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Porque A Arte Somos Nós

Tive ocasião de assistir ao vivo ao concerto dado pelos GNR na passada sexta-feira no Coliseu do Porto, no âmbito da iniciativa promovida pelo Banco Montepio a propósito do dia de S. Valentim: “Festival Montepio – Às Vezes O Amor”.

Ao longo dos anos de existência da banda nascida na cidade Invicta em 1980, fui assistindo aos seus espectáculos com maior ou menor regularidade, e a ideia que normalmente guardamos dos GNR é que, sem serem brilhantes, são cativantes! No entanto, como tudo, há um princípio, um meio e um fim. Para mim, infelizmente (ou não… tudo é relativo) a fase final dos GNR aproxima-se a passos largos.

Partindo de um efeito cénico bem conseguido ao nível de luzes e uma projecção de imagem pré-formatada de dimensões bastante aceitáveis, o concerto teve início com temas que puxaram pelo público de forma mais ou menos enérgica, mergulhando depois num período de acalmia com músicas mais centradas no último trabalho editado, “Caixa Negra”, e um ou dois temas originais, diria que completamente desconhecidos do público. Para que tudo voltasse a ganhar mais algum gás, foi necessário o regresso aos sons mais antigos. Parecia então que era o momento de aumentar a adrenalina, senão quando se fez uma curta pausa para entrar um piano em palco e voltarmos a uma fase mais ou menos acústica do concerto, que incluiu um medley de temas guardados há muito no baú. Novamente, o retomar de dois ou três temas de “cartaz” fez com que os ânimos se elevassem e… fim do concerto. Ficou guardado propositadamente para o encore Dunas, o hino maior e eterno da banda, e aí sim, comunhão do público com a banda (finalmente)! Mais dois temas e terminou definitivamente o concerto. The End. “Obrigado por terem vindo…

Não fiz praticamente nenhuma referência aos temas tocados, pois é fastidioso fazê-lo com uma banda de que praticamente todos temos a ideia de quais são os seus hits. Quem não tem presente, Efectivamente, Sangue Oculto, USA, Pronuncia do Norte, Mais Vale Nunca, Asas (numa versão muito interessante), Dunas, e por aí fora.

Rui Reininho começa a apresentar alguns problemas de segurança vocal. Bem sabemos que nunca foi propriamente um forte seu, no entanto, também sabemos que estas músicas não seriam a mesma coisa se não fossem cantadas por ele. Começa a ser difícil percepcionar a letra de alguns temas, o que não augura nada de muito bom. Toli Machado, o único membro da formação original, mantém os seus dotes musicais bem presentes, principalmente no piano. É sem qualquer dúvida o “mentor” da banda, o seu cérebro. Também Jorge Romão esteve no seu habitual, mantendo o seu baixo bem presente em todos os temas. O trio “original” fez-se acompanhar por mais dois músicos em palco: Samuel Palitos na bateria esteve muito bem e Rui Maia trouxe um novo “look” musical à banda através dos seus sintetizadores, fruto da sua experiência com outros músicos, introduziu novas sonoridades em alguns temas dos GNR, resultando num som mais dinâmico, recorrendo inclusive a alguns “backtracks“. De notar o excelente desempenho de Rui Maia com a guitarra em dois riffs de boa qualidade. Excelente músico.

Em suma, o concerto foi agradável, no entanto não foi entusiasmante. Diria que se tratou de uma soirée musical em que um grupo de amigos tocou umas coisas agradáveis, mas sem gerar muita confusão. As habituais notas de Rui Reininho entre os temas não foi suficiente para disfarçar um, em minha opinião, excessivo abrandamento de ritmo. Esteve entre o morno e o ligeiramente quente, não mais que isso. Isso notou-se no final do espectáculo, onde ninguém estava verdadeiramente entusiasmado, apenas agradado.

Aguardemos por novos capítulos desta banda excepcional que já leva 40 anos de estrada.

Bons sons.

Jorge Gameiro

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