OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Hoje em dia, estamos inseridos numa sociedade que só pensa em si própria e que negligencia o colectivo. Estamos juntos de vez em quando, mas na verdade estamos sozinhos. Estamos inseridos numa cultura que, no fundo, promove a individualidade.

Desta forma, não sabemos o que estamos a fazer aqui, sabemos apenas que o mundo não espera nada de nós, mas que se nos exige tudo. Estamos cada vez mais sozinhos, e é cada vez mais difícil lutar contra essa solidão. Não sabemos, portanto, até onde vamos, se nem até onde fomos. Nem disso temos a certeza.

A vida, toda ela, tem sido uma descoberta muito dolorosa e difícil; estamos um pouco perdidos, na verdade, porque não temos apoio de ninguém a não ser de nós próprios  – e nem disso às vezes temos a certeza. Cada um vive o mundo à sua maneira, mas sempre ciente que o julgamento do mundo nos vai fazer vir abaixo muitas vezes, porque o ser humano é uma espécie muito complicada, que não pensa nos outros irracionalmente, somente procura o seu sustento, a sua felicidade, e menospreza o auto-conhecimento do eu – e do nós.

Eu, enquanto um jovem de 21 anos, sinto que vivi a vida de forma muito precoce: como todos, não tinha nenhum manual de instruções para viver a vida (não estou a dizer com isto que estive sempre sozinho, apenas para dizer que o mundo é um lugar de trevas, muitas vezes). Todos estão à espera que tu sejas muito bom, mas nunca te motivam para realmente o seres. E é essa a minha verdade e a da maioria.

No entanto, tudo passa a fazer sentido quando te permites ser autêntico; sem pressas, apenas desejos. Porque chegamos a uma fase da nossa vida e entendemos que o real valor de existir está em sonhar com um mundo melhor, no seu todo. Nascemos tábuas rasas: meros viajantes numa viagem que em princípio não tem fim, apenas nós, e estamos bem com isso – porque na verdade, apesar de toda a solidão, todos temos de ser capazes de sonhar individualmente com um mundo universalmente feliz, alegre, sustentável, único (como todos nós o somos, sempre que o queremos).

Posto isto, fica pouca coisa por dizer: resta-me sonhar, maioritariamente acordado, em conseguir mudar o meu mundo, e deixo o apelo a todos os leitores.

Terminando esta reflexão com Saramago, relembro uma das suas epígrafes, sempre maravilhado:

“O caos é uma ordem por decifrar”.

Decifremo-lo juntos, sempre que possível.

Tiago Ferreira

Imagem alusiva ao filme Dolor y Gloria”, de Pedro Almodóvar (2019)

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