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Porque A Arte Somos Nós

Durante o início dos anos 70, Blaxploitation estava no auge com filmes como “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song” (1971) e “Shaft, Mafia em Nova Iorque” (1971). Este género cinematográfico é conhecido por ser originalmente feito especificamente para um público negro urbano, pois a maioria dos filmes lida com bairros pobres, escravidão, miscigenação, rebelião e sexo. No entanto, Blaxploitation inclui vários subtipos, incluindo crime, acção, westerns, horror, comédia e até musical. Mas foram as trilhas sonoras dos filmes que realmente brilharam naquela época, muitas obras de Blaxploitation apresentam bandas sonoras de funk e soul jazz com um baixo pesado, batidas funk e guitarras wah-wah.

Ao contrário da banda sonora comum, “Super Fly” é um álbum conceptual conhecido pelos temas antidroga e de libertação. Diferentemente do filme, Curtis Mayfield mantém uma posição muito mais crítica, com letras socialmente conscientes sobre crime, pobreza e abuso de drogas. Contudo, a temática das letras do álbum não se distancia do filme.

O disco começa com Little Child Runnin’ Wild, uma música soul sobre solidão e toxicodependência, com o destaque desta faixa a recair sobre a rica orquestração de violinos e instrumentos de sopro. Em seguida, outra faixa fantástica, Pusherman, talvez a faixa mais cool do álbum que fala sobre o protagonista do filme (Youngblood Priest). Esta música apresenta um incrível riff de guitarra e uma frase inesquecível: “I’m your mamma, I’m your daddy / I’m that nigga in the alley / I’m your doctor, when in need / Want some coke, have some weed.” A próxima faixa é Freddie’s Dead, também com um tremendo riff de guitarra funk e uma orquestração impressionante; assim como a faixa anterior, esta também é sobre uma personagem, Fat Freddie.

Uma das melhores coisas desta banda sonora é a sua diversidade musical. Há duas faixas instrumentais, Junkie Chase e Think; duas baladas, Give Me Your Love (Love Song), seguida por Eddie You Should Know Better; e uma canção tipicamente soul, No Thing On Me, sobre a visão de Youngblood em como as drogas levaram tantos amigos, e sobre a sua libertação da cocaína: “My life’s a natural high / The man can’t put no thing on me“. Fechando esta obra-prima está Superfly, a faixa mais conhecida presente na longa-metragem. Uma música incrível que realmente atrai o humor do filme, sendo a melhor maneira de terminar este trabalho.

Em suma, “Super Fly” é uma banda sonora única e uma verdadeira obra-prima, tanto musical quanto liricamente. Todas as faixas são incríveis, exceto Think, que não se encaixa inteiramente com o resto do álbum. O resto das canções mostram a diversidade de Mayfield. Sendo uma das poucas bandas sonoras que conseguiram vender mais do que o próprio filme, certamente demonstra que Curtis Mayfield foi um talentoso cantor e compositor.

João Filipe

Rating: 3.5 out of 4.

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