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Porque A Arte Somos Nós

“The Big Gundown” foi lançado em 1985. No começo, John Zorn não queria aceitar o projeto, sugerido pelo produtor Yale Evelev, pois achava que a música de Morricone já era perfeita em si mesma. Felizmente, como Morricone foi uma das principais influências para Zorn, este último não resistiu à tentação.

A música do compositor italiano é despida até os ossos, mantendo apenas o essencial e compondo-a novamente, não tanto um álbum de covers, mas como reencarnações. Zorn apropria-se da música do veterano italiano. A maioria das bandas sonoras presentes são de filmes western spaghetti, com a exceção de Tre Nel 5000, a única faixa composta pelo norte-americano.

Todas as peças estão fortemente retrabalhadas e Zorn usa diferentes músicos para cada faixa, Bill Frisell e Fred Frith estão entre eles. A largura musical em “The Big Gundown” é uma mistura muito eclética de alguns sons de filmes dos anos 60 e 70, minimalismo neoclássico, técnicas de free jazz, e momentos de rock e blues.

Alguns desses grandes momentos são:  The Big Gundown, um free jazz de cortar a respiração; Once Upon a Time in the West, um medley das melodias do filmes desfragmentadas na guitarra eléctrica; Erotico, um soul com o grande órgão tocado por Big John Patton; a música essencialmente baseada em sonoridades japonesas, Giu La Testa; e a delicada Poverty com Toots Thielmans nos sopros. Na reedição do 15.º aniversário do disco lançada em 2000, existe até um possível hit: The Ballad of Hank McCain, com Mike Patton; e uma versão no estilo Bar Kokhba de The Clan Sicilian.

Concluindo, o álbum é uma brilhante reinterpretação dos clássicos de Morricone. Algumas peças são magníficas, alguns ruídos criam o caos e quase nada está equilibrado. Mas, tudo é construído de uma maneira muito peculiar e, à sua maneira, cria uma atmosfera única que faz com que as composições originais do maestro estejam, e não estejam, lá ao mesmo tempo.

João Filipe

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