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Porque A Arte Somos Nós

Tal como a esmagadora maioria das animações da Disney, “Força Ralph” está realizado para apelar a todas as idades e gerações. Em particular, a premissa do filme está desenhada para todos aqueles que sentiram necessidade de mudança ou evolução. Quem já atingiu a maioridade sabe perfeitamente do que estou a falar, mas mesmo o público mais jovem, por entre a explosão de cores e mundos virtuais, vai conseguir identificar-se com uma ou outra personagem, nem que seja no sentido mais raso.

Ano após ano Ralph (John C. Reilly) esteve à margem da glória de Fix-It Felix (Jack McBrayer), o protagonista do seu jogo cuja missão é reconstruir tudo o que ele destrói. Preso e insatisfeito com as suas circunstâncias antagonistas, Ralph embarca numa jornada através de uma série de jogos arcade de várias gerações para provar que dentro de si está um verdadeiro herói. Alguns dos quais nunca tinham sido representados no grande ecrã.

Ora, uma boa jornada é medida pela qualidade dos obstáculos e pelas acções das personagens quando se vêem forçadas a superá-los. Com esse intuito, o realizador Rich Moore, que teve também influência na ideia base da história, sabe o que fazer e quando fazê-lo. Entre outras paragens, Ralph cruza-se com a dura Sargento Calhoun (Jane Lynch) no jogo de tiros em primeira pessoa Hero’s Dury, que é dura de roer, e com a mal-humorada, Vanellope von Schweetz (Sarah Silverman), do jogo Sugar Rush, sobre corridas de carros num cenário revestido de doçuras.

O caminho tem como destino a auto-descoberta e a realização de que apesar de estar programado para uma determinada função, isso não define quem ele é ou a sua atitude perante a situação (algo que Reilly procura explorar ao divergir o tom de voz ao longo do filme). As personagens referidas no parágrafo anterior têm, cada uma em sua medida, motivações na evolução de Ralph e as suas interações – primeiro reticentes, depois afáveis – são parte do entusiasmo da narrativa.

Contudo, o mundo expansivo de “Força Ralph” pode tornar-se num pau de dois bicos. Por um lado os estilos de animação são variados, o número de personagens extra é apreciável e o universo dos videojogos é palpável. Por outro, o excesso de detalhe é por vezes fator distrativo, convidando o espectador (em especial o mais novo) a apreciar mais o esplendor visual do filme do que propriamente tomar atenção às mensagens e conceitos que estão a ser originados pelos eventos da jornada e as acções das personagens.

Descrever “Força Ralph” como o “Toy Story: Os Rivais” (1995) da nova geração é conceptualmente aceitável, mas um esticão quando se fala de mérito. A atitude nostálgica dá-lhe pontos bónus e tem até o coração no lugar certo, no entanto, fica a sensação de que prima mais pela embalagem do que propriamente pelo seu íntimo – algo corriqueiro. Mas hey, para entretenimento familiar existem opções muito piores.

Bernardo Freire

⭐⭐⭐

IMDB

Rotten Tomatoes

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