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de mau a pior #2

A mais conhecida e notável longa-metragem do norte-americano Neil Breen, tornou-se um ponto de referência no cinema independente dos últimos anos. Com estreia em 2012, o seu terceiro filme tem sido aclamado como um dos piores filmes de sempre, colocando Neil Breen por entre os lendários mestres do “so bad it’s good“, Ed Wood e Tommy Wiseau. “Fateful Findings” é principalmente criticado pelo enredo incompreensível, péssimos valores de produção, mensagens políticas fúteis, diálogos e desempenhos bizarros. Contudo, foi este o filme que levou Neil Breen ao estrelato, sendo agora uma figura de culto. A sua filmografia conta com cinco longas-metragens e um documentário. Tudo financiado, escrito, produzido, editado, realizado e protagonizado pelo próprio Neil Breen.

As duas crianças, Dylan (Jack Batoni) e Leah (Brianna Borden), descobrem uma pedra mágica na floresta. Com a partida da família de Leah, os dois juram ser sempre amigos, porém nunca mais se voltam a ver. Décadas depois, Dylan (Neil Breen), agora um romancista de sucesso, é brutalmente atropelado por um carro, mas por milagre sobrevive. No hospital, ele recupera rapidamente dos ferimentos ao usar o poder da pedra que encontrara na infância. Já em casa, Dylan revela à sua mulher, Emily (Klara Landrat), que não está a trabalhar num novo livro, mas sim a usar os seus talentos de hacker para descobrir “os mais secretos segredos do governo“.

O realizador e ator Neil Breen a interpretar o personagem Dylan

Numa festa em sua casa, Dylan reencontra Leah (Jennifer Autry). O seu compromisso com o projeto é testado pelo vício e eventual overdose de Emily, bem como pela constante atenção sexual por parte da enteada menor de idade do seu melhor amigo Jim (David Silva). Mais tarde, o próprio Jim é assassinado pela sua esposa Amy (Victoria Viveiros), por valorizar mais o seu carro do que a ela. Perturbada, ela encena a sua morte como um suicídio. Dylan não acredita que Jim cometeu suicídio, por mais que queira, pois não consegue ajudá-lo desta vez.

Atormentado por pesadelos, Dylan começa a ir a um psicólogo, que o ajuda a desenterrar memórias reprimidas de infância. Sabendo sobre os planos de Dylan em denunciar o governo, um misterioso assaltante sequestra Leah. Usando os seus poderes psíquicos concedidos pela pedra, Dylan resgata-a via teletransporte. Na sua última visita ao psicólogo, o nosso personagem principal descobre que a psicóloga é, na verdade, um fantasma. No final, Dylan publica o seu livro, dando uma conferência mundial em frente ao National Archives Building, divulgando “os segredos governamentais e corporativos mais secretos“.

Vários executivos reagem ao discurso, cometendo suicídio em massa sob os aplausos do mundo. Um atirador camuflado tenta assassinar Dylan, que usa os seus poderes para matá-lo. Com a missão cumprida e o Mundo são e salvo, Dylan e Leah voltam à floresta onde encontraram a pedra quando crianças.

“Fateful Findings” (2013)

Ao ver este filme, dou por mim perante uma grande obra. Pode ter os seus pontos divergentes para o grande público, como uma produção algo barata e uma narrativa aberta e surreal, porém continua a seguir os princípios e as características da cinematografia de Neil Breen, que busca primeiramente a visão do artista e não fazer cinema que satisfaça as massas. As duras críticas feitas a esta obra são algo injustas, visto que é preciso compreender a estética de Breen para se conseguir contemplar e mergulhar no filme na sua plenitude.

O enredo é bastante abstrato, deixando muitas cenas abertas à interpretação da audiência, o que faz com que cada visualização seja única e pessoal. As interpretações são bastante seguras em geral, a de Neil Breen sendo a melhor, com diálogos memoráveis. Seguem um realismo puro sem atuações exageradas, pois ao início podem parecer um pouco forçadas, mas é necessário ter em atenção o mundo kafkiano onde as personagens estão inseridas.

Em suma, “Fateful Findings” só é aquilo que a crítica diz ser, se o virmos com uma mente fechada e lavada por Hollywood. É um filme que quebra com todas as normas e cria algo novo e único. Talvez por não ser acessível, não é compreendido nem apreciado devidamente, acabando por ter injustos rótulos de “pior filme”. Tem os seus defeitos, claro, mas as qualidades presentes elevam e muito a experiência. Neil Breen tem vindo a surpreender em cada filme desde 2005 e neste, diria eu, encontramos o seu magnum opus. Agressivamente recomendado!

João Filipe

Rating: 4 out of 4.

Esta crítica faz parte da série “de mau a pior”, um projeto de João Filipe, cuja visão consta na busca da pior obra nos diferentes contextos, quer seja literário, cinematográfico ou musical, mantendo sempre a seriedade de uma análise minuciosa. Quer sejam trabalhos notáveis com uma crítica negativa por parte de profissionais e grande público, quer sejam más experiências pessoais, todas estão aptas de entrar na série. Se porventura o leitor tiver alguma recomendação que gostasse de ver esmiuçada aqui no site, basta deixá-la nos comentários.

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