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Porque A Arte Somos Nós

No início do século o cinema de terror ocidental não estava muito saudável. No entanto, no Oriente o j-horror dava cartas. Uma das assombrações que mantém o seu impacto é “Ju-on: a maldição“, do cineasta e argumentista Takashi Shimizu, que em 2000 viu o seu filme ser lançado diretamente para vídeo. Dado o seu sucesso, não tardaram a chegar sequelas para o grande ecrã, totalizando uma saga de 12 produções, algumas japonesas, outras americanas. “The Grudge: Maldição” é a décima-terceira longa-metragem, e vem, apropriadamente, amaldiçoada.

Depois da morte do seu marido, a detetive Muldoon (Andrea Riseborough) decidiu mudar-se com o seu filho para uma pequena vila na Pensilvânia na esperança de recomeçar a sua vida. Em parceria com o detetive Goodman (Demian Bichir), Muldoon é imediatamente exposta a violência quando um cadáver é descoberto na floresta, que pode ou não estar relacionado com uma casa peculiar na vila. Enquanto Goodman desvaloriza qualquer conexão criminosa, a recém-chegada decide investigar, ligando o corpo a um horrível assassinato caseiro de uma família que tinha acontecido há anos atrás. Depois de entrar na casa, Muldoon é exposta a uma maldição fatal que infecta os sentidos até ao ponto de ruptura. À medida que percebe mais sobre as aparições, a detetive descobre outras pessoas envenenadas com os mesmos males e desespera por um desfecho.

Realizado e escrito por Nicolas Pesce, este projeto não foi de todo a aposta certa para o criativo. O seu início de carreira foi bastante interessante, tanto “Os Olhos da Minha Mãe” (2016) como “Piercing” (2018) mostraram que os seus instintos independentes na cena do terror não eram para ser desvalorizados. Contudo, perante o desafio de entregar algo acessível para um público-alvo mais generalista, a imaginação estagna, as tentativas de assustar são, ainda que vastas, infrutíferas, e, pior do que tudo, o aborrecimento domina.

O conceito inicial não foge daquilo que tem sido recorrente nos últimos 20 anos de maldições. Os fantasmas das pessoas que morreram transtornadas aterrorizam quem entra em contacto com o local da sua morte. O seu destino é uma morte violenta. É um vírus mortífero que “The Grudge: Maldição” não se esforça para inovar ou procurar conferir um sentido de redescoberta. Isto, aliado à fraca caracterização, faz com que o filme seja desinteressante e trace um mistério que, convenhamos, não provoca qualquer tipo de suspense.

Os atores estão investidos na história e Pesce não se envergonha nas alturas em que os visuais macabros atormentam a tela. Há até breves tentativas de incutir texturas dramáticas no filme, mas tudo demasiado ténue para que trespasse um pingo de empatia pelas personagens. E sem empatia, já se sabe, não há apego.

É a consequência de privilegiar uma série interminável de sustos baratos impostos pela produção em detrimento de uma história e sequências verdadeiramente arrepiantes.

Bernardo Freire

Rating: 1 out of 4.

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