O BARRETE

Porque A Arte Somos Nós

Em qualquer atribuição de prémios em que se distingue os, supostamente, melhores de uma determinada área, a discussão em torno do merecimento dos mesmos é inevitável, e com os Óscares atribuídos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (fundada nos Estados Unidos da América em 1927, na cidade de Los Angeles) não é diferente!

Não é meu objectivo trazer à discussão o filme A ou o ator B para dissecar quem merecia a distinção, mas sim perceber como funciona na verdade a atribuição dos Óscares.

Todos nós sabemos como ao longo do tempo a importância dada à atribuição das estatuetas foi aumentando na exata medida em que os lucros de bilheteira também foram aumentando. As grandes produtoras cinematográficas perceberam que era (é) compensador investir milhões na busca do “reconhecimento” de um determinado filme (com vista aos lucros que daí advêm), ainda que o mesmo possa ser totalmente despido de conteúdo. O que interessa é a embalagem. A indústria movimenta-se em torno de muitos milhões e a atribuição dos Óscares é apenas uma parte da estratégia.

Durante anos a Academia focou-se apenas na produção cinematográfica americana, que nem é a maior à escala global, desprezando o que era produzido fora da grande América. Mais tarde alguém fez ver aos seus ilustres membros que existia cinema para além das suas fronteiras e lá criaram uma categoria para o cinema produzido fora do circuito americano, em 1957 mais precisamente. Já para não falar da segregação que foi apanágio da mesma Academia durante muitos anos, tendo sido atribuído o primeiro Óscar a um ator negro a Sidney Poitier, como Melhor Ator Principal, em 1963, 34 anos após o começo da atribuição dos prémios! Ainda hoje estamos para entender quais são os critérios que regem as escolhas dos membros que compõem o júri da Academia que atribui os prémios nas várias categorias…

Tendencialmente, temos verificado que “Grande” é sinónimo de Óscar, e como tal, salvo raras excepções, os grandes realizadores contemporâneos têm apostado em trabalhos de larga escala visual para impressionar o público e… os júris da Academia, tirando daí o fruto desejado – sendo também recorrente o recurso a temas mediáticos para conquistar o coração do público. Apesar disso, nem tudo é mau. O desempenho dos atores e das atrizes tem sido exemplar, embora muito dependente das “máquinas” de promoção dos filmes em que participam, não esquecendo que as técnicas de produção cinematográfica têm tido um crescimento absolutamente fantástico.

Hoje, falar de Óscares é falar de passadeira vermelha. Desfiles mais ou menos pacóvios de exibição de guarda-roupa patrocinado pelo costureiro “tal”, ou os sapatos concebidos pelo designer “não sei quantos”. É falar de milhões de entrevistas, muitas delas sem qualquer conteúdo, em torno da possibilidade de receber um determinado prémio. É falar, muito, de quem vai, ou não, apresentar o espectáculo. É fazer apostas do que irá dizer fulano se ganhar um Óscar. E, mais importante que tudo isto, é falar de audiências de milhões, muitos milhões, de espectadores por esse mundo fora. Muita publicidade…muitos, mas mesmo muitos, milhões de dólares!

Em suma, não sei se os Óscares foram e serão bem ou mal atribuídos, pois cada um de nós tem uma visão diferente das obras cinematográficas que vai assistindo ao longo da vida. No entanto, de uma coisa tenho a certeza, a cerimónia de atribuição dos Óscares, e eles próprios, são e continuarão a ser, um enorme negócio “à americana”, que nós, amantes da Sétima Arte continuaremos a alimentar sem nunca perceber na verdade como funcionam…

Bons filmes.

Jorge Gameiro

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