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Porque A Arte Somos Nós

Considerado como o último representante vivo da “Era Dourada” do cinema norte-americano, morreu na última quarta-feira, dia 5 de Fevereiro, Kirk Douglas, com 103 anos de idade. Homem que deixou não só uma marca indelével na Sétima Arte, como se destacou como pessoa, através do seu gosto pela ajuda ao próximo por via dos seus projectos filantrópicos.

No cinema, Kirk Douglas destacou-se pela sua forma impulsiva de representar, até um pouco agressiva, incutindo sempre uma elevada carga emocional aos personagens que desempenhava. Para além disso, era um indivíduo com uma excelente imagem, emprestando sempre um cunho de galã aos papéis que desempenhava. Tendo creditados na sua carreira perto de cem filmes, o ator ingressa no mundo do cinema em 1946 após ser dispensado da sua carreira militar dois anos antes na sequência de ferimentos de que, involuntariamente, foi vítima. Com a ajuda de Lauren Bacall, é integrado no elenco de “O Estranho Amor de Martha Ivers“, ficando logo claro o talento nato de Kirk para a representação, tal a naturalidade que incutiu ao papel que lhe foi destinado. No ano seguinte filma com Robert Mitchum e Jane Greer, “O Arrependido“. Em 1949, aceita um grande desafio e protagoniza o papel de um boxer problemático em “O Grande Ídolo“, a sua oitava película. Este papel revela-se de extrema importância na sua carreira pois constituía uma grande prova para o ator, que a superou com distinção. Em 1950, desempenha o papel de músico de jazz junto de Lauren Bacall e Doris Day em “Duas Mulheres, Dois Destinos“.

Dois anos mais tarde trabalha com Vincente Minnelli em “Cativos do Mal” e a película revela-se mais um êxito para Kirk Douglas. Em 1954 nova obra de referância, “Vinte Mil Léguas Submarinas“, onde contracena com James Mason. Já em 1957 filma com o realizador Stanley Kubrick uma das suas obras de referência, “Horizontes de Glória“, em que Kirk desempenha o papel de um comandante que em plena guerra tem que defender os seus homens após estes serem acusados de insubordinação por não atacarem uma posição inimiga. Mais tarde, e após participar em alguns westerns, volta a trabalhar com Kubrick para filmar mais uma obra de referência da sua carreira, “Spartacus“. O ator desempenha o papel de um escravo que lidera um movimento de revolta contra o poder romano instituído à época. Um épico de mais de três horas em que contracena com Laurence Olivier, Jean Simmons e Peter Ustinov entre outros. Brilhante. Em 1962, filma um western de grande sucesso, “Fuga Sem Rumo“, e em 1965 regressa aos filmes de guerra com “Os Heróis de Telemark“. Já numa fase mais madura da sua carreira, filma em 1969 com Elia KazanO Compromisso“, em que trabalha com Faye Dunaway, tendo tido um sucesso relativo. Mais tarde, em 1978 filma com Brian De PalmaA Fúria“, e em 1980 volta à II Guerra Mundial com “A Contagem Final“, onde contracena com Martin Sheen. A partir daqui, Kirk começa a participar com maior regularidade em filmes e séries televisivas, tendo creditado a sua última participação em cinema no filme de 2004 “Illusion“, de Michael A. Goorjian.

Kirk Douglas foi nomeado por três vezes para o Óscar de Melhor Ator nos filmes “O Grande Ídolo” (1949), “Cativos do Mal” (1952) e “A Vida Apaixonada de Van Gogh” (1956), não tendo ganho em nenhuma das ocasiões. Mais tarde, em 1996, é-lhe atribuído um Óscar honorário pelos seus 50 anos de carreira e por tudo o que deu à Sétima Arte. Merecidíssimo. Na sua vida privada, foi casado por duas vezes, tendo o segundo casamento durado mais de 60 anos. Do primeiro casamento surgiram Michael, ator por todos nós conhecido e reconhecido, e Joel, produtor. Do segundo casamento surgiram Peter, produtor cinematográfico e Eric, ator entretanto falecido em 2004 vítima de uma overdose de drogas e álcool. Como já referi no início deste artigo, Kirk Douglas dedicou os seus últimos 20 anos de vida ao filantropismo, tendo em conjunto com a sua mulher Anne Buydens, duado muitos milhões de dólares para estabelecimentos de ensino e instituições de saúde, nomeadamente na área da Doença de Alzheimer, e na ajuda a crianças. Sobreviveu a um acidente de helicóptero quase que por milagre e converteu-se ao judaísmo.

Homem de personalidade forte e firmes convicções, deixa-nos sem qualquer sombra de dúvida um magnífico legado. Não apenas no mundo do cinema, mas também como personalidade distinta que se manteve ativa praticamente até ao momento da sua morte.

Bem hajas Kirk Douglas. Descansa em Paz.

Jorge Gameiro

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