O BARRETE

Porque A Arte Somos Nós

A época natalícia é pródiga à inspiração nas mais variadas vertentes, e no que se refere à componente musical o caso não é diferente.

Certas músicas distinguiram-se de tal forma pela sua qualidade que se tornaram icónicas, tal como Father Christmas, dos Misfits, ou Happy Xmas (War Is Over) de John Lennon e Yoko Ono. No entanto, por cada uma dessas canções foram criadas outras tantas, ou até mais, de qualidade deveras questionável.

Considerando que estamos a chegar ao Natal, nada melhor do que seleccionar algumas melodias desta quadra que… devemos evitar. Se querem satisfazer a vossa curiosidade acerca das piores músicas natalícias da história, quem sabe não possam até aproveitar para se divertirem um bocado. Segue-se uma lista elaborada pelo site Ultimate Classic Rock, que indica as 10 piores músicas de natal (a ordem das mesmas não é relevante):

10.º Please, Daddy (Don’t Get Drunk on Christmas) (“Rocky Mountain Christmas”), Jonh Denver (1975)

Existe uma extensa tradição de melodias de natal agridoces, como é o caso da soberba Christmas (Baby Please Come Home), interpretada por Darlene Love, e pertencente ao álbum de compilações natalícias de 1963, produzido por Phil Spector. Contudo, a discrepância entre a mensagem das duas não podia ser maior, pois se num caso nos referimos a uma situação de amor, no outro é abordado um caso de violência doméstica.

John Denver – Please, Daddy (Don’t Get Drunk on Christmas)


9.º O Holy Night (“Tiny Tim’s Christmas Album”), Tiny Tim (1996)

Tiny Tim, nome artístico de Herbert Khaury, tornou-se num artista de culto graças a Tiptoe Through The Tulips, uma música que se tinha destacado nos anos 20, e que foi por ele interpretada em 1968. À excepção desta melodia, com a qual teve sucesso, a carreira de Tim manteve-se durante muito tempo alinhada com o que de pior a música pop pode oferecer, sendo o músico mais conhecido por um casamento num programa de televisão do que por questões ligadas à música. Em linha com a pouca qualidade das suas canções, o seu álbum natalício enveredou também por esse diapasão. A fragilidade da sua prestação vocal, aliada à sua voz fina, e com alterações entre diferentes notas, fazem de O Holy Night uma melodia de qualidade questionável.

Tiny Tim – O Holy Night


8.º White Christmas (“Metal Christmas”), Paul Di’Anno (1994)

Ao contrário do clássico de Bing Crosby, White Christmas, de 1942, esta versão metal interpretada por Paul Di’Anno, vocalista original dos Iron Maiden, deixa muito a desejar. Tudo o que tornava a música de Crosby memorável, foi aqui destruído e transformado numa canção muito pouco cativante, e que não faz qualquer tipo de justiça ao género heavy metal.

Paul Di’Anno – White Christmas


7.º Ave Maria (“A Very Special Christmas 3”), Chris Cornell & Eleven

Há combinações que, simplesmente, não resultam, e aqui temos um perfeito exemplo disso. Os dois géneros aqui combinados, rock e ópera, não resultam de todo nesta melodia. Contrastando, com o célebre dueto de Freddie Mercury e Montserrat Caballé, Barcelona. Chris Cornell, cuja voz normalmente é superior à de muitos outros artistas do género, não faz jus a essa reputação. O entretanto falecido vocalista dos Soundgarden parece estar completamente fora do seu elemento na interpretação deste tema, demonstrando que a ópera não é o seu forte.

Chris Cornell & Eleven – Ave Maria


6.º Here Comes Santa Claus (“Christmas in the Heart”), Bob Dylan (2009)

Bob Dylan nasceu em 1941 na cidade de Duluth, no estado do Minnesota, com o nome de Robert Allen Zimmerman e é uma figura de grande destaque na cultura pop e folk. Este álbum de Dylan tem como destaque Must Be Santa, que é uma mescla entre o divertido e o absurdo. Por outro lado, a faixa inicial Here Comes Santa Claus não é, de todo, a ideal para o artista mostrar a sua excelência ou dotes vocais, revelando uma faceta menos inspirada.

Bob Dylan – Here Comes Santa Claus


5.º I Saw Mommy Kissing Santa Claus (“A Twisted Christmas”), Twisted Sister (2006)

Uma música, cuja versão inicial é interpretada por Jimmy Boyd, em 1952, e que independentemente da interpretação, é uma melodia arrepiante e marcante a nível emocional. O facto de uma criança ter visto a sua mãe com um perfeito desconhecido, sendo ele o próprio Pai Natal, demonstra a falta de sensibilidade presente na letra desta canção. Para piorar a situação, só colocando uma nova versão nas mãos dos Twisted Sister, que apenas incrementa a componente perturbadora nela presente.

Twisted Sister – I Saw Mommy Kissing Santa Claus


4.º Do They Know It’s Christmas? (“Single”), Band Aid (1984)

Do They Know It’s Christmas? foi gravada a 25 de novembro de 1984, em Londres, pelo Band Aid, um grupo que integrava alguns dos melhores cantores britânicos e irlandeses. O seu objectivo era angariar dinheiro para combater a fome na Etiópia, que culminou com o célebre Live Aid no ano seguinte. A canção já angariou milhões para diversas instituições de caridade desde o seu lançamento, sendo que ainda é uma das músicas mais tocadas nas rádios na época natalícia. Contudo, quando analisamos mais a fundo, percebemos que este tema, pela qualidade dos músicos envolvidos, é lamentável. Podemos começar pela fraca consistência e lógica da letra, com pequenos versos a colidirem, e um coro já de si repetitivo e tedioso. De seguida, uma série de artistas britânicos privilegiados a tentarem embelezar com estilos vocais desproporcionados à canção, quase como uma forma de se redimirem dos seus excessos, em contraste com a miséria vivida pelos povos africanos. “There won’t be snow in Africa this Christmas” – está longe de ser a principal preocupação para as populações afectadas.

Band Aid – Do They Know It’s Chritstmas?


3.º Back Door Santa (“A Very Special Christmas”), Bon Jovi (1987)

Neste álbum, que conta com vários artistas, temos dois pólos opostos. Podemos destacar pela positiva a versão de Bruce Springsteen da música Merry Christmas, Baby, inspirada na cover de Otis Redding – a original é dos Johnny Moore’s Three Blazers (1947). Já em relação a Back Door Santa, o caso já não é bem assim. Esta gravação dos Bon Jovi da música de Clarence Carter (1968), começa logo por ser imprudente desde o seu refrão sintetizado até à voz, tudo menos subtil, do vocalista Jon Bon Jovi. Esta performance não faz justiça à banda, e é um mau exemplo de como uma melodia natalícia deve ser.

Clarence Carter – Back Door Santa (não são os Bon Jovi, mas sim a versão original de 1968)


2.º Hey Santa! do álbum (“Hey Santa!”), Carnie & Wendy Wilson (1993)

Após a sua separação do grupo Wilson Phillips, que contava também com Chynna Phillips, e que tinha sido bem-sucedido no início da década de 1990, as filhas mais velhas do genial Brian Wilson, Carnie e Wendy Wilson, resolveram produzir o seu próprio álbum natalício, inspiradas no espírito mais relaxado dos Beach Boys. O que em teoria parecia uma boa ideia, na prática, não funcionou. A música não conseguiu fazer jus ao pretendido, e nem a participação especial de Uncle Carl como vocalista, a produção de Al Jardine, ou o próprio Brian Wilson no piano, evitaram que fosse uma melodia demasiado “aguada”, destoando até, da vertente soft-rock pretendida.

Carnie & Wendy Wilson – Hey Santa!


1.º Wonderful Christmastime (“Single”), Paul McCartney (1979)

Paul McCartney nasceu em Liverpool, em 1942, e é conhecido como um dos membros da mítica banda britânica The Beatles. Esta canção foi um sucesso comercial aquando do seu lançamento, valendo a McCartney, enquanto seu compositor e intérprete, cerca de 400 a 600 mil dólares por ano em direitos de autor, o que resulta em cerca de 15 milhões ao longo destas três décadas. Contudo, esta composição está longe de ser consensual, e se analisarmos mais a fundo esta música, percebemos que são poucos os momentos de verdadeira melodia, estando muito longe do melhor que o artista britânico pode oferecer. É uma presença assídua nas rádios durante a quadra natalícia, pelo que se pode tornar, uma vez mais, enfadonha para os ouvidos mais sensíveis.

Paul McCartney – Wonderful Christmastime


Pedro Maia

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