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Porque A Arte Somos Nós

Todos nós já nos debatemos sobre esta problemática; o que esperar do futuro, ou melhor, de que forma podemos “garantir” – pelo menos teoricamente, pois essa ideia não passa de uma ilusão – que aquilo que vai acontecer a partir daqui vai ser, efectivamente, digno de ser lembrado. Digno de ser lembrado, ou que traga uma satisfação intrínseca nele, no seu caminho, nas dificuldades? É mais importante sabermos que o fizemos bem, ou que caia bem na sociedade, que seja impactante e socialmente revolucionário? Estas questões afligem-nos bastante, uma vez que nos privamos de fazer certas coisas em função daquilo que os outros vão gostar ou não, e estamos sempre de pé atrás para com o mundo que nos rodeia, pois temos medo dos julgamentos que porventura farão de nós. Ou seja, será que a atitude mais sábia está em ignorar por completo – ou pelo menos descartar aquilo que os outros dizem previamente, antes de agir –, de forma a manter a sua identidade como algo fulcral para não cair na decadência que possa existir na sociedade, ou será que é mais fácil, ou que nos vá trazer efectivamente mais vantagens, aceitar levianamente e com cuidado aquilo os outros pensam e sentem, para não levarmos com o mundo em cima?

Ricardo Reis dizia, e bem, que sábio era aquele que se contentava com o espectáculo do mundo. Ora bem, isto, se quisermos fazer um paralelismo, daria certamente pano para mangas, mas fundamentalmente o que há aqui a dizer é que a mensagem fundamental se centra com a dita capacidade de nos abstrairmos do real e do aceitarmos, sem reservas, nem tão-pouco ressentimentos. É preferível, de acordo com esta perspectiva, aceitar de forma apática aquilo que está a acontecer no mundo e, simplesmente, seguires com a tua vida, sem teres a necessidade, ou até vontade, de o mudar, de o moldar, ou de o reformulares à tua imagem. Num sentido mais lato, o heterónimo de Fernando Pessoa não quis dizer que nos devemos resignar, mas sim que devemos aceitar o nosso lugar e saber onde estamos; saber que, ao apreendermos a realidade com o máximo de tranquilidade e imparcialidade, estaremos não só um passo à frente dos outros, como também de nós mesmos: no futuro, com este mindset precisaremos de vertiginosamente menos esforço, dedicação, comprometimento para chegarmos exactamente ao mesmo sítio – aquele onde podemos ser genuínos e felizes com a nossa autenticidade.

Há uma frase muito conhecida, cujo autor sinceramente desconheço, mas que traduz bem qual deve ser o nosso posicionamento na sociedade, de forma a todos conseguirmos ser mais cooperantes e, assim, ampliarmos as nossas possibilidades de sucesso no futuro: “Devemos ter coragem para mudar as coisas que podemos mudar, serenidade para aceitar as que não podemos e sabedoria para saber apreciar a diferença entre umas e outras“. Desta forma, não só apenas aplicamos as nossas forças naquilo que, à primeira vista, tem potencial, como também não desperdiçamos tempo em coisas supérfluas, algo de que, infelizmente, o mundo está cheio.

Com isto, quero apenas concluir dizendo: não vale a pena termos os olhos postos no futuro se o presente não tem a nossa atenção; não vale a pena sonharmos com um amanhã que não inclua o que somos hoje – porque se vives insatisfeito com aquilo que és, viverás eternamente insatisfeito com aquilo que conquistas (nunca será um processo intrinsecamente feliz). O que estou a dizer é que nos deixemos de falinhas mansas e passemos a tratar, primeiro de nós, depois do mundo, como sempre o devíamos ter feito:

Obrigado por estar aqui. Este sou eu.

Sejam felizes.

Tiago Ferreira

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