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Porque A Arte Somos Nós

Na madrugada do dia 5 de Outubro do ano de 2019, data em que o nosso país comemora os 109 anos da Implantação da Republica, eu embarquei na minha primeira viagem de avião e rumo à Suíça. Tratou-se de uma surpresa de aniversário que guardarei para sempre na minha memória. Esta viagem permitiu-me ir conhecer a localidade de Gruyères, uma vila medieval à qual me desloquei com o principal objetivo de visitar o museu do meu pintor favorito: H.R.GIGER.

Outros locais de interesse que acabei por visitar foram o castelo de Gruyères, a montanha Moléson, que é uma estância de esquie, a fábrica de queijo de Gruyères, e alguns locais de interesse como a Maison Cailler em Broc, a fábrica de chocolate da conhecida marca de chocolates CAILLER, La Grotte aux fées (“A Caverna das Fadas” em português). Esta possui a cachoeira subterrânea mais alta do mundo, com 77 metros de altura, e fica localizada nas falésias acima do castelo de Saint-Maurice no cantão de Valais, banhada pelo maior lago da Europa Ocidental: Lac Léman. Nas margens norte, oeste e leste o nosso olhar é atraído para o notável Mont Blanc (“Monte Branco” em português). Este cume maciço visível por toda a região e situado nos Alpes Gaios (4810 metros de altitude) é a maior fronteira franco-suíça excedendo territórios como Itália, França e o cantão de Valais, na Suíça.

Montreux é conhecido pelos seus hotéis de luxo, pela sua extravagância e por ter sido residência para muitas estrelas famosas do mundo do cinema e da música, como Freddie Mercury, cuja imponente estátua do falecido ícone da banda britânica Queen pode ser observada por quem pretende desfrutar de um relaxante passeio junto ao lago. Também o cineasta Charlie Chaplin, que foi um dos pioneiros do cinema mudo, viveu parte da sua vida em Montreux e também possui uma estátua excepcional em sua homenagem. Outras personagens importantes do mundo das artes também viveram aqui, como por exemplo a célebre escritora Mary Shelley, que ganhou fama pelo seu romance gótico, “Frankenstein: ou O Moderno Prometeu” (1818), e outros escritores célebres como Graham Greene, Ernest Hemingway, e Vladimir Nabokov. No que toca à música, o Montreux Jazz Festival abriu as suas portas ao público em 1967 e conta todos os anos com uma nova edição. Fundado por Claude Nobs, Géo Voumard e René Langel, este festival de jazz é o mais conhecido de todo o mundo, onde já actuaram artistas como B.B. King, Chuck Berry, Muddy Waters, Miles Davis, Albert King, Ella Fitzgerald, Bonnie Raitt, Leonard Cohen, Carlos Santana, Mike Oldfield, entre muitos outros nomes. Um facto curioso leva-nos a 1982, aquando o virtuoso guitarrista Stevie Ray Vaughan foi vaiado pelo público do festival durante a sua actuação, mais precisamente durante a performance do tema Texas Flood. Numa declaração à prestigiosa revista de música, Guitar World, Stevie Ray Vaughan afirmou não ter a certeza de como seria aceite.

Outro local de interesse que acabei por visitar em Montreux foi o Château de Chillon, popularmente conhecido pela sua ligação histórica ao período da caça às bruxas na Suíça. Uma história que inspirou o poeta britânico Lord Byron a escrever a sua obra, “The Prisoner of Chillon” (1816). A minha viagem por entre castelos e montanhas, vales verdejantes e chalés suíços levaram-me a Gstaad, um vilarejo muito discreto situado nos Alpes (1050 metros acima do nível do mar) no cantão de Berna. Gstaad é residência para muitos bilionários e famosas personalidades do mundo das artes, que aqui procuram ter uma vida tranquila longe dos holofotes da comunicação social. Em Gstaad habitaram personalidades como Brigitte Bardot, Roger Moore, Elizabeth Taylor, Richard Burton, Madonna, Grace Kelly, Alberto II do Mónaco, Roman Polanski, o Marechal Bernard Montgomery, entre outros. Gstaad também é conhecido pelas suas famosas e exclusivas atividades ao ar livre, como excursões de barco, desportos aquáticos e as suas famosas estações de esqui.

Gruyères está localizado no topo de uma colina verdejante no coração da Suíça desde o século XIII. O castelo, um dos mais prestigiosos do país, hoje, abriga inúmeras colecções de artistas que testam a sua arquitetura, história e cultura. Desde as suas muralhas aos jardins franceses, da torre de menagem aos salões românticos, o castelo oferece ao visitante uma inesquecível viagem no tempo através de oito séculos de história. Aqui, no Château St. Germain, na cidade medieval murada de Gruyères, o HR Giger Museum abriu as suas portas em junho de 1998, tornando-se o lar permanente para muitas das obras mais importantes do artista com mesmo nome, incluindo pinturas, esculturas, desenhos e filmes. O piso superior dos quatro níveis do edifício possui uma parte da sua colecção privada dedicada à arte fantástica, sendo que desde a sua abertura todos os anos o museu organiza exposições temporárias de outros artistas contemporâneos tais como Pedro de Kastro, Martin Schwarz, Vali Myers, Paul Booth, Sibylle Ruppert, Prof. Ernst Fuchs, Günter Brus, bem como outras obras de muitos outros artistas. Em 1999, para ajudar a ampliar a apreciação de arte dos visitantes mais jovens, Giger inaugurou um espaço de exposição de três quartos na ala adjacente, o Museu Giger Galeria. Lá, Giger apresentou trabalhos do Prof. Ernst Fuchs, Hans Bellmer, Fred Knecht, Stelio Diamantopoulos, Claude Sandoz, François Burland, Victor Safonkin, entre outros. Desde a sua abertura, a planta do museu concebida pelo artista passou por várias fases, desde a sua primeira ideia que passava pela construção de uma carruagem totalmente funcional com assentos para os visitantes, até a um elevador que permitia aceder aos três níveis do edifício.

Atualmente, este edifício de três andares tem várias galerias, incluindo uma dedicada aos desenhos e pinturas que Giger criou para o filme de ficção científica surrealista de 1979, “Alien – O 8.º Passageiro“, “Alien 3 – A Desforra” (1992), “Prometheus” (2012), e “Alien: Covenant” (2017). Numa outra galeria estão expostos desenhos, pinturas e projetos de mobiliário que Giger criou para o filme “Duna” (1984), mas que nunca passou do papel, incluindo um conjunto completo de mesa, espelhos e uma cadeira que o artista criou para o Barão Harkonnen. Ao mesmo tempo, na ala adjacente existe ainda uma galeria onde estão expostas algumas das criações mais importantes na carreira do artista, “The Spell” (1974-1977). Desde a entrada no átrio do museu, na bilheteira, ao mobiliário no interior do HR Giger Bar: o resultado de um projeto original do artista, integrando elementos do universo biomecânico adaptado a um estilo gótico e surrealista que certamente não irão encontrar em mais nenhum lugar do mundo.

Miguel Mendes

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