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Porque A Arte Somos Nós

Vivemos, com ou sem “Ghibli”, em dias que exigem de muitos, uns mais do que outros, momentos de muita paciência e da procura por alguma calma e positividade que, quando confinados a um espaço, é difícil encontrar. Já lê-mos, ouvimos e vimos mil e uma coisas que pudemos fazer em casa. E a verdade, é que há um número infinito de atividades para ocuparmos o nosso tempo, que nos queixamos sempre de não ter, e que agora nos parece muito mais longo e demoroso de passar.

Quero apresentar mais uma lista, uma pequena lista, de animações que me são muito queridas e que têm um peso nostálgico muito grande na minha vida. Transmitem-me tranquilidade e é precisamente essa tranquilidade (ainda que curta) que pretendo passar para outros neste momento. Ofereço, então, uma “ementa” de cinco filmes Ghibli, para saborear pela primeira vez, ou para rever.

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Considero poucos os filmes que depois de assistir mais do que uma vez, me entreguem ainda mais magia do que quando os vi pela primeira vez. Deparei-me com a animação destes estúdios quando ainda era uma criança, e confesso que ainda os vejo e revejo inúmeras vezes, e a verdade é que me transmitem sempre algo de novo e que me fazem apaixonar de novo pela cultura do anime Ghibli.

Como sede em Tóquio, e fundado em 1985, os Estúdios Ghibli, têm como grandes pilares dois nomes da animação japonesa, Hayao Miyazaki e Isao Takahata. Desde 1985 já foram produzidos mais de 20 filmes que são conhecidos um pouco por todo o mundo. Estes possuem um enorme prestígio e são considerados por muitos, obras essenciais no mundo da animação.

1.º “Nausicaä do Vale do Vento” (“Kaze no tani no Naushika”), Hayao Miyazaki (1984) – Animação, Aventura, Fantasia

Uma animação de Hayao Miyazaki, feita ainda antes da criação dos Estúdios Ghibli, remota para um mundo fantástico cheio de criaturas fantásticas. Uma princesa, Nausicaa (Sumi Shimamoto), é a heroína da narrativa e tenta que duas nações não entrem em guerra.

É uma obra que aborda assuntos relacionados com o vínculo Homem e natureza, remetendo para assuntos como a poluição e a exploração. Como em outras obras, Miyazaki reflete, através de uma animação maravilhosa, sobre a harmonia do ambiente e a importância do ser humano no equilíbrio e manutenção desta mesma harmonia.

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2.º “Memórias de Marnie” (“Omoide no Mânî”), James Simone & Hiromasa Yonebayashi (2014) – Animação, Drama, Familiar

Uma película mais recente, das últimas a conterem o “selo” Ghibli Studios, de Hiromasa Yonebayashi. É uma narrativa, de certa forma poetizada,  sobre uma criança que viaja desde a cidade onde residia, até ao campo onde passa um período da sua vida, agora mais debilitada. A jovem Anna (Sara Takatsuki) é quem comanda a história.

Uma rapariga solitária e algo de pessimista. Com a mudança física na sua vida, conhece Marnie (Kasumi Arimura), uma personagem que espelha tudo aqui que Anna não é. É um filme com um toque de magia muito especial, que aquece o coração de todos e transmite uma esperança especial, esperança essa que não remete diretamente para uma felicidade “visível a olho nu”.

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3.º “A Viagem de Chihiro” (“Sen to Chihiro no kamikakushi”), Hayao Miyazaki (2001) – Animação, Aventura, Familiar

Conheço poucas pessoas que nunca tenham ouvido falar de Chihiro, ou de outra qualquer personagem bizarra que faça parte desta animação. Miyazaki oferece novamente uma história que marca toda uma geração. Foi o primeiro filme Ghibli que vi, e aquele que considero mais especial, o que me acompanhou e acompanha.

Uma obra que, depois de mais de 19 anos, continua a preludiar a minha vida e que me continua a transportar para fora da realidade, quando esta se torna difícil de suportar. Chihiro (Rumi Hiiragi), encontra-se longe dos pais, num universo desconhecido, onde habitam criaturas curiosas e no mínimo diferentes. Um conto mais do que completo, que guiará qualquer espectador, não apenas no decorrer da acção, mas para o resto de toda a existência.

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4.º “O Conto da Princesa Kaguya” (“Kaguyahime no monogatari”), Isao Takahata (2013) – Animação, Aventura, Drama

Baseado no conto popular japonês, “O Conto do Cortador de Bambu“, é o último filme da carreira de Isao Takahata, que faleceu cinco anos depois. É talvez, o filme que possui a animação mais deslumbrante e trabalhada de todas as obras Ghibli. Animação essa, que demorou cerca de cinco anos até estar concluída. Considerada a obra-prima da animação em 2013, “O Conto da Princesa Kaguya” descreve-nos a vida de Kaguya (Aki Asakura), uma princesa nascida a partir de uma cana de bambu. Uma fabulosa aventura que retrata o conflito entre o amor e a ganância.

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5.º “A Princesa Mononoke” (“Mononoke-hime”), Hayao Miyazaki (1997) – Animação, Aventura, Fantasia

Para além de uma história surpreendente, Joe Hisaichi é quem compõe para “Princesa Mononoke”: uma banda sonora assombrosa, que quando adicionada à narrativa de Miyazaki cria uma experiência cinematográfica mirabolante. A usura, a cupidez e o desrespeito pela Natureza e pelo próprio Homem, são alguns dos assuntos abordados ao longo da obra, que tenta demonstrar que, uma vez que se esgotam os recursos fornecidos pelo planeta, caminhamos para a nossa própria fatalidade.

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Todos os filmes salientados estão disponíveis (ou vão estar disponíveis) na plataforma Netflix, entre muitos outros, que valem a pena ser descobertos.

Protejam-se e protejam os outros.

Maria Moura Baptista

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