorge Gameiro

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