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Porque A Arte Somos Nós

O filme “O Rei da Polca” título em português, realizado por Maya Forbes, conta com os atores Jack Black, Jenny Slate, Jason Schwartzman e Jacki Weaver, é-nos envelopado como comédia, mas percebi tratar-se mais de um drama por contar uma história real, que foi convertida para o grande ecrã em 2017. Está disponível na plataforma de streaming Netflix.

Talvez o rótulo de comédia recaia pelo facto de ser Jack Black o ator principal. Costumeiro ator de comédias pastelão e outros onde o seu lado canastrão aflora mais, como a do gorducho simpático que nos faz rir pelas suas trapalhadas, o certo é que neste personagem o sujeito provoca-nos o riso, mas simultaneamente apresenta-se como um ser humano aproveitador, dócil e sonhador com a sua carreira artística, sendo um imigrante polaco que tenta fazer vida nos Estados Unidos. Trabalhando em serviços de pouca valia destinados a imigrantes, ele toca com a sua banda o ritmo cultural do seu país, a polca.

Muita alegria no palco, incluindo uma galinha de figurino e o certo é que um público mais idoso acompanha fielmente o carismático cantor. A penúria financeira para pagar aos músicos e as vendas magras na sua loja de conveniência fazem-no acreditar num novo rumo para os negócios: e se parte deste público fiel investisse na sua banda a uma rentabilidade de 12% ao invés dos 3% habituais dos bancos?

Jack Black (Jan Lewan)

O negócio começa pequeno e essa pirâmide financeira é logo denunciada ao Estado da Pensilvânia, sendo que um dos agentes vai visitá-lo extraoficialmente exigindo que ele devolva o dinheiro aos investidores. O encontro entre Jan Lewan (o músico empresário) e o agente é hilário, sendo que este sai com o sentimento de dever cumprido, que aquele polaco gorducho não oferecia risco algum e que era apenas um simplório.

Mas quando um casal de fãs velhinho o visita com o objetivo de investirem mais nos seus negócios, com um cheque de cinquenta mil dólares, é visível a luta interna do nosso protagonista, acabando por incrementar os seus empreendimentos, agora com a intenção de ser o guia de viagem dos seus fãs para a Europa, prometendo inclusive uma audiência exclusiva com o seu conterrâneo papa João Paulo II. Esta é uma das melhores passagens da película.

A coisa cresce tanto que os concertos ficam concorridos, dando já para Lewan contratar um cinegrafista 24 horas e a publicidade fica à sua maneira. Tudo ia bem para o artista, menos a implicância e desconfiança da sua sogra, que mora com eles e vive azucrinando o seu juízo. O seu filho já toca na banda e ajuda-o na loja, sendo que a esposa ganha um concurso de loja e motiva-se até a ser Miss Pensilvânia, e é claro que Jan não poupará esforços para satisfazer esta vontade, alugando cinco autocarros para a festa de entrega do prémio e subornando um jurado.

Jenny Slate (Marla Lewan)

Quando o embuste vem ao de cima, junto a outros inconvenientes devido à publicidade maciça, o agente da polícia federal faz uma visita ao suspeito ao lado de uma parceira, com o objetivo de prender o embusteiro. O momento não poderia ser pior, pois ele está no hospital após um acidente com o autocarro da sua banda, no qual o seu filho tinha sido enviado à Unidade de Tratamento Intensivo.

Jan fica desesperado. Este procurava sempre perdão para os seus crimes confessando-se ao padre da igreja, mas a coisa chegou a tal ponto que este padre acaba a reclamar com ele, no ato da confissão, que a sua pobre tia havia investido todo o seu suado dinheiro nos projetos escusos dele. Pois bem, pedindo a Deus que salvasse seu filho, vê como redenção o facto de estar a ser preso naquele momento e, quando observa que o seu filho arregalou os olhos ao sair do estado de coma, fica feliz ao entender que Deus havia atendido às suas preces.

Na cadeia, nos cinco anos que passa, é vítima de um lunático que quase o degola e escapa por pouco. Numa das visitas da sua esposa, Maria, ela informa-o de que tem que seguir a sua vida, e assim o casamento fica desfeito. Espero que as feministas de plantão não patrulhem o meu pensamento, mas certas mulheres funcionam assim mesmo: fingem nada saber acerca dos negócios do marido, talvez mais preocupadas com os vestidos caros e as joias que recebem de presentes, mas quando estoura algum escândalo compreendem que, afinal, nada sabiam das finanças. Neste caso, parece que ela não sabia mesmo, mas tampouco procurou investigar mais à fundo acerca.

J.B. Smoove (Ron Edwards)

O Rei da Polca irá sofrer uma influência de estilo na sua música: o rap. Sairá da cadeia apresentando a sua polca rap, e para tanto contará com o apoio e parceria do amigo Mickey Pizzazz. Ele promete devolver os milhares de dólares que havia tomado dos seus investidores e concertos, mais até pela publicidade advinda da sua condição de ex-preso.

Da película apresentada, fiquei com a impressão de um sujeito puro, um pouco lunático de tão sonhador que era, mas um carinhoso pai e um gentil esposo, sempre pronto a satisfazer qualquer desejo à sua mulher. Escorregou de forma feia nos seus empreendimentos e investimentos a fundo perdido, enganando gentis, mas gananciosos velhinhos que foram parte importante deste esquema em pirâmide.

Carismático e apaixonado pela sua música, não mediu esforços para popularizar a polca na terra do Uncle Sam e nos créditos finais, quando assistimos ao Jan Lewan real, dá para perceber que o ator não poderia ter sido melhor escolhido. Uma belíssima história de amor à arte, com pitadas de humor e bastante drama.

Marcelo Pereira Rodrigues

Rating: 3 out of 4.

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