OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

Brendan Fraser foi, em 2023, o grande vencedor do Óscar de Melhor Ator Principal graças à sua participação na obra cinematográfica “A Baleia” (2022), realizada por Darren Arofonsky. Porém, é sempre bom recordar os velhos tempos das estrelas de cinema, e um dos grandes papéis de Fraser foi na pele de Rick O’Connel ao longo da trilogia “A Múmia”. Esta trilogia, que surgiu entre 1999 e 2008, é uma série de três longas-metragens de aventura que exploram o mundo misterioso do Antigo Egito, juntamente com os seus mitos, as suas pragas e segredos.

Em 1999, estreia “A Múmia“, o primeiro dos três filmes e o mais bem recebido pelo público em geral. Este conta a história de Rick O´Connel (Brendan Fraser), um soldado americano que, prestes a ser executado, é salvo por uma bibliotecária, Evelyn Carnahan (Rachel Weisz), que o contrata para a levar à cidade de Hamunaptra. Aqui não só estão escondidos tesouros, que interessam ao americano, mas também segredos do Antigo Egito, como o Livro dos Mortos, o grande interesse de Evelyn.

Já em Hamunaptra, ao lerem hieróglifos proibidos, despertam Imhotep (Arnold Vosloo), uma múmia amaldiçoada por se ter envolvido com a mulher do faraó e o ter matado por isso. Acordado, Imhotep deseja espalhar o caos pelo mundo moderno e ressuscitar o seu antigo amor, Anck-Su-Namun (Patricia Velasquez).

Este é provavelmente a melhor das três produções pelo tom que marca desde início: a aura mística do Egito Antigo, os segredos por descobrir, livros misteriosos, lendas e mitos. É saboroso e rico desde os primeiros minutos e ainda mais para quem se interessa por esta era. Também o contraste inicial entre O’Connel e Evelyn aliado a Jonathan (John Hannah), irmão de Evelyn, trazem um tom humorístico ao filme que nos permite conectar com os personagens. É um clássico da infância de muitas pessoas e é bom de rever num ‘domingo preguiçoso’.

Brendan Fraser (Rick O’Connel) em “A Múmia” (1999)

Por sua vez, o segundo filme, “A Múmia Regressa“, de 2001, traz de novo Imhotep, agora com a sua amada reencarnada, juntamente com um novo inimigo para os nossos protagonistas – O Rei Escorpião (Dwayne Johnson). Este novo personagem era um poderoso guerreiro que havia vendido a sua alma ao Deus Anúbis em troca da vitória numa batalha, porém, o deus da morte engana-o, destruindo todo o seu exército e transformando-o num monstro – um escorpião gigante.

A história passa-se dez anos após o primeiro filme e o amor entre O’Connel e Eve culmina num filho, Alex (Freddie Boath). Esta criança, astuta e curiosa, encontra a Bracelete de Anúbis que permite encontrar o tesouro do Rei Escorpião. Porém, assim como os protagonistas, também um velho inimigo deseja usar a bracelete para derrotar o Rei Escorpião e, assim, obter um poder inimaginável, o que leva Imhotep a raptar Alex juntamente com a bracelete. Com o seu filho nas mãos de uma malvada múmia ressuscitada, Rick e Eve aliados ao Medjai Ardeth Bay (Oded Fehr) seguem Imhotep até Hamunaptra.

Mais uma vez, todo o ambiente em que o filme nos coloca é essencial para que entremos na história e sintamos a verdadeira magia. Neste seguimento de “A Múmia”, Alex é um personagem muito interessante e um tanto cómica, já que nos faz lembrar de uma mistura interessante entre a coragem e a destreza de O’Connel, e a inteligência e charme de Evelyn. Também estes dois protagonistas apresentam uma evolução em relação à película anterior já que, com uma relação muito mais consistente, acabaram por ser capazes de aliar as suas diferenças e, assim, se tornarem numa dupla incrível.

“A Múmia Regressa” (2001)

Além disso, as visões que Evelyn tem de uma vida passada no Antigo Egito como filha do faraó provocam um contraste fenomenal entre passado e presente. A emoção é mais marcante, uma vez que o conceito de família ganhou mais significado, no entanto, um ponto menos positivo é a questão dos efeitos especiais que parecem ser exagerados e que, ao assistirmos atualmente, nos parecem um pouco fracos. Tirando isso, é mais um sucesso que consegue trazer o misticismo do Antigo Egito, juntamente com os seus mitos e histórias cativantes, sendo este mais um bom filme para assistir em família e relembrar a juventude do nosso galardoado pela Academia, Brendan Fraser.

Por fim, em 2008, chega-nos “A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão“. Rick O’Connel e Evelyn (agora interpretada por Maria Bello) encontram-se reformados das suas aventuras, ao passo que o filho dos dois, agora um jovem adulto, decidiu seguir as pisadas dos pais. No seu próprio caminho, Alex (Luke Ford) descobre o Túmulo do Imperador Dragão, um imperador chinês que foi traído e morto e cujo exército foi transformado em pedra por uma poderosa feiticeira, Zi Yuan (Michelle Yeoh).

Aquando da abertura do túmulo do imperador, este desperta de um sono secular e pretende procurar a poderosa feiticeira para que esta lhe conceda a imortalidade e um poder inimaginável que o permita dominar o mundo. Assim, a família O´Connel tem de impedir que o Imperador chegue à fonte da juventude, enquanto enfrentam o seu exército de pedra e alguns monstros da neve, Yetis.

Brendan Fraser (Rick O’Connel) e Maria Bello (Evelyn) em “A Múmia: O Túmulo do Imperador Dragão” (2008)

Esta última aventura não foi tão bem recebida devido ao facto de a atriz que interpreta Evelyn ter mudado. Não se discute o talento de nenhuma das atrizes, porém, sempre que existe uma substituição deste género gera-se uma grande controvérsia, neste caso com alguma razão devido ao papel que tão bem encaixou com Rachel Weisz. Um dos pontos positivos é, sem dúvida, Alex, um jovem agora com uma personalidade muito mais desenvolvida e com alguns resquícios do espírito de novos aventureiros que os seus pais outrora tinham (e que não se perdeu por completo).

Mesmo assim, a ideia da trilogia não perde a magia, e desta vez somos presenteados com novos ares – passamos do quente do deserto para o frio da neve. Uma cultura completamente diferente, mas igualmente rica em mistério e lendas.

Assim sendo, é sempre bom recordar esta trilogia cheia de aventura, sem nunca esquecer a sua componente familiar. Brendan Fraser interpretou um personagem muito rico, cómico e de espírito aventureiro, atrevido e curioso, intenso e charmoso. É reconfortante rever estes filmes clássicos que podem nem sempre passar uma mensagem filosófica e profunda, mas que nos deixam de coração alegre. “A Múmia” fez parte da infância de muitas pessoas e ainda hoje se passar na televisão, somos capazes de nos sentarmos no sofá e aproveitar um pequeno momento agradável e nostálgico.

Lorena Moreira

O OBarrete quer continuar a trazer as melhores análises e embarcar em novas aventuras. Clica aqui e ajuda-nos, com o mínimo que seja, a conseguir os nossos objetivos!

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from OBarrete

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading