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Numa lista elaborada pela Indiewire, 32 realizadores, entre os quais Martin Scorsese ou Gaspar Noé, escolhem cada um o seu filme de terror/horror favorito. Alguns deles podem ser boas surpresas, outros são já velhos conhecidos, tal como “O Exorcista” (1973) ou “Alien – O 8.º Passageiro” (1979). Os seleccionados foram:

1.º Robert Eggers: “Nosferatu, o Vampiro” (F.W. Murnau, 1922)

Sobre este filme, Eggers afirma que “foi um horror indie à sua época, mas é um dos melhores e mais assustadores filmes já feitos”. O cineasta acrescenta que apesar das impressionantes versões a côr da obra, este prefere a clássica preto e branco.


2.º Josephine Decker: “Suspiria” (Luca Guadagnino, 2018)

O seu mistério é físico. A sua dança é política. Vai em milhões de direcções diferentes, e meses depois, não consigo parar de pensar nisso mesmo – como em qualquer filme que não “termina” quando este chega ao fim.” – Josephine Decker à Indiewire


3.º Guillermo del Toro: “Olhos Sem Rosto” (Georges Franju, 1960)

“[o personagem principal] é como um morto-vivo da Audrey Hepburn. Isso influenciou-me bastante no contraste entre a beleza e a brutalidade. O choque de imagens assustadoras e encantadoras raramente tem sido mais poderoso. [o filme] possui também uma banda-sonora extraordinária – de Maurice Jarre.” – Guillermo del Toro à Criterion


4.º Quentin Tarantino: “Anjo ou Demónio” (Takashi Miike, 1999)

Apontado como um dos filmes mais perturbadores alguma vez feitos, Quentin Tarantino descreveu-o, numa entrevista em 2009, como uma “verdadeira obra-prima”, e um dos seus favoritos desde que este é realizador.


5.º Martin Scorsese: “Os Inocentes” (Jack Clayton, 1961)

Segundo o cineasta italo-americano, “esta adaptação de Jack Clayton [do livro] ‘The Turn of the Screw’ é uma das raras obras que fazem justiça [ao escritor] Henry James. É lindamente trabalhada e representada, imaculadamente filmada [por Freddie Francis], e muito assustadora.


6.º Edgar Wright: “A Dança da Morte” (Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Basil Dearden, Robert Hamer, 1945)

Edgar Wright revelou, em outubro de 2017, uma lista com os seus 100 filmes de horror favoritos. Um deles é este “A Dança da Morte”, uma obra de antologia composta por quatro curtas-metragens, realizadas pelos cineastas Alberto Cavalcanti, Charles Crichton, Robert Hamer e Basil Dearden.


7.º David Lowery: “Hereditário” (Ari Aster, 2018)

O primeiro filme de Ari Aster é um dos mais assustadores que alguma vez vi. Fiquei traumatizado. Questionei-me se o filme seria realmente muito brutal. A única maneira de o descobrir, é claro, era arrastar o máximo de amigos que conseguisse para vê-lo [o filme] quando este estreou algumas semanas depois. Talvez tenha sido graças aos gritos dos meus amigos, mas desta vez eu não conseguia parar de rir. Que filme perverso.” – David Lowery à Indiewire


8.º Ari Aster: “Clímax” (Gaspar Nóe, 2018)

O Gaspar [Nóe] é milagrosamente bom a sustentar humores opressivos que parecem que estás a ter uma ‘bad trip’, e a coisa mais importante para nós era conseguir sustentar essa ‘vibe’, porque os sintomas persistem durante muito tempo no nosso filme, e não queríamos que estes se tornassem desagradáveis.” – Ari Aster à Indiewire


9.º Jordan Peele: “Misery – O Capítulo Final” (Rob Reiner, 1990)

Adaptação do livro com o mesmo título, de Stephen King, Jordan Peele afirma que este filme é aquele em que “o vilão improvável acaba por ser o mais assutador”. O cineasta acrescenta que “é um filme em que a atuação, a performance, o guião e o diálogo” são os elementos onde se centra o medo da obra.


10.º Jennifer Kent: “Massacre no Texas” (Tobe Hooper, 1974)

Eu olho para um filme mais antigo como o ‘Massacre no Texas’, o original, e isso é uma obra-prima. Está a querer dizer algo mais profundo sobre a humanidade. Para mim, é como um animal se deve sentir no abate. Algumas pessoas identificam-se com o Leatherface (Gunnar Hansen), mas eu identifico-me com as vítimas. Há algo tão bruto e grosseiro que percorre este filme de uma forma realmente óptima. É um filme genial. Ainda é chocante.” – Jennifer Kent à Shutterstock


11.º Luca Guadagnino: “A Mosca” (David Cronenberg, 1986)

Obra-prima de todos os tempos. O horror para mim é no final, quando percebes que os personagens de Jeff Goldblum e de Geena Davis se amam desesperadamente, mas eles não vão ficar juntos. O horror final daquele filme [“A Mosca”] foi a impossibilidade do amor entre eles os dois.” – Luca Guadagnino à Vulture


12.º Sam Raimi: “A Noite dos Mortos-Vivos” (George A. Romero, 1968)

Eu realmente nunca estive com aterrorizado na minha vida. Eu estava a gritar e a tremer, implorando à minha irmã para me levar para casa, e ela estava a tentar calar-me. Eu nunca tinha experenciado um horror daqueles antes. Parecia tão real, como um ‘docu-horror’. Eu nunca tinha visto um filme a preto e branco numa sala de cinema antes; parecia um documentário. Não havia nada de Hollywood naquilo – era apenas uma completa loucura implacável, e muito perturbadora para mim.”– Sam Raimi à Den of Geek


13.º Anna Biller: “A Vítima do Medo” (Michael Powell, 1960)

Neste horror psicológico, o ‘serial-killer’ Carl Boehm (Karlheinz Böhm) utiliza uma câmara para captar todos os seus assassinatos. À Vulture, a cineasta justifica a sua escolha dizendo que este é “um filme terrorífico, mas o que mais me excita é a forma como este capta a essência do cinema e revela que somos todos Peeping Toms quando vamos ver um filme – qualquer filme.


14.º Christopher Nolan: “Alien – O 8.º Passageiro” (Ridley Scott, 1979)

Um realizador de quem eu sempre fui fã… Ridley Scott certamente, quando eu era miúdo. ‘Alien, ‘Blade Runner: Perigo Iminente’ (1982), surpreenderam-me porque estes criaram mundos extraordinários que eram completamente imersivos.” – Christopher Nolan à Media Company


15.º Andy Muschietti: “Depois do Anoitecer” (Kathryn Bigelow, 1987)

Foi um grande avanço. Estes são tipo vampiros ‘trash’, vagueando numa autocaravana, e essa mistura de ‘americana’ com ocidente, e vampiros ‘trashy’, foi realmente alucinante para mim. Eu nunca tinha visto nada assim. Há muito humor negro nisso [no filme]… A forma como os vampiros brincam com as suas vítimas é assustadora.” – Andy Muschietti à Shortlist


16.º James Wan: “Os Outros” (Alejandro Amenábar, 2001)

Tendo como figura principal Grace, papel interpretado por Nicole Kidman, “Os Outros” marcou o realizador malaio James Wan. Segundo este, em declarações ao Hollywood Reporter, o filme de Alejandro Amenábar é “requintadamente fotografado, trabalhado, e à moda antiga”.


17.º Ana Lily Amirpour: “Anticristo” (Lars von Trier, 2009)

Quando este [o filme] saiu, só ouvia falar da histeria acerca da cena da tesoura e do clitóris, e quando eu vi o filme, essa foi a coisa menos chocante para mim. A cena com o corvo na trincheira, com o [Willem] Dafoe a tentar matá-lo – isso lembrou-me um sonho ansioso que tive, como um ‘déjà vu’ das minhas próprias emoções. O Lars [von Trier] é corajoso na forma como é íntimo nos seus filmes.” – Ana Lily Amirpour à Criterion


18.º Bo Burnham: “Raw” (Julia Ducournau, 2016)

Um filme que conta a história de uma jovem rapariga vegetariana que fica obcecada por carne após experimentar a mesma pela primeira vez. Ao Rotten Tomatoes, Bo Burnham afirmou que viu “três vezes o filme nos cinemas”, não tendo acreditado que aquele era uma estreia. “Faz sentir que os mestres são capazes de realmente manipular um público, batida a batida, para te fazer sentir que estás a ser perfeitamente manipulado, e apenas estás nas mãos de alguém que tem completo controlo sobre ti.” – Bo Burnham


19.º Eli Roth: “Creepshow: Contos de Terror” (George A. Romero, 1982)

O filme, contado em cinco histórias, foi projetado para parecer uma história aos quadradinhos [BD], mas é assustador. E nojento. E muito, muito divertido. Para além disso, é uma antologia, de forma a que não tens de prestar atenção, e se não estiveres muito na história, uma nova irá aparecer passados 10 minutos. Um elenco espetacular, um argumento incrível, uma maquilhagem brilhante, e diversão sem parar. Um filme de terror muito subestimado.” – Eli Roth à Today


20.º Ben Wheatley: “No Céu Tudo É Perfeito” (David Lynch, 1977)

O senhor das trevas dos filmes de meia-noite. Os filmes de [David] Lynch são assustadores de uma maneira que os filmes de terror modernos raramente são. Ele fala diretamente para a criança intrínseca em mim, para os pesadelos de quando tinha sete anos de idade. É uma experiência cinematográfica singular. Eu lembro-me de ver isto todas as vezes que estava em exibição em Londres.” – Ben Wheatley à Criterion


21.º William Friedkin: “Brincadeiras Perigosas” (Michael Haneke, 1997)

O realizador do clássico de terror “O Exorcista” (1973), afirmou à Entertainment Weekly a propósito dos seus 13 filmes favoritos de horror, que “Brincadeiras Perigosas” é “provavelmente o filme mais assutador da lista, porque envolve dois rapazes numa vila rural que aterroriza uma família na sua própria casa.” Acrescentando que este “é o tipo de coisa que se vê nas notícias muitas vezes. Existe a possibilidade de isto realmente acontecer.


22.º James Gunn: “Green Room” (Jeremy Saulnier, 2015)

Em 2017, o realizador de filmes como “Guardiões da Galáxia” (2014) ou “Slither – Os Invasores”, publicou na sua conta do Twitter uma lista dos seus 50 filmes de horror favoritos. “Green Room” ocupava a posição seis, destacando-se no meio de clássicos como “O Tubarão” (Steven Spielberg, 1975).


23.º Gaspar Noé: “Um Cão Andaluz” (Luis Buñuel, Salvador Dalí, 1929)

A cena inicial do pequeno filme, com o Buñuel a cortar o olho de uma mulher – mesmo no ‘close-up’, eles trocaram o olho da mulher por um olho de uma vaca – é tão chocante que eu desejava estar entre o público, se não pudesse estar atrás do próprio Buñuel. Se eu pudesse ver a reacção, tenho a certeza de que as pessoas nunca ficariam mais aterrorizadas na história do cinema do que aquela primeira audiência.” – Gaspar Noé ao Rotten Tomatoes


24.º John Carpenter: “O Exorcista” (William Friedkin, 1973)

Sabes o que é assutador no ‘Exorcista’? Toda a gente sabe o que é assutador naquele filme. É o demónio. A primeira vez que o vi [o filme], pensei, para ser realmente eficaz, este filme requer uma crença num poder superior. Mas desde então tenho vindo a apreciar pelo o que realmente é. Eu vi-o recentemente de novo e fiquei surpreendido pela sua intensidade. As coisas que eles fizeram na altura, com esta pequena rapariga, serviu para quebrar um monte de taboos.” – John Carpenter à The Fader


25.º Karyn Kusama: “Habit” (Larry Fessenden, 1995)

Lembro-me de ver este filme quando saiu pela primeira vez em meados dos anos 90, e de ser atingida pelas suas narrativas gémeas: a história de um homem possivelmente envolvido num romance com um vampiro e, mais profundamente, a história de um homem que entra numa espiral catastrófica de alcoolismo. O filme é um companheiro temático incrível de ‘Os Viciosos’ [filme de 1995], de Abel Ferrara.” – Karyn Kusama à Nylon


26.º Patrick Brice: “BZ – Viagem Alucinante” (Adrian Lyne, 1990)

Na altura de escolher o seu filme de terror favorito, Patrick Brice não teve dúvida, “BZ – Viagem Alucinante” é “uma das jóias subestimadas do horror”. À Mental Floss, o cineasta acrescenta que “há momentos no filme que usam efeitos práticos e na câmara para causar sustos que estão para além da compreensão”. A obra realizada por Adrian Lyne retrata um veterano da guerra do Vietnam (Tim Robbins) que é assombrado por alucinações.


27.º André Øvredal: “O Fenómeno” (Tobe Hooper, 1982)

“Tem uma filosofia acerca dos seus próprios assuntos, não tentando apenas aproveitar essas oportunidades para um susto. É também extremamente próximo dos seus personagens. Ficas a conhecê-los e a querer saber deles, logo rapidamente temes por eles. Penso que a criação do filme é bastante inteligente, visualmente estimulante, e conta a história com uma dose surpreendente de humor, o que apenas contribui para o horror e para o sentido de realidade.” – André Øvredal à Mental Floss


28.º Tim Burton: “O Sacrifício” (Robin Hardy, 1973)

É como que um musical estranho. Este é realmente um dos filmes favoritos que o próprio Christopher Lee fez… Não foi um filme que quando saiu teve sucesso, mas é realmente é um filme hipnótico e incrível, eu acho. É como que um sonho estranho. Alguns deste filmes eu não consigo ver [de novo], porque eles brincam com a tua mente como um sonho. Isso faz-me lembrar crescer em Burbank. À superfície as coisas são bastante normais, mas de aprofundarmos mais não são o que parecem. Achei este filme uma mistura muito estranha; os elementos são muito bizarros.” – Tim Burton ao Rotten Tomatoes


29.º Pedro Almodóvar: “Arrebato” (Iván Zulueta, 1979)

É um conto fantástico sobre auto-imolação, de dedicação tanto à heroína como ao cinema, sendo o começo e o fim de tudo, e o lado sombrio como sendo a única possibilidade de auto-realização e autoconhecimento. ‘Rapture’ é um filme ‘amaldiçoado’ que ninguém viu à época e que agora é um clássico moderno absoluto.” – Pedro Almodóvar ao British Film Institute


30.º Jim Jarmusch: “American Psycho” (Mary Harron, 2000)

Uma adaptação magistral das palavras para o cinema por parte de Mary Harron, uma importante realizadora e escritora americana. Isto [o filme] foi adaptado do romance de Bret Easton Ellis, de 1991, que tem acção nos anos 80. E acho que o filme tem ainda mais impacto agora do que quando foi feito há quase 20 anos. Embora à época fosse apelidado por alguns de porcaria sexista. A performance de Christian Bale é brutalmente fascinante, e todo o elenco – Willem Dafoe, Chloe Sevigny, Reese Witherspoon e Jared Leto – são todos muito bons.” – Jim Jarmusch ao Rotten Tomatoes


31.º Ti West: “Shining” (Stanley Kubrick, 1980)

Foi o primeiro filme que vi em criança que realmente me deixou traumatizado. O que eu acho que é excelente é não ser apenas um filme de horror, mas um filme sobre um homem alcoólico que odeia a sua família, e depois sim é um filme de horror.” – Ti West ao Rotten Tomatoes


32.º Rob Zombie: “28 Dias Depois” (Danny Boyle, 2002)

Eu achei óptimo. Não sei até que ponto [Danny Boyle] é creditado por isso, mas a ‘zombiemania’ que se passa com toda a gente, ninguém conseguiu realmente perceber o que fazer com os filmes de zombies. Toda a gente estava a repescar o que o George Romero estava a fazer. E ele [Danny Boyle] foi a primeira pessoa a fazer uma nova abordagem, que surgiu como um género estagnado, e eu nunca pensei realmente nisso até ter visto o filme.” – Rob Zombie à Vice

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