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Porque A Arte Somos Nós

Este é um álbum ao vivo que marcou a geração dos anos 80 e de todos os fãs de U2. Estávamos em 1983, na digressão do álbum “War”, com Bono, Edge, Larry e Adam a partilhar a sua energia com o público da Europa, Estados Unidos da América e pelo Japão – primeira investida da banda no país nipónico e na Ásia. “Under A Blood Red Sky” é composto por oito faixas da “War Tour”, nos espetáculos de Red Rocks (este disponível em vídeo e conhecido como “Live At Red Rocks”), Boston, e Alemanha – cinco das oito músicas são gravadas no concerto de 20 de agosto deste último país.

O álbum arranca com Gloria, do segundo trabalho “October” (1982), e mostra desde logo a capacidade dos U2 em agarrar o público e de transformar a experiência do espetáculo ao vivo numa festa. Nota mais para The Edge, que faz do seu slide guitar um som ainda mais vivo do que na versão de estúdio, preparando a música para o seu frenético final, “Gloria…in te domine“.

Segue-se 11 O’Clock Tick Tock, um single de 1980, mas que já constava no primeiro EP da banda, “Three” – este último de 1979. Por muito que custe escolher um elo mais fraco, teria de ser esta canção a sacrificada. Contudo, vamos ver as coisas por este prisma: o resto das músicas destacam-se de tal forma, que até a boa performance de 11 O’Clock Tick Tock é abafada pelo resto dos temas.

I Will Follow, o único single retirado deste álbum ao vivo, é a música de abertura do primeiro álbum da banda irlandesa “Boy”, de 1980. A energia deste tema é contagiante, com um riff icónico de David Howell Evans. Uma música sobre crescimento e descobrimento, esta acompanha os U2 em praticamente todas as digressões até aos dias de hoje.

Para fechar a primera parte, Party Girl, ou de nome oficial Trash, Trampoline and the Party Girl, o lado B do single A Celebration. A música tornou-se popular por esta performance ao vivo, fazendo desta faixa uma presença algo regular nos encores até 1989. A canção tem uma vertente mais popular que vem intensificar o conceito festivo nos concertos dos U2, onde o público é essencial para a vibração da música.

Capa do álbum “War” (1983)
Capa do álbum “Boy” (1980)

Partimos para a canção mais mediática de toda a obra, a qual traz consigo inúmeras histórias de tardes e noites na discoteca, para além do seu valor intrínseco, e todo o seu contexto histórico/sentimental. Sunday Bloody Sunday, um dos quatro singles de “War”, é mesmo o grande destaque deste live album. Com a sua clássica entrada “this is not a rebel song, this is Sunday Bloody Sunday…”, os U2 marcam o passo de uma canção que fica marcada na história da Música, tendo sido considerada a 272.ª melhor de todos os tempos pela revista Rolling Stone, em 2010.

A letra aborda o trágico Domingo Sangrento, no qual soldados britânicos dispararam sobre manifestantes irlandeses a 30 de janeiro de 1972, matando 14 e deixando outros 26 feridos. Das 14 vítimas mortais, seis eram menores de idade, e estes protestavam contra a política do governo britânico de prender pessoas suspeitas de terrorismo sem um julgamento prévio, e contra as desigualdades religiosas presentes na Irlanda do Norte. Os U2 assinalavam com esta música a sua repugnância à tragédia acima descrita, com uma canção que ainda hoje é obrigatória na sua setlist.

Voltando ao álbum, segue-se The Electric Co. (Boy, 1980), escrita por Bono aos 16 anos de idade e fala-nos de terapia por convulsão eléctrica. Para eléctrica basta-nos a música, e esta actuação é suficientemente clara para todos percebermos do que estou a falar. Tem energia, garra, e o mais importante aqui, funciona muito melhor ao vivo.

Bono ao vivo em Red Rocks

New Year’s Day, mais um single de “War”, é uma música obrigatória nos Greatest Hits da banda. Mencionando de novo a lista elaborada pela Rolling Stone em 2010, New Year’s Day foi considerada a 435.ª melhor música de sempre. Neste “Under A Blood Red Sky” a canção tem uma performance inesquecível, provavelmente a melhor prestação vocal de Bono neste álbum, acompanhada de uma banda com o ‘pé no acelarador’ e que nos faz esquecer a versão de estúdio.

Para finalizar, 40, a última música do terceiro álbum. Esta foi gravada já no fim das sessões de gravação, onde The Edge toca baixo e Adam Clayton a guitarra eléctrica. Em jeito de ‘adeus’, 40 tornou-se uma música clássica no encore dos espetáculos ao vivo da banda, com um significado especial para todos os fãs. “How long… to sing this song?“, já cantada pelo público, fecha esta experiência dos U2 ao vivo, revelando que estes quatro jovens rebeldes sabiam bem o que estavam a fazer.

É uma obra essencial para quem quer conhecer melhor álbuns ao vivo de referência, sendo que este demonstra toda a energia da banda em palco. Tem uma duração de aproximadamente meia hora (mais precisamente 35 minutos), o que torna a experiência rápida e intensa. Revela os U2 no pico da sua juventude, mostrando uma banda irreverente mas já com maturidade suficiente para passar ao próximo nível. É um marco na discografia do grupo e um cartão de visita obrigatório para todos aqueles que alguma vez duvidaram da banda ao vivo.

Rating: 3 out of 4.

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