Será raro que em conversa sobre a série “Hitman” haja alguém a lembrar-se de fazer referência a “Hitman Go”. Não se pode culpar ninguém, nem mesmo os fãs do franchise, por deixarem de lado um jogo que, de tão distinto dos restantes, é facilmente eclipsado por outras obras bem mais sonantes do Agente 47. Sobretudo por ter sido inicialmente lançado como jogo de smartphone, “Hitman Go” nunca conseguiu destaque suficiente de forma a estar ao mesmo nível de popularidade dos restantes jogos Hitman, todos disponíveis em PC e consolas.
Também o facto de o seu desenvolvimento não ter sido feito pela IO Interactive, mas sim por uma subsidiária da Square Enix (Square Enix Montréal), levou a algum afastamento da série principal, fazendo parecer que o jogo apenas se servia da imagem e nome do Agente 47, extremamente populares na altura do lançamento do jogo, em 2014.
Muitas das apreensões para com “Hitman Go” são plenamente fundadas, por ser completamente diferente dos jogos da saga até então. Enquanto os jogos Hitman são conhecidos mundialmente no género de ação e furtividade, “Hitman Go” é um videojogo de puzzles por turnos. Usando um estilo baseado em miniaturas 3D, os níveis são compostos por uma grelha formada por arestas e vértices interligados, fazendo lembrar um jogo de tabuleiro. Assumindo o papel de um Agente 47 em miniatura, o jogador tem de navegar pela grelha avançando de um vértice para outro, desde que ambos estejam ligados por uma aresta. Esta movimentação mais pausada e sem necessidade de grande precisão, encaixa perfeitamente nos controlos táteis de um smartphone.

O grande objetivo de cada nível, tipicamente, consiste em eliminar um alvo específico no tabuleiro ou fazer 47 chegar a uma localização final. O jogo inclui diferentes tipos de inimigos, introduzindo-os de forma gradual e sem fazer o jogador sentir-se sobrecarregado. No final de cada turno (entenda-se, de cada movimentação no tabuleiro), todos os inimigos se movem simultaneamente, efetuando eles próprios uma jogada na grelha do jogo.
Os jogos da série principal são caracterizados por enfatizar a deteção de comportamentos e padrões dos inimigos, em vez de os tornar imprevisíveis. Em “Hitman Go” a filosofia mantém-se, dado que cada tipo de inimigo (facilmente identificado pela palete de cores) possui um padrão de movimentação facilmente reconhecível. Alguns mantêm-se estáticos no seu vértice, outros efetuam uma rota específica à volta do tabuleiro, como movimentação em linha reta ou em movimento circular.

A característica que permite colocar “Hitman Go” ao lado de nomes como “Hitman: Blood Money” ou a trilogia “World of Assassination“, é o facto de que, embora se apresente como um mero jogo por turnos, tenha conseguido trazer mecânicas icónicas da série para um simples jogo de puzzles. Além dos já mencionados alvos, em capítulos mais avançados é possível encontrar disfarces que permitem a 47 manter-se indetetável aos inimigos do mesmo tipo.
Adicionalmente, existem também vértices com esconderijos que permitem ao jogador manter-se indetetável durante um turno. Também o facto de haver objetos e armas de fogo que podem ser atirados para distrair inimigos, quebrar os seus padrões de movimentação ou até eliminá-los por completo, permite dar a perceber que “Hitman Go” contém o ADN da série.
Ao longo de cinco capítulos e mais de 50 níveis, pode dizer-se que “Hitman Go” é um videojogo mais direcionado para fãs de jogos de puzzles do que para fãs da série Hitman. A curva de aprendizagem é bem gerida e os objetivos principais são relativamente simples de atingir, ficando os objetivos secundários (como terminar um nível sem eliminar nenhum inimigo ou em menos de x movimentações) reservados para fãs mais hardcore deste género de quebra-cabeças. Contudo, fãs de Hitman não ficarão desiludidos com este spin-off, constantemente a atirar referências aos momentos mais icónicos do Agente 47.
Disponível em: Android, iOS, Linux, PS4, PS Vita, Windows, Windows Phone
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